A Matança

O vento uivou mais uma vez.
Gélido e fétido.
Os odores de carne fresca rasgada e sangue escorrido eram repugnantes. O sangue ainda descia pelos corpos dilacerados e banhava o quintal da casa refletindo a luz intensa da lua. Yara tremia a cada membro de sua família que encontrava. Por muitas vezes teve ânsia de vômito. Seu irmão, sua avó e pais, brutamente assassinados. Caiu de joelhos ao ver próximo a cadeira de balanço, a cabeça degolada de sua mãe. Enquanto chorava, sentiu algo melado grudando entre seus dedos. A luz da lua pode ver o que era.
E então lembrou do gosto doce de sangue em sua boca.
E tudo fez sentido.
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