Arrasto meu esquife
E todos se afastam
E não levam os seus, crêem
Que indolência maligna persiste
Aos sábios desse aprisco?
Arrasto o meu esquife
E aplaudem lassos com tarsos
Frouxos, acodem
Como a sandália a barata repulsiva
Sem, no entanto tocá-la.
Arrasto com força
Os bebês também o arrastam
Com a ignóbil e doçura dos pomares
De Santa Tereza. Só eles são assim.
Encare isso mais como a moldura precisa
Que não há de ferir a terra
“Mas, irmão, não irá tão longe assim
Vestido para uma súplica pomposa e
Não tente acordar ancestrais forças,
Puxando tão ávido a tua carroça.”
Arrasto com ternura e um desprazer
Imperecível nas mãos de quem fica
Encalhado em trincheiras de um paço
Que nunca viu sequer uma guerra.
Arrasto o meu ataúde e
Arraste você!
Espelhe-se nos bebês
Antes que eles se esqueçam.
Sou um dos mortos
Nas dimensões que quiserem
Isto já está completo.
O Nada é minha identidade
O meu sonho de liberdade.