Longe, longe
teu ser dorme
enlameado lamê
Enrijecido sonho
de reviver
Reviver
o sol
que te cegava
a vida
Perdido ser
preso duende
nesta moringa
de vidro
Sentes a asfixia
Não me faças rir
Sem ritos, sem facas
a dormência
te prende
na semi vida ungida
Sem promessas somes
como te fostes
na lama sanguínea
da seringa
A moringa de vidro
boia a transformação
do lodo da morte
a te transformar
em ave de rapina
Não me faças rir
Não haverá voo
Não haverá vida
Lambas a morte
que te destroça a face
A que chegastes
Retorcido
numa expressão torta
só terror
Nem meu sorriso amável
levaste
Amargura de que
Desta despedida
Se já nem ouves
nem antes ouvistes
Traga-te a morte
como um cigarro
de filtro molhado
que se descarta no
caminho da sarjeta
Minha asa negra
me leva
A noite
que me chuvisca
eu mesma
em busca
de outra presa
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