Chora a menina, lágrima convertida em triste prece E lamenta pelos cantos o mal que o tempo tece Os corredores tão escuros têm garras pegajosas Seus passos se arrastam pela calçada Sua face à ferro e a fogo está marcada
Seus dedos arranham paredes mofadas Sente entre as unhas o bolor de horas malfadadas Sua fuga sem destino ela reconhece Seus passos trôpegos não a aquecem
Sem forças, sem movimentos, ela se acalma. O medo, o frio, a solidão são suas companheiras. O sangue da noite escorre sem fronteiras Uma chaga aberta em corpo e alma. Suas mãos tocam pele dilacerada
Letargia e dor, seu corpo cai Um rumor de angustia, e ela grita: Minha Mãe... Meus Irmãos... Meu Pai... Somente o silêncio, a solidão dos órfãos< br />E ela murmura: Meu Pai...... minha Mãe... Meus Irmãos....
Um resquício de amor a emudece Um prenuncio de ódio a fortalece Uma pedra pontiaguda a deixa armada Calçada molhada... imunda ... a acolhe Em sua frágil morada transformada
Anjos a sua volta se entristecem Quando as negras sombras são agora aliadas Vingança em meigos olhos todo sentimento tolhem A chuva que congela os ossos já não lhe importa A menina respira aliviada O cálice da vingança sorve embriagada! E sorri!
Seu riso tem a força de sombrios malefícios Sede fome e dor ignoradas Uma promessa macabra realizada Toda sede só será saciada Com o sangue dos que tomaram sua morada Sua família e alegre meninice perdida O sabor da carne inimiga será sua sandice Cada corpo que cair, um passo a liberdade
Estende as mãos sangrando à noite fria Espectros aceita m sua presença sem guia As sombras se agitam alvoroçadas Risos gelados percorrem a noite assombrada Gargalha o mal em áspera vitória A mórbida aliança está formada Os passos dessa vingança se formam Nesta triste noite desgraçada!