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O Hospedeiro

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Escuridão sem fim, sono eterno, desencarne, morte...
Para ele, não importava a denominação, e sim, a certeza de não mais fazer parte desta dimensão, tida como pertencente aos vivos. Fora assim que se sentira logo após o acidente com o avião em que restara como o único sobrevivente e durante todo o tempo em que permanecera desacordado, pairando entre as dimensões espirituais. Mas eis que ainda não era a sua hora de deixar este plano e, involuntariamente, acabou retornando ao seu antigo e frágil invólucro terreno.
Frio, umidade, cheiro ruim. Uma leve ardência na região lombar e forte dor de cabeça. Encontrava-se deitado de bruços, rosto virado para o lado. Tentou abrir os olhos e não conseguiu. Tentou mover os braços e igualmente viu-se incapaz. Da mesma forma, ambas as pernas, assim como toda a parte inferior do seu corpo, abaixo do pescoço, também se encontravam imóveis, como se não existissem, e sem responder aos insistentes comandos enviados pelo seu cérebro.  
Um súbito desespero dominou-o, no que sentiu gotas de suor escorrerem pela testa. Tentou gritar, chamar por socorro, todavia, as palavras não saíram.
“Santo Deus!” – pensou – “O que diabos está acontecendo comigo? Onde estou e por que cargas d’água, não consigo mover músculo algum?”
De pálpebras cerradas e mergulhado no inexorável mundo das trevas, onde reinava absoluta a escuridão, como cego estivesse, ele buscou na memória a reconstituição dos fatos que invariavelmente o haviam conduzido até aquele ponto.
 
2

24 horas antes...
Biólogo renomado, botânico por vocação e mestre docente em uma universidade altamente conceituada e prestigiada, ligada às ciências naturais, ele embarcara na viagem dos sonhos de qualquer biólogo ou botânico, rumo à parte ainda inexplorada da Floresta Amazônica. Excitado ele ficava, só de imaginar-se diante da ilimitada biodiversidade de espécimes animais e vegetais daquela região, muitas das quais, desconhecidas do homem, até então, esperando apenas serem encontradas e catalogadas.
Minutos após a decolagem do aeroporto de Manaus, o sono atrasado das várias noites em que a ansiedade o impedira de dormir, abatera-se sobre ele, conduzindo-o ao mundo dos sonhos.
De repente, um forte estremecimento, aliado à brusca queda de altitude da aeronave fizeram-no acordar sobressaltado. Os acontecimentos posteriores precipitaram-se rápido demais para que ele pudesse registrá-los na íntegra. Fogo na turbina direita, gritos dos seus colegas pesquisadores, a floresta aproximando-se à aterrorizante velocidade, malas e bolsas caindo sobre as suas cabeças, máscaras de oxigênio descendo do teto e então, uma forte pancada, seguida de violenta explosão.
Medo, desespero, agonia e dor.
Escuridão novamente.

3

De volta ao presente...
Ruídos de passos e movimentação próximos fizeram-no prender a respiração. Pela segunda vez, ele tentou comunicar-se verbalmente, no que igualmente infrutífera revelou-se também esta tentativa.
O desconhecido, entretanto, aproximou-se. E, sem pronunciar palavra, esfregou uma suculenta maçã em seus lábios. Instintivamente, ele mordeu-a e, de pedaço em pedaço, devorou-a toda. Tentou agradecer àquele que certamente o socorrera após o acidente e agora o alimentava. Mas, para o seu desespero, embora conseguisse movimentar os lábios para comer, continuava incapaz de articular sons e, até mesmo, de executar simples movimentos como abrir os olhos ou mover os membros superiores e inferiores.
Uma fisgada como o inserir de uma agulha nas costas e ele, de súbito, tonteou. Uma sensação de dormência apossou-se de todo o seu corpo e novamente caiu em sono profundo. Antes, contudo, ouviu os passos do desconhecido distanciando-se, até não mais senti-lo presente.
De bruços estava, de bruços ficou.

