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A Lei das trevas (miniconto)

 

Nefasta, a sombra maldita se levantou do túmulo...

Era dia de festa na cidade.  Uma tarde bronze meio ouro velho brilhava no céu das quatro horas.  Homens, mulheres e crianças, jovens, erguiam copos cheios de rum, vinho, sangria e uísque, e brindavam a luxúria, a volúpia, a banalidade...  Muitas risadas se escutavam; conversas fúteis o vento espalhava pelos ares.  Numa dessas lufadas com seu uivo assustador, a ventania chegou até a tumba de Nefasta deitada na terra, lá, no interior da cidadela.
E então ela surgiu negra, alta, encapuzada, com o rosto sem traços, as mãos pretas e um chicote amarrado na cintura, no meio da festa...
Hoje a cidade dorme.  Todos foram armazenados em formol postos em covas escuras.

Nefasta agora reina nesse cemitério levantando do chão fundo, todas as noites, os moribundos; e o que eles vêem é aquele dia (naquela tarde de brindes: rum, uísque, gargalhadas e falatórios) preso em grilhões de ferro suspendido numa imensa pira queimando o tempo todo na Inquisição das Trevas.

Psss. Das Trevas... Não da Terra.