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Os filmes sobre canibais fizeram muito sucesso no fim dos anos 70 e começo dos anos 80, pois nada proporcionava mais medo do que ver pessoas sendo devoradas por semelhantes.

Aparecendo como um gênero quase exclusivo do cinema italiano, foram feitos vários filmes seguindo a mesma fórmula:

1 – Pessoas perdidas em alguma floresta;
2 – Mulheres nuas;
3 – Cenas de documentários sobre a selva;
4 – Mortes reais de animais.

Desapareceu nos anos 80 quando essa fórmula desgastou e não levava mais público aos cinemas.

 
SELVAGENS DO RIO PROFUNDO – Onde tudo começou.

Muitos pensam que o ciclo do cinema canibal começou com Ruggero Deodato e o seu filme “Mundo Canibal” (Ultimo Mondo Cannibale, 1977), mas realmente iniciou em 1974 com o filme “The Man From Deep River” (Il Paese del sesso selvaggio), de Umberto Lenzi. O filme conta a história de um homem que está tirando fotos das paisagens da Tailândia, e é atacado por uma mulher com uma faca, sendo que na briga a mulher morre. Ele tenta escapar do lugar, mas é capturado por uma tribo de selvagens. Aos poucos ele é assimilado pela tribo e se torna um deles e acaba tendo um caso amoroso com uma garota da tribo, a linda Me Me Lai, que viria a fazer ainda mais alguns filmes de canibais.
Algumas idéias presentes no filme foram aproveitadas em outra produção do próprio Lenzi, como a morte de um crocodilo presente também em “Os Vivos Serão Devorados” (Mangiati Vivi, 1980).

HOLOCAUSTO CANIBAL - Ruggero Deodato mostra como devorar pessoas.

Nenhum outro diretor ganhou tanta notoriedade por filmes de canibais quanto Ruggero Deodato, que é considerado o mestre no gênero. O primeiro filme de Ruggero sobre canibais foi “Mundo Canibal” (Ultimo Mondo Cannibale, 1977), um dos melhores filmes de canibais já feitos. Podemos dizer que este filme é uma mistura de aventura com uma violência assustadora e uma maquiagem digna dos bons filmes do mestre Fulci. Lógico que aqui (como quase todos os filmes de canibais posteriores) também temos mortes reais de animais. Eu particularmente não gosto de ver animais sendo mortos de verdade, mas isso acontece o tempo todo e na época do filme era mais comum do que qualquer um imagina.

A história é simples, um sobrevivente de um acidente de avião no meio da selva é capturado por canibais. Ele sofre vários tipos de humilhações e é preso. Uma garota (novamente interpretada pela Me Me Lai) o ajuda a escapar. Este é considerado um dos melhores filmes do gênero.

Tempos depois, Deodato se junta com o roteirista Gianfranco Clerici (que também escreveu o roteiro de “Mundo Canibal”) e criam uma história sobre jovens que se embrenham em uma floresta para fazer um documentário e não voltam. Tempos depois as fitas são encontradas. Não, não estou falando sobre o roteiro da “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999), estou falando do filme mais violento na carreira do diretor italiano, “Cannibal Holocaust”, de 1980.

Assim que os jovens somem na floresta, o Professor Harold Monroe (Robert Kerman) se aventura em busca de algo que possa resolver este caso. Ele viaja até uma floresta na América do Sul para procurá-los. O que esses jovens queriam era fazer um documentário sobre os canibais da região. O Prof. Monroe encontra uma tribo de canibais onde consegue se infiltrar, conhecendo os hábitos alimentares nada ortodoxos dos selvagens sendo até em um momento obrigado a participar do banquete. Logo ele recupera os rolos das filmagens que os jovens gravaram. Voltando ao grande centro urbano, uma rede de TV local pretende apresentar o conteúdo gravado para a audiência. Eles começam a assistir os rolos e logo estão prestes a mudar de idéia.

O que mais incomoda em “Cannibal Holocaust” não são as mortes humanas, nem ao menos ver um índio comendo uma mão ou um fígado de uma pessoa (ok, ok... pode ser que em 1980 isso chocasse mais que agora), mas o que realmente nos deixa com um nó na garganta é a matança real de animais em frente à câmera, sendo este um dos motivos de críticas contrárias ao filme. Talvez a morte mais horrível do filme não seja de um humano, mas sim de uma tartaruga. Eles capturam a coitada em um rio, cortam sua cabeça, abrem seu casco, retiram seus órgãos e isso tudo enquanto sua cabeça ainda tem sinais de movimento, abre e fecha a boca e parece observar o que estão fazendo com seu corpo, no mínimo de gelar a espinha.