4

Dias se passaram e a rotina manteve-se inalterável. Trevas e imobilidade, sono e dormência, dores de cabeça e ardência nas costas. Todo o tempo de bruços e, sem poder virar-se sequer uma vez, a intervalos regulares, duas ou três vezes por dia, ele recebia a visita muda do desconhecido, que sempre vinha acompanhada de alguma fruta inteira, nunca descascada ou partida.  
Nas últimas vezes, no entanto, algo o intrigara sobremaneira: os sons de passos pareciam provenientes de vários pares de pernas e não de apenas um, o que remetia há mais de um visitante, um grupo destes. Eles nunca falavam, nem o tocavam e, muito menos, o mudavam de posição. Também havia as constantes e inevitáveis fisgadas nas costas, sempre após cada refeição, invariavelmente acompanhadas das incômodas sensações de tontura e dormência, conjuntamente à indução de sono profundo.
Com o transcurso dos dias, embora não deixassem de existir, essas sensações começavam a perder gradativamente a sua intensidade habitual. Até mesmo o sono, antes tão profundo, agora parecia mais escasso.
De repente, no decorrer de um dia, como outro qualquer, ele surpreendeu-se ao conseguir descerrar os olhos e ver, pela primeira vez, o local onde estivera por tanto tempo. Uma espécie de caverna ou gruta subterrânea, tenuemente iluminada por raros e ocasionais filetes de luz da lua, que chegavam até ali, através da abertura além da entrada. A umidade e o frio que sentira, principalmente nos primeiros dias, assim como nos dois últimos, deviam-se, em grande parte, às diversas infiltrações espalhadas por todo o lugar, aliadas à espessa vegetação trepadeira que se elevava pelas paredes e teto, inclusive sob o seu corpo, estirado sobre o solo rochoso.
Um movimento fora da caverna foi captado pelos seus olhos, voltados naquela direção. Sombras assomaram-se à entrada, delineando imagens distorcidas do que julgou serem os desconhecidos chegando para mais uma visita de rotina.
Coração em disparada e adrenalina ao nível máximo, esperou para ver os rostos daqueles que o tinham salvo da morte, cuidado e alimentado até então. Tencionava agradecer-lhes e, ato contínuo, pedir-lhes ajuda para retornar à civilização. Se não pudessem conduzi-lo à sua aldeia, coisa que já teriam feito, caso possuíssem uma, poderiam, ao menos, ajudá-lo a mudar de posição, para uma menos desconfortável do que aquela em que se encontrava.
Qual não foi o seu espanto, ao divisar na entrada da caverna, no lugar de um bando de homens primitivos autóctones, uma solitária, porém, animalesca criatura, do tamanho de um cachorro de grande porte, sustentada sobre seis pares de patas e coberta de negros pêlos, presas salientes expostas e olhos amarelados.     
Como biólogo, já tinha visto, estudado, dissecado e até pego na mão infinidades de seres aracnídeos como aquele, porém, jamais imaginara que pudesse existir uma espécie de tão monstruosas proporções. Tentou gritar por socorro e sua voz ficou presa na garganta. Tentou se erguer e seus braços e pernas não obedeceram.
Em pânico, invadido por súbito medo e desespero, ele viu a abominável criatura avançar implacavelmente em sua direção.

