Mortos, mortos, mortos
Todos mortos
Inchados, tímpanos estourados, hahHahHAha
Quantos pequenos túmulos espalhados
Filhos que morrem antes dos pais
Ah! Mas quanta hipocrisia
A morte é uma doce maresia
O sangue e o apodrecimento
Lindos corpos desfeitos levados pelas águas
Tomemos dessas águas
Mortos nauseabundos
Eis no paladar o sabor da cadaverina
Enche nossas narinas com a putrescina
Somos os donos desta chacina
Asas quebradas, sonhos destruídos
O mentiroso já foi pregado
E ainda somos responsabilizados
A fruta roubada já foi digerida
A proibição só resultou em pecados
Infernal desígnio divino
Ah! Coloque a culpa no outro
Tudo é justificável
Puxe o gatilho e acabe com tudo
O chão é rígido e a prédio é alto
A vida é rápida!
Rostos que somem na névoa do tempo
Lembranças trancafiadas na mente
O tempo ainda é tempo
Passageiros por alguns instantes
Devorados pela escuridão
Comentários
A maneira como você descreve a morte e cada detalhe dela é incrível, parece que estou vendo o poema se passar diante dos meus olhos.
Nem sei o que dizer, cara... Você é incrível, apenas isso.
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