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Errado
Tá tudo errado
Não se pinta mais
Os pincéis se quebram

Dissolvem-se ardis
Fica o cheiro do solvente
Ardente
Temente

A que deus ofereço minhas telas?
A quem rogo pelo sonho que me rasgaram?
Que religião dos diabos...
Macabros
Aqueles que sorriem a tristeza de teus filhos


Errado
Tá tudo errado
Não se chora mais
As lágrimas se petrificam

Endurecem os dedos
Fica o toque não sentido
Tolhido
Ferido

A que presta uma prece decorada?
A quem dedico o ódio que me plantaram?
Que orações mal dirigidas...
Retorcidas
Aquelas que oram pelo sorriso forçado


Errado
Tá tudo errado
Não se vive mais
As vontades se recolhem

Sofrem os sentidos
Fica o gosto da saída
Despedida
Pedida

A quais corações devo me dirigir?
A quem entrego as palavras que me tiraram?
Que ridículas linhas tortas...
Mortas
Aquelas que cospem seu egoísmo parido

Errado
Tá tudo errado
Não se luta mais
Os músculos se atrofiam

Debatem-se febris
Fica o tapa marcado
Inesperado
Chorado

A quem devo prender em meus braços?
A quem culpo pela fuga que me apresentam?
Que medo de viver...
Sem saber
Sem querer


Errado
Tá tudo errado
Não se quer mais
Os desejos enlouquecem

Entristecem os olhos
Ficam as lágrimas escritas
Ditas
Malditas

A quais seios entrego meus ardores?
A quem devo lamentar teus traços covardes?
Que escolhas descabidas...
Perdidas
Aquelas que se punem pelos pecados inventados


Errado
Tá tudo errado
Não se ama mais
Os pedaços se cortam

Machucam as bocas
Fica o beijo falado
Calado
Largado

A quais destinos devo voar?
A quem direciono minhas vontades mortas?
Que sombrios adoradores de Deus...
Ateus
Aqueles que usam a palavra em nome da ignorância

Comentários  

0 #1 RE: As escritas das vontades alheiasMarius Arthorius 12-09-2010 20:04
Magnífico!
E dos erros é que tiramos nosso aprendizado.
Afinal, todo erro tem sua vez, mesmo que tudo esteja errado. Pois o errado de um é o certo de outro.
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Poesias do Porão - Poesias