5

Queria poder gritar, levantar e correr para longe dali ou simplesmente estar em plenas condições físicas para, pelo menos, enfrentá-la, antes de ser devorado como um mero inseto preso na teia. Mas ele não podia. Inexplicavelmente encontrava-se como corpo totalmente paralisado, o que o tornava, em relação à enorme aranha, uma presa fácil e indefesa.
E assim, deitado de bruços no chão, impotente e desesperado, ele assistiu, sem nada poder fazer, ao inevitável avanço da gigantesca criatura, até que, ao encontrar-se praticamente sobre a sua cabeça, a monstruosidade inesperadamente estacou.
Foi então, que ele a viu. Desconcertante e impensável, beirando o inconcebível, a visão da maçã, intacta, entre as mandíbulas da descomunal aranha, fê-lo arrepiar-se até o último fio de cabelo e congelar-se até a alma. A perplexidade de vê-la ali, só não foi maior do que a que sentiu ao observar a criatura levando-a até sua boca, a fim de alimentá-lo, como tantas outras vezes o fizera, naqueles incontáveis dias em que ele permanecera sem poder abrir os olhos e sem se mexer.  
“Valha-me Deus!” – pensou, compreendendo que nunca existira uma tribo de índios autóctones, como imaginara desde o princípio. Durante todo o tempo, fora ela, aquela monstruosidade que cuidara dele e o alimentara. Uma aranha gigante, negra e peluda, dotada de instintos solidários, como nunca dantes se ouvira falar.
Mas, por que um aracnídeo faria isso? Algo estava errado ali! Muito errado, pois pela lógica, não era natural. Ela deveria vê-lo como uma presa e, segundo as leis da natureza, presas não deveriam receber alimento, e sim, servir como tal! No entanto, aquela aranha, em específico, o trouxera até ali, o mantivera seguro e o alimentara durante incontáveis dias a fio, duas ou três vezes a cada ciclo de 24 horas.
 Por quê? Por quê? Por quê? Essa era a pergunta que não queria calar em sua mente. Foi quando sentiu uma comichão nas costas, que rapidamente se alastrou por todo o seu corpo, mas apenas na parte voltada para cima do mesmo, no que um súbito pensamento lhe ocorreu, enchendo-o de terror.
Lembrou-se de certa vez, quando resolvera estudar uma espécie específica de aracnídeo que para se reproduzir, buscava até encontrar uma presa, duas ou três vezes maior do que ele próprio. Ao encontrar a vítima ideal, atacava-a, ministrando uma pequena dose de veneno nela, não o bastante para matá-la, mas o suficiente para imobilizá-la. E então, arrastava-a até a sua toca, onde passava a alimentá-la periodicamente, aplicando, com relativa freqüência, novas doses de veneno, a fim de mantê-la imobilizada, enquanto que, dentro dela, milhões de ovos implantados ainda no primeiro encontro entre ambos, lentamente se desenvolviam. A presa, em questão, tornava-se um hospedeiro com dupla função: além de gerar dentro de si, milhões de novas aranhas, também serviria a elas, ao nascerem, como sua primeira opção de cardápio.
E foi assim, tão somente no microssegundo final de sua existência, que o nosso desesperado biólogo, num átimo de lucidez, finalmente compreendeu qual o seu verdadeiro papel naquela macabra encenação da vida real:
Fora compulsoriamente escalado como...
O hospedeiro!    


ilustração: Evandro Guerra


 

Biografia do autor

MÁRSON ALQUATI, 36 anos, gaúcho, natural de Caxias do Sul, casado e pai de três filhos, atualmente exerce a profissão de Técnico do Tesouro do Estado do RS, lotado no Posto Fiscal de Barracão, na fronteira com SC.

Autor de Ethernyt, A Guerra dos Anjos!

Website oficial: www.ethernyt.com

Comentários  

 
0 #1 Guardião do Estronho 16-01-2009 12:48
Eu tento ser imparcial e não comentar os contos publicados aqui. Quase não faço isso, mas não posso deixar passar em branco o seu conto.

Excelente! Além de muito bem escrito, é um tema que fascina (imobilidade). Se tiver a oportunidade de ler alguns de meus contos, verá que gosto muito disso.

Parabéns pelo conto, seja bem-vindo ao Estronho e muito obrigado pela
colaboração de altíssimo nível.
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0 #2 Muito bom!Ademir Pascale 16-01-2009 16:12
Gostei, Márson! Você escreveu de uma maneira interessante, e gostei do "24 horas antes..." e "De volta ao presente..." Você descreve muito bem os sentimentos e as dores, algo que, pelo menos pra mim e acredito que para muito leitores, agrada muito. Parabéns, a leitura do seu conto me deixou ainda mais interessado no Ethernyt. Estou ansioso para lê-lo.
Um forte abraço e muito sucesso sempre.
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0 #3 Juliano Sasseron 17-01-2009 23:29
Excelente!!!
Muito boa narrativa.
A estória nos envolve e o final é fabuloso.
Estou aguardando o seu ETHERNYT...
Sucesso.
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0 #4 Evandro Guerra 23-01-2009 12:24
Difícil elogiar um trabalho tão perfeito como este. Vou resumi-lo como: ESPETACULAR. Sei que para um escritor, elogios apenas não bastam, porque queremos e precisamos de críticas construtivas, críticas que nos ajude a evoluir; por isso além de elogios, procuramos aqueles que nos apontem possíveis erros e desconcertos. Um conto compactado como “O HOSPEDEIRO”, faz o leitor pensar: imagina um livro com a narrativa deste cara?!
O que quero dizer, é que estou ansioso para ler ETHERNIT.
Parabéns Márson.
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0 #5 MÁRSON ALQUATIMárson Alquati 02-02-2009 20:17
Dizem que na vida, devemos buscar inspiração em quem estimamos, admiramos e gostariamos de seguir o exemplo. E você Marcelo é uma de minhas fontes de inspiração, com seus maravilhosos textos e contos, de forma que sinto-me muito lisonjeado com as suas belas palavras de incentivo. Obrigado!

Um forte abraço!

Márson Alquati.
www.ethernyt.blogspot.com
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0 #6 MÁRSON ALQUATIMárson Alquati 02-02-2009 20:18
Obrigado Ademir! Você é um dos exemplos de escritor que procuro seguir, de modo que sinto-me muito lisonjeado com as suas belas palavras.
Quanto ao ETHERNYT, março está aí...

Um forte abraço:

Márson Alquati
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0 #7 MÁRSON ALQUATIMárson Alquati 02-02-2009 20:18
Obrigado Juliano! Também estou ansioso para ler o seu CRIANÇAS DA NOITE!

Um forte abraço!

Márson Alquati
www.ethernyt.blogspot.com
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0 #8 MÁRSON ALQUATIMárson Alquati 02-02-2009 20:19
Obrigado, Evandro! Pelas incentivadoras palavras e pela maravilhosa ilustração de O HOSPEDEIRO. E saiba que eu também estou deveras ansioso para ler o seu INCÓGNITO, cuja sinopse e ilustrações que tive a oportunidade de conferir deixam claro se tratar de uma excelente estória.

Um forte abraço e sucesso!

Márson Alquati
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0 #9 Grande Márson!Emanoel Ferreira 10-02-2009 19:00
Como sempre, mandando ver na qualidade. Muito bom, Márson!

Abraços,

Emanoel Ferreira - www.azyn-universo.blogspot.com
*
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0 #10 MÁRSON ALQUATIMárson Alquati 13-02-2009 17:22
Obrigado Emanoel! Fico muito grato e lisonjeado com o seu comentário.

Um forte abraço e sucesso!

Márson Alquati
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0 #11 Marius Arthorius 16-06-2009 20:25
Excelente conto. Muito bem pensada a trama, a agonia de estar imobilizado,inc apaz de reagir perante a situação.
Long live Ethernyt!
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0 #12 gadiego silvestrini 27-08-2009 07:32
Adorei cada linha desse conto. Em determinados momentos a descrição flui muito bem, sem esforço, sem apelação dramática, a circunstâcia e o ambiente já se encarregam muito bem disso, e não é necessário usar espressões cansativas e gastas comO Meu Deus, estou perdido,o que vou fazer? Muito bom. A la edgar allan poe
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0 #13 MÁRSON ALQUATI 28-08-2009 14:07
Obrigado, Marius!
Para o autor não existe melhor gratificação do que ter o seu trabalho reconhecido principalmente por aqueles que ele próprio admira!
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0 #14 MÁRSON ALQUATI 28-08-2009 14:11
Obrigado Gadiego! Fico muito feliz de saber que o meu trabalho o tenha agradado. Fico lisonjeