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Ó verme humano, eis a sua hora
Na Terra abrem-se profundas crateras
Chamas negras irrompem-se severas
Saem agora dos covis todas as feras

Inumano bafo enegrece os dias
Ainda assim a chama negra arde
Dos abismos nascem pesadelos
Eis então o tempo da agonia


Ao lodo se arrastam
Por todo lado desolação
Nos poucos que seguem
Em olhar marcado aflora
Angústia, severa destruição


E eis que surge o momento
Tempo de dor e agonia
Vão os passos sem alento
Já não mais vive a magia
São espectros vivos
Por desertos de solidão


Mórbidos prodígios avisam
Sorve o solo a chuva rubra
Renascem pútridos irmãos


Da colheita surge a podridão
De cada fruto o verme sorri
Nuvens febris colorem o dia
De breu e frio a alma treme


A carne de teu irmão
Será teu pasto e banquete
E ferem-se de chagas a epiderme
Serpentes suspiram por todos os lugares


Os passos que se arrastam
Formam medonha orquestra
Dos não-vivos que despertam

E no cenário tétrico
Aos cantos a morte espia
Ossos recém descarnados
Aves negras revoam
Singram a estrada vazia


Não há espaço para a dor
A turba em devassa podridão
Entreolha-se indiferente
Mas a dor sibila em ais
Da estrada que não termina
Seus passos não sairão jamais

* O que deve permanecer secreto, escondido, no entanto, reaflora. (Schelling)

Poesias do Porão - Poesias

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