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Que me escapem as palavras

Que me tragam o desespero

Que me devorem a fome

Mas que me deixem você

 

Que se vão as doutrinas

Que se despeça a saúde

Que se parta o sorriso da face

Mas que fiquem as lágrimas suas

 

Seu corpo azul, gélido
Pálido em mim
Que continue assim
Sem você não vivo
Sem você não respiro

Dou adeus aos meus delírios

No frio do chão recosto meus ombros em agonia

Da paz obrigada a ter

Então são as terças sufocadas

Estragadas na sua falta

É a minha palma a embalar a solidão quieta

Fecho os olhos

Tentando em vão vencer os fantasmas curiosos

Da vida de lá

Do lado seu

Aguardando pelo resto

 

Feliz da noite que te tem

 

Mas são teus olhos na vidraça dos meus pesadelos registrados do antes
Do passado acometido

Pela tua loucura

Minha vida a girar em náuseas

 

É sua voz

Ricocheteando nas paredes

“Continue assim,

Vá em frente, amor”

É real tua falta
Caio na pílula
Sem saber se quero dormir
Caio na cafeína
Sem saber se quero ficar acordada

 

A igreja ao lado me puxa, tentando a salvação
O medo de sair
Vejo a cruz ao alto clamando ao céu o perdão

Nos jardins dos espinhos, veneno espalhado

 

Por ti seria capaz de morrer
Mas a vida grotesca não me deixa
É o silêncio aqui
O espírito fraquejando

Só tua alma a me rodear
Só teus pedaços rodando em mim

Com a alma molhada de desprazer

Eu sei

Do além a me desejar

Na forma de você.


Poesias

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