“Cannibal Holocaust” é um filme que causa diferentes sentimentos em quem assiste, uns amam e outros odeiam, mas acredito que essa seja a magia da obra. Ou seja, se você odiou ou amou é porque o filme mexeu de alguma forma com você, alcançando o resultado esperado.
Desta forma Ruggero nos presenteou com um dos filmes mais controversos da história do cinema.

O BANQUETE CONTINUA – Os Canibais Invadem o Cinema Italiano.

Antes de “Cannibal Holocaust” de Ruggero, um diretor chamado Sergio Martino filmou em 1978 um filme de canibais chamado “A Montanha dos Canibais” (La Montagna del dio Cannibale), onde já abusava de mortes gráficas e animais sendo mortos (como visto, o filme do Ruggero foi criticado com muita intolerância, já que vários outros filmes também executavam mortes de animais), como uma iguana sendo eviscerada. Destaque para a primeira “Bond Girl” Ursula Andress, que passa praticamente o filme inteiro como veio ao mundo.

Depois da grande repercussão do “Cannibal Holocaust” foram feitos filmes de canibais um atrás do outro, sempre tentando chocar o público cada vez mais. Umberto Lenzi, não se contentando em ficar atrás de Ruggero, lançou em 1980 o filme "Os Vivos Serão Devorados” (Mangiati Vivi), que pirateava sem pudor cenas do filme “Mundo Canibal”, de Ruggero. Um ano depois, em 1981, Lenzi filmou “Canibal Ferox / Make Them Die Slowly”, filme mais violento do que o “Cannibal Holocaust”, mas inferior em termos de imaginação, utilizando novamente matanças de animais e cenas de mortes gráficas o suficiente para deixar quem se ofende fácil com raiva mortal do filme.

O roteiro conta a história de um traficante de drogas que mata alguns selvagens na floresta Amazônica. Eles se revoltam com o tratamento e só resta ao traficante fugir, onde ao encontrar um grupo de estudantes, todos são capturados, brutalmente torturados e mortos em cenas com castrações, mutilações e até um ataque de piranhas.

Outro nome que ficou muito conhecido por fazer um filme de canibais foi Antonio Margheriti com o seu “Apocalypse Domani / Cannibal Apocalypse” (1980), sobre alguns veteranos que retornam do Vietnã com um tipo de vírus que os torna canibais. Outros diretores italianos ainda flertaram com o gênero como o Joe “já-fez-de-tudo-um-pouco” D'Amato. Filmes que sempre se mostraram infinitamente mais cruéis e brutais, mostrando que os italianos não brincavam quando o assunto era chocar.

Hoje em dia filmes com este teor dificilmente serão feitos, pois para a sociedade de hoje filmes como esses são aberrações e não arte, o que faz com que cada vez mais tenhamos saudades dos bons e velhos filmes corajosos dos anos 70 e 80.

O gênero de zumbis e canibais proporcionaram uma maneira diferente de mostrar filmes, de forma chocante e agressiva, inspirando assim a criação de um cinema que talvez seja o mais maluco e ousado neste ramo: O cinema oriental.

 

Veja os trailers de alguns filmes citados acima
 
 Vivos Serão Devorados
 
 
 The Man of Deep River
 
 
 A Montanha dos Canibais
 
 
 Cannibal Ferox
 
 
 




 
SAYONARA...

Artigo escrito por Gênesis Cardoso da Cruz e cedido pelo site Boca do Inferno.
FONTE: http://www.bocadoinferno.com/

Comentários  

0 #1 Marius Arthorius 23-07-2009 07:26
Magnífico e estupendo!!!! Quando será o churrasquinho? hehehehe
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0 #2 Parabéns!Predador 08-09-2009 10:17
Já vi vários desses filmes citados, e realmente, as cenas de mortes de animais foi o que me fez ter raiva, dos diretores, porque por mais bem feita que tenha sido a cena do empalamento da menina índia, o sacrifício dos animais não tem motivo, é um escarnio à uma vida inocente. Outro ponto em Canibal Holocaust que eu sempre sou contrário, é a referência à uma pedofilia em uma cena de banho no rio, quem assistiu entende o que eu digo.

Esses filmes de canibais eram muito bons, mas é uma pena que eles não quisessem ficar apenas na qualidade técnica da maquiagem, apelando para esse lado cruel e real.
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