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Coletânea de poemas bem interessantes, de Brunno Bocca: "Círculos e esferas", "Estrebuchando no caixão",  "Ao ignorante", "Um morto", "Digerindo-se", "Guardião do sangue", "Natureza canibal" e "Rasgada em purulência".

CÍRCULOS E ESFERAS

Vontade de derramar fluido de isqueiro nos olhos e atear fogo

Só para não ver a merda em que vivo

Cego e obliterado

O amor que se transforma em ódio

O ódio que me domina

A fúria rasga o meu peito e me sufoca

 

Demônios em minha cabeça

Anjos debaixo da cama

Entorpecido, satanizado

Discípulo do diabo, ou da razão?!

Analogia dos contrários

Que conspurca a perfeição.


 

 

ESTREBUCHANDO NO CAIXÃO

 Mexendo dentro da sepultura

Do caixão escuta-se batidas secas

Do suposto cadáver mexendo e tentando sair

 

Enterrado vivo

Estrebuchando no caixão

Sufocado

Semi-morto

Agonia de ser lacrado vivo na sepultura

 

O ar acaba rapidamente

Os pulmões queimam espremidos

Medo de vermes de putrefação

Que começam seus ataques famintos

 

Enterrado vivo

Estrebuchando no caixão

Sufocado

Semi-morto

Agonia de ser lacrado vivo na sepultura

 

Deu agora seu último espasmo agonizante

Morrendo sufocado...

Contorcido de desespero

Regurgitou até padecer

Agora está morto

Pronto para apodrecer...

 

 

 

AO IGNORANTE

Ratos passeiam pelo seu quarto,

Baratas lambem o seu prato

E você rumina a comida dos porcos!

 

 

 

UM MORTO

Por entre a vegetação das margens fétidas do rio

Está aquilo que parece um mendigo

A roupa rasgada, o corpo também

 

Entrementes sanguessugas alimentando-se de sangue séptico

 Distingue-se a carne azul cadavérica

Azul podre e morto colide com o verde lodoso

Viscoso que invade a carcaça

 

O abdome revela o bom e macabro trabalho realizado

O rasgo se abre em uma linha do umbigo a garganta

Vísceras saltadas para fora

Violência revelada a porrada

 

Boca escancarada, expressão do rosto inalterada

Pelo enrijecimento post-mortem cadavérico causada

Tripas encharcadas em suco gástrico não digerido

De um corte no estomago, macabro, vindo

 

Um resto mortal

Em uma poça de lama, lodo e merda afundado

De vermes incubadores de carcaça alimento

Do terror estampado, eternizado pelo fluido rigor-mortis

Um morto...

 


DIGERINDO-SE

Perto da morte

Sucos gástricos corroendo as paredes do estômago

Úlceras aumentam cada vez mais

Até perfurarem

 

Úlcera perfurada

Pingando suco gástrico nos outros órgãos

Corroendo-os também

Banhando de sangue infectado e nojento

 

A fome corrói

Vomitar apenas a bile viscosa

Suco gástrico cancerosa

 

Ácido corroendo outros órgãos

Provocando apodrecimento interno

Feridas purulentas

Bolhas de pus infeccioso infestam o corpo

 

Septicemia em processo de apodrecimento

O vermelho da infecção queima de dor

Necrose infestante

Tecido necrótico e purulento por todo o corpo

 

A infecção rasga entrada pelo duodeno

Digerindo com fome voraz

Órgão comendo a si mesmo

Auto digerindo o câncer mortal


 


 

GUARDIÃO DO SANGUE

Olhos doentes

Pedindo e implorando

 

Hum...É engraçado rasgar as suas tripas

Arrancá-las pela boca

Uma cena asquerosa...

 

Eu gosto de vê-la morta

De cada ferida seu sangue sendo derramado

 

Eu sou o senhor guardião da desgraça

E eu cuspo em sua face

Derreto o seu disfarce...

 

O ódio é tão fácil de ser sentido

E é ainda mais fácil para mim

Humanismo ledamente enganado

Instinto sangrento mecanizado

Com o peito fudido e inflamado...

Mais..sorria mais...nunca mais!

Nunca mais o prazer...nunca mais!

Roto e torto assim.

 

 

 

NATUREZA CANIBAL

A demência corrói a mente

Alimentar-se de órgãos humanos

Fazer adorável banquete

De doces sonhos insanos

Satisfaz a loucura

 

De carne servida, fria e crua

De fonte sadia e humana

Quão doce...

...tão suculenta

Que o mundo gigante preserva

 

Da Terra é o mais abundante

Alimento bravio e abundante

Ao "psico-assassino" diverte

Ver o sangue bravio e quente

Molhar-lhe o rosto inerte

 

Ver a agonia no rosto

As mãos em derradeiro espasmo

Na boca, seca, o gosto

Agarra-se a vida o asno

Enquanto, faminto, eu lhe mato

 

A fome incentiva o canibalismo

Fazer um troféu com um crânio

Não passa de mero minimalismo

Vestir sua pele fria e azulada

Sentir o seu cheiro carmim e apodrecido

 

Ouvir o chamado silencioso do morto

Conservar sua carne rancenta e podre

Guarda-la em quartos pra depois ser comida

Porque o que se sabe melhor nessa vida

É que é o alimento mais abundante do mundo

 

 

 

RASGADA EM PURULÊNCIA

Minhas gônadas forçam entrada

Cravando profundamente

Na vulva pastosa, rasgada e infeccionada

Queimando na dor agonizante da putrescência

 

Sêmem infectado

Misturado com pus

Sangue choco espirra com a estocada

Luxúria sado-masoquista

 

Seu tumor genital arranha o meu pênis

E o contato esfola os corpos

 

Dentro em minutos estará morta

É agradável matar enquanto se faz sexo,

Conservar o corpo congelado,

Para depois foder ele frio...

...Enrijecido

 

 

Comentários  

0 #1 poeminhasBOKA 02-10-2006 21:55
“Esses poeminhas foram escritos em minha adolescência, com dezesseis ou dezessete anos, em minha fase splatter. Tenho plena consciência de que não sou poeta, não tenho o menor jeito pra coisa, mas olhando em retrospectiva, achei que valia a pena publicá-los, afinal, qual é a graça de se escrever algo que ninguém vai ler? Divirtam-se:”
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Poesias do Porão - Poesias

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