Vivi na época dos monges
Quando o mundo não tinha fim
Uma vida por comida
Meus ouros eram sementes
E a mente
Vazia de conhecimentos
Trocada por uma vaca
Alimento para os mais novos
Objeto para um homem imundo
Meu valor era inexato
Impura, me tornei comum
Nas vielas do priorado
Até mesmo frades me possuíram
Até mesmo Deus me abandonou
A catedral gargalhava minha insignificância
Fedida, perdida... Nociva a mim mesma
Morri na época dos monges
Vítima da minha falta de amor próprio
Vaguei pelas almas que ficaram
Habitei mentes mais fracas
Vivi coisas que não queria largar
Me expulsaram das almas
Adormeci nas trevas
Acordei poetisa... poeta... homem
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