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Longe, longe
teu ser dorme
enlameado lamê

Enrijecido sonho
de reviver

Reviver
o sol
que te cegava
a vida

Perdido ser
preso duende
nesta moringa
de vidro

Sentes a asfixia

Não me faças rir

Sem ritos, sem facas
a dormência
te prende
na semi vida ungida

Sem promessas somes
como te fostes
na lama sanguínea
da seringa

A moringa de vidro
boia a transformação
do lodo da morte
a te transformar
em ave de rapina

Não me faças rir

Não haverá voo
Não haverá vida
Lambas a morte
que te destroça a face

A que chegastes

Retorcido
numa expressão torta
só terror

Nem meu sorriso amável
levaste

Amargura de que

Desta despedida

Se já nem ouves
nem antes ouvistes

Traga-te a morte
como um cigarro
de filtro molhado
que se descarta no
caminho da sarjeta

Minha asa negra
me leva

A noite
que me chuvisca
eu mesma
em busca
de outra presa

Comentários  

0 #1 Fillipe 14-12-2009 23:59
Lindo poema, Angela.
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Poesias do Porão - Poesias

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