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Liquefazendo os pulmões
Que desvanecem perante a suntuosidade
Da malévola enfermidade
Dos orifícios faciais que promovem a respiração
Assim chamados de narinas
Escorre o líquido vermelho que a vida sustenta.


Originado das profundezas deste organismo que você ostenta
Em que toda uma vida
Que foi intelectualmente enriquecida
Elevada ao máximo da natureza animal
Agora cai de sua ascensão vertical
Antes rumava ao encontro da felicidade
Agora sonhas em encontrar a inexistente deidade
Vejam, eles dizem, aí vem o demônio invisível!
Quase igual à matéria indivisível
É o demônio das sombras que se alastra
Por meio das secreções viscerais
Liberadas entre sonoridades guturais
O que se espalha é o alarmismo
Copiado por todas as pessoas tal qual um mimetismo
Poderia tal demônio causar uma possessão
Não possuiria ele alguma contenção?

Se as pessoas amam mais o desejo do que a pessoa desejada
Não poderiam elas, temerem mais o medo do que a doença aleijada?
Ah! Destruidor de corpos
Tu infectas os ambientes com o cheiro de amônia
Não sabes que a vida é uma parcimônia?
Se nesse mundo tudo gira em torno do lucro
Leve-me então para dentro de algum sepulcro
Quem dera minha liberdade fosse limitada
Apenas por minhas imposições evolutivas
Mas esta sociedade é composta por ideias de terra antiquada
Que aqui chegaram como fugitivas
Demônio das sombras que se desloca pelo ar
Como se fosse uma ave livre a cantar
Faz meu corpo contorcer-se num êxtase infernal
Meu sistema imunológico luta por um prêmio vital
As explosões de tal batalha
Reverberam em minha caverna craniana derrubando suas estalactites
Estrondo que repercute em minhas meninges causando-me constantes encefalites
Os temerosos da morte para os quais falha a respiração
Imploram por uma divina salvação
Olham para o céu buscando proteção
Esquecem-se de que o necessário está aqui no chão

Nem de baixo e nem de cima da terra virá alguma mão amiga
Esta briga já é muito antiga
Faz parte dos eternos ciclos que nas vidas deste planeta ocorrem
Desde que a complexa organização celular se iniciou
Alguns vivem e outros morrem
Muita matéria já se transformou
Contra os demônios das sombras
Cada organismo luta como pode

Seja ele Homo sapiens ou Ostracode.

 

Comentários  

0 #1 Lindo texto.Mensageiro Obcuro 15-10-2009 23:03
As rimas são bem elaboradas nesse texto tão ateísta e cético que revela os ciclos biológicos nos quais todos os seres vivos se enquadram. Gosto da narrativa sombria e profunda feita com tamanha sensibilidade e maturidade artísticas.

Demônios das Sombras é um texto longo, mas não é cansativo ou clichê, é uma obra interessante e marcante para aqueles que forem fascinados pela morte assim como eu que gosto de estudar tanatologia e qualquer coisa que fale sobre morte.
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0 #2 Marius Arthorius 20-10-2009 19:57
Fico muito feliz que tenha gostado Mensageiro! Esse é o poema mais longo que eu escrevi até o momento e é fruto de minha revolta contra diversos aspectos sociais.
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Poesias do Porão - Poesias

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