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Muito se fala sobre a violência no cinema italiano. Realmente são filmes agressivos e sem pudores, chocam pelas cenas gráficas, mas pouco se comenta das loucuras e atrocidades que o cinema oriental oferece ao público. Talvez os filmes orientais sejam os mais insanos, estranhos e nojentos (em termos de “gore”) já feitos até hoje.

Eles já passearam em vários gêneros, de snuffs fabricados à zumbis carnívoros, sempre com boas doses de sangue e extrema violência.

 
 
GUINEA PIG – Será Real?

No ano de 1985 foi lançado no mercado de vídeo uma série chamada “Za ginipiggu” (Guinea Pig), onde mostravam atrocidades e barbaridades em cenas tão reais que muitos pensavam ser um típico “Snuff Movie” (os míticos filmes onde pessoas eram mortas de verdade em frente às câmeras). Um exemplo é que o ator Charlie Sheen denunciou o filme ao FBI por pensar ser verdadeiro. E o que ajudou bastante foi o fato do filme não dar crédito de direção ou o cast de atores, fazendo com que tudo tivesse um jeitão de origem desconhecida. Em 1986 o produtor da série Satora Ogura mostrou a verdade ao lançar “Meikingu obu Za ginipiggu” (Making of Guinea Pig), onde Nobuaki Koga, o responsável pelo make-up do filme, revela como são feitas as maquiagens e os demais truques da série, quebrando assim um mito que até hoje engana os desavisados. “Za ginipiggu” não é um snuff, mas incômoda tanto quanto fosse. A série é formada por oito episódios, começando com “Za ginipiggu: Akuma no jikken” (Guinea Pig: Devil's Experiment, 1985). O filme pode ser considerado um curta com seus apenas 43 minutos, lançado direto para o mercado de vídeo, pois foi feito como um exercício de jovens estudantes de efeitos de maquiagem. O resultado, apesar de sádico, é realmente bom. Não existe roteiro, três homens seqüestram uma mulher com o único intuito de torturá-la e é isso que vemos durante todo o filme, uma tortura atrás da outra até a mulher morrer. Não é divertido, não é interessante, é apenas chocante. Com o sucesso alternativo do filme, vieram as continuações.
“Za ginipiggu 2: Chiniku no Hana” (Guinea Pig:  Flowers of  Flesh and Blood), também de 1985, é o mais famoso da série. Este foi o filme que o ator Charlie Sheen assistiu e denunciou. Novamente não existe um roteiro, apenas um exercício de maquiagem. Um samurai seqüestra uma moça e a leva para sua casa. Lá ele a seda e começa a desmembrá-la ainda viva, assistindo a tudo que o doido maníaco está fazendo. Este, além de ser o mais famoso da série, ainda tem como diretor Hideshi Hino, autor do sangrento mangá “Panorama of Hell”.
A segunda seqüência se chamou “Za ginipiggu 3: Senritsu! Shinanai otoko” (Guinea Pig: He Never Dies), e foi dirigida por Masayuki Hisamoto. Porém, essa continuação só foi lançada em 1992, fazendo com que a ordem cronológica da série ficasse bagunçada, tanto que no título em inglês dos filmes não aparece o número indicando qual é a continuação. Esse é o primeiro da série com um roteiro, bobinho, mas já era alguma coisa. Um rapaz leva um fora da namorada, que o troca por um amigo. Desesperado e deprimido, tenta se suicidar, apenas para descobrir que ele não morre. Tenta as mais brutais e nojentas formas de se suicidar, mas está sempre de pé. Então, ao invés de pular em frente de um rolo compressor, vai assombrar o cara que roubou sua namorada.
 
Em 1986 Satora Ogura lançou “Meikingu obu Za ginipiggu” (Making of Guinea Pig), mostrando como foram feitas as maquiagens dos três filmes, mesmo assim muita gente ainda pensava que era tudo real, o que acabou se tornando óbvio pelo conteúdo imaginativo e totalmente irreal das próximas continuações.
 
“Za ginipiggu 4: Manhoru no Naka no Ningyo” (Guinea Pig: Mermaid in the Manhole, 1988), também de Hideshi Hino, conta a história de um artista que encontra uma sereia doente em um esgoto. Ele a leva para casa. Deixa a coitada “confortável” em uma banheira. Com o passar do tempo a doença começa a avançar como um câncer e aparecem feridas pútridas e nojentas pelo corpo da coitada e ele vai pintando cada etapa da doença assim que avança. No mínimo, surreal.
 
“Za ginipiggu 5: Notorudamu no Andoroido” (Guinea Pig: Android of Notre Dame) , também de 1988, só que agora dirigido por Kazuhito Kuramoto, conta a história de um cientista anão tentando impedir sua irmã de morrer. Ele não pensa duas vezes em matar pessoas para os experimentos na tentativa de salvá-la. Esse é o mais chato da série.
 
“Za ginipiggu 6: Peter no Akuma no Joi-San” (Guinea Pig: Peter's Devil Woman Doctor, 1990). O filme não passa de um monte de situações bizarras tendo um travesti como protagonista.
 
“Shiroi kabe no kekkon” (Guinea Pig: Lucky Sky Diamond, 1989). Este estranho filme não faz parte da série, foi considerado como parte do “Guinea Pig” apenas em solo americano. Conta as experiências nauseantes de uma mulher com drogas em um hospital. Foi dirigido por Izô Hashimoto.

EVIL DEAD TRAP – O oriente inspirado nos grandes mestres

“Shiryo no wana” (Evil Dead Trap, 1988)
, é uma das produções mais interessantes do cinema oriental. Foi baseado nos “Slasher Movies” americanos e com inspiração de mestres como Dario Argento, Lucio Fulci, Mario Bava e Sam Raimi. Algo interessante é como a crítica japonesa da época definiu o filme: “Um filme com influência dos americanos, realizado na maneira dos italianos por um diretor japonês.” O doido responsável por essa pérola se chama Toshiharu Ikeda. A história é simples e eficiente. Uma repórter consegue uma fita de “snuff” onde um assassinato acontece de maneira horrenda e muito gráfica. A moça resolve investigar o paradeiro da fita e encontra revelações nada agradáveis. Com o sucesso, ganhou mais uma continuação. “Shiryo no Wana 2: Hideki” (Evil Dead Trap 2, 1991), dirigido por Izô Hashimoto, sim, aquele mesmo do “Guinea Pig: Lucky Sky Diamond”. A continuação consegue ser mais violenta e sangrenta que o antecessor, com cenas mais repugnantes, mas com história inferior.

GUINEA PIG COM MENSAGEM – Katsuya Matsumura

“Ooru Naito Rongu” (All Night Long) é a obra-prima do diretor Katsuya Matsumura, lançada em 1992. O filme aposta na crítica social, mostrando jovens delinqüentes na sociedade. É de dar medo o que esses garotos são capazes de fazer. Mas o que choca e se destaca no filme são as muitas barbáries como torturas, massacres, estupros e abusos dos mais variados, mostrando que o diretor queria mesmo era embrulhar estômagos. Foram feitas mais quatro continuações, todas dirigidas por Katsuya e intituladas “Ooru naito rongu 2: Sanji” (All Night Long 2, 1995), “Ooru Naito Rongu 3: Saishuu-shô” (All Night Long 3: The Final Chapter, 96), “Ooru Naito Rongu R” (All Night Long R, 2002)”, e “Ooru Naito Rongu: Inisharu O” (All Night Long 5, 2003). Katsuya conseguiu fazer os filmes mais niilistas do Japão e ainda perdendo em “gore” apenas para a série “Guinea Pig”.

 
 
 
KAZUO KOMIZU – Ou devemos dizer, “GAIRA”

Podemos dizer que este homem é o responsável pelo termo “splatter-sex”. Kazuo Komizu, ou simplesmente Gaira, como ele gostava de se chamar. Este pseudônimo deriva do filme “Furankenshutain no Kaijû: Sanda tai Gaira” (Frankenstein's Monsters: Sanda vs. Gaira, 1966), onde Gaira é um monstro devorador de homens.
O destaque da filmografia de Gaira é uma trilogia que só tem relação pelo tema erótico, cheio de “gore” e cenas doentias.

O primeiro deles se chama “Shojo no Harawata” (Guts of a Virgin/ Entrails of a Virgin, 1986). Algumas modelos vão para uma montanha posar para fotos eróticas. A diversão acaba quando uma criatura com um pênis gigante começa a matar os homens e estuprar as mulheres. O festival de barbáries conta com cenas de intestinos sendo arrancados pela vagina de uma coitada, mutilações, necrofilia e outras doidices que só poderiam vir de um homem que se designa “Gaira”.
 
O segundo se chamou “Bijo no Harawata” (Guts of a Beauty), também de 1986. Este é o que tem a história mais estranha e confusa: uma garota é estuprada por membros da temida Yakuza, se não fosse o bastante os malfeitores ainda a drogam com uma substância chamada “Angel Rain”. Ela consegue fugir e vai atrás de uma médica para se curar. Os membros da Yakuza a encontram, ela se mata tentando escapar e eles acabam drogando a médica, que tem um ataque de overdose e morre, apenas para voltar como zumbi e acabar com a raça da Yakuza.
Fechando a trilogia temos “Gômon Kifujin” (Female Inquisitor, 1987) , e como o nome diz, são mulheres inquisidoras que fazem barbaridades em seu interrogatório. Gaira foi sem sombra de dúvidas o cineasta mais louco que apareceu no Japão, seus filmes não são nenhuma obra de arte, mas são dementes e divertem de verdade.

 
CAMPO 731 – A obra oriental mais polêmica que existe

Enquanto os japoneses apostam em filmes absurdos e irreais, os chineses contra-atacam com o terror real e muito mais assustador.

“Campo 731: Bactérias – A Maldade Humana” (Hei tai yang 731)
, mais conhecido como “Men Behind the Sun” (1988), é um filme forte ao extremo. Dirigido por Tun Fei Mou, na verdade pseudônimo de Godfrey Ho, um cara que fez centenas de filmes de Kung-Fu, ninjas e Bruce Lee’s falsos, é até hoje considerado o que passou mais perto de ser um “snuff movie” de verdade. O filme retrata o campo de cobaias humanas, liderado por uma equipe chamada Esquadrão 731, que desenvolvia armas biológicas e testavam em humanos, que eram chineses presos, sendo um dos quadros mais tristes da história mundial. As cenas presenciadas no filme são aterradoras. Um homem dentro de uma câmara de gás tem o intestino expelido pelo ânus, além de dissecações e um gato vivo jogado para ser devorado por milhares de ratos famintos. Uma das muitas famas que o filme leva é a de ter utilizado cadáveres de verdade para as cenas de mortes, o que é verdade em partes. Foi utilizado um cadáver para as cenas de dissecações, mas o resto, segundo declaração do próprio diretor, é maquiagem, porém muito realista.

O filme contou com mais três continuações: “Hei Tai Yang 731 - Xu ji Zhi Sha Ren Gong Chang” (Man Behind the Sun 2: Laboratory of the Devil, 1992), “Hei Tai Yang 731 - Si Wang Lie Che” (Man Behind the Sun 3, 1994) e “Hei Tai Yang Nan Jing da tu Sha” (Man Behind the Sun 4, 1995), que mostra atrocidades de um exército japonês contra monges.

O único motivo de assistir um filme como “Campo 731...” é conhecer a verdadeira história, pois tudo que é mostrado aconteceu de fato, o filme teve apoio do governo chinês, que autorizou o uso do cadáver para mostrar o que foi esta guerra estúpida. Poderíamos também falar sobre a explosão do cinema tailandês e suas obras sangrentas como “Longh Khong”, “Dek Hen Pee” e os trabalhos dos irmãos Pang, mas deixemos isso para outra hora.

Você está sendo convocado para adentrar ao submundo violento dos GIALLO MOVIES.

  
 
 
Veja os trailers de alguns filmes citados acima:
 
Guinea Pig - Flower of Flesh and Blood
* youtube pede para estar logado
 
 
Evil Dead Trap 2
 
 
 
 Ooru Naito Rongu
 
 
 
Hei tai yang
 
 


Artigo escrito por Gênesis Cardoso da Cruz e cedido pelo site Boca do Inferno.
FONTE: http://www.bocadoinferno.com/

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