A noite era fria E lá fora o vento forte Se ouvia Em sua canção De acelerar o coração Sempre assoviando Sua melodia de horror Estava em minha cadeira Feita de madeira, Madeira velha e podre Que rangia A cada balançar que nela Eu fazia Apenas um cobertor De listras brancas e quadrados vermelhos Era que eu possuía Para aquecer meus cansados joelhos Ninguém mais a minha volta eu via Ninguém mais que pudesse De pena que se compadece Fazer-me companhia Neste meu ultimo dia Por toda uma vida A avareza me era guia Por toda uma vida Maltratar aqueles ao meu redor, Era que queria Pensei que não me arrependeria Daquele acordo Que há cinqüenta anos eu fazia Acordo com cheiro de enxofre, Acordo que com sangue foi assinado E para o abismo havia me levado Ele não queria a minha alma, Ele não queria devoção, Apenas brincar comigo Demoníaco brincalhão Porque não libera a morte Para me ceifar Deixe-me, há anos está a brincar Toma minha alma Que de nada me vale Já me tirou à calma Esse teu jogo de matar Todos que me cercam, Mas nunca me levar Agora velho e decrépito Terei que em sorte tentar Minha vida tirar E no inferno, o contrato De suas mãos arrancar Deixo-me querer viver A todo canto vagar Nem céu, nem inferno Quero habitar