Houve tempos imemoriáveis
Tempos tão agradáveis
Eram dias adoráveis
Dias em que a vida
Não possuía sentido
E nenhuma preocupação
Possuíamos para com tal sentido
Apenas acordávamos
E rodávamos o mundo
Um mundo inteiro em nossas mentes
Quando não possuíamos vergonha
De ter devaneios quase delirantes
Nos recantos imaginativos
Que formavam nossas mentes infantis
Quando amigos imaginários
Eram apenas amigos dos lazeres
E não divindades pelas quais
Sacrificarmos uns aos outros
Houve tempos imemoriáveis
Tempos tão agradáveis
Eram dias adoráveis
Que com o tempo
Foram se tornando mais curtos
A realidade alternativa mental
Foi lentamente perdendo a força
Você já não pode mais brincar
Pois o dinheiro você tem que suar
Ou nenhum sonho irá realizar
Só poderá chorar
Tudo em sua mente muda
Você precisa mudar suas ideologias
Precisa se cortar
Para mais forte se tornar
Um caráter
Dizem que isto é necessário
Obrigam-lhe a ter ideologias
Crenças e sonhos de consumo
Medos em comum
Enchem sua mente com ideias abstratas
Explicam-lhe os cálculos
Explicam-lhe as estruturas das frases
Mas ninguém te diz o porquê
Mostram os bolos de conhecimento
Mas não te apresentam as receitas
Impedem-te de degustar
Os prazeres de descobrir o mundo
Houve tempos imemoriáveis
Tempos tão agradáveis
Eram dias adoráveis
Alguma coisa aconteceu
Começamos a perder nossa carona
Deixamos de ser viajantes do tempo
O Presente começa a nos ultrapassar
Vamos ficando no Passado
A sombra do esquecimento
Começa a nos congelar
Deixando suas marcas
Em nossos cabelos
Que tornam-se brancos
As unhas da morte
Lentamente começam a nos arranhar
Nas rugas que começam a se formar
Recado irreparável
De que tudo passa
E nada nunca mais voltará
Tudo que foi
Deixou de ser
Uma lembrança a desvanecer
Ainda vivos começamos a apodrecer
Células que começam a perecer
Tudo nós começamos a esquecer
Os avisos de que vamos morrer
Houve tempos imemoriáveis
Tempos tão agradáveis
Eram dias adoráveis
Com aromas agradavelmente palatáveis
Todo o sonho se desfez
As luzes se apagaram
E o show acabou
Vamos todos
Para este cubículo de madeira
Levemente acolchoada
Trancados eternamente
Na escuridão da terra
Alguns vão chorar
Nem todos irão superar
No final para os outros tudo irá acabar
E sozinhos todos vamos estar
ANTROPOPHAGYA: http://antropophagya.blogspot.com/
Comentários
Expressam bem a ideia central que tu
queria passar.
Muito bem... e sucessos!
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