Sáb, 31 de Março de 2007 23:02
Traga-me um pouco de vida e permitirei que experimentes um pouco da morte. Ela pode parecer doce se quiseres, mas parecerá amarga se não souberes degustá-la. Toque-a com tua língua e deixe que o gosto do inferno se esparrame por tuas papilas gustativas até que o cérebro mande estímulos para que a boca deseje mais.
Deixe que a morte te abrace e mostre que o frio daqueles braços podem se misturar com o calor do teu medo. O suor escorrendo pelo canto direito da face, vai parar por alguns segundos em teu maxilar e depois pingará sobre a mortalha negra que te envolverá, trazendo-te o conforto pelo qual almejas há anos.
Traga-me um pouco de amor e eu mostrarei o ódio por esse sentimento que te agride disfarçadamente a cada dia, e que o leva para uma grande armadilha de sensações. O que o amor te traz de bom? Ciúmes, desejos frustrados, o adeus, a saudade, a vontade. O amor invade teu corpo, teu peito e tua mente sem ao menos ser chamado e sem controle, tu acabas submisso.
Deixe que a morte te ame sem limites. Deixe que o bafo pútrido sopre sobre teu ombro um instante de liberdade e individualidade, tão necessário a teu ser. Se segurardes aquelas mãos, sentirás a confiança em ti mesmo, que não tens em vida. Deixe que a morte beije tua boca e apague os momentos ruins de tua vida.
Morra...
Morra por alguns minutos ou talvez horas. Esqueça a luz e chore no escuro. Fique cego ao amor por alguns instantes e verás que é possível viver sem ele. Morra por instantes, para que vivas para sempre essa troca. Deixe que a morte lhe visite todos os dias. Sente ao seu lado no sofá da sala e beba as gotas de seu suor. Elas servem como bálsamo para curar as mágoas que a vida lhe traz diariamente.
Poesias do Porão -
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