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eu dormia e sonhava
com as valsas de Liszt e de Strauss
e bailavam na minha esperança
os cânticos das ninfas azuis...
mas acordei-me com um berro
e as pernas afogadas no rubro do ferro...

quedou na leveza do meu sono
o pesar do chumbo
e o ritmo frenético de um bumbo
que fez valsar as minhas pernas em lavas
na febre ardente do mercúrio
e as arrancou como se fossem asas...

serpenteavam sarcásticas aos meus lados
nas hemácias ácidas de um sangue artificial
as correntes dos metais pesados
sonhava com valsas
e acordei com metal...

voei de um leito para um leito
de hospital
valsando às chibatadas
de um líquido relho...
saio do céu do Danúbio Azul
para o inferno de um Danúbio Vermelho


  • poema para vazamento tóxico de “lama vermelha” de uma fábrica de alumínio na Hungria, considerado o pior desastre químico da história do país.

Poesias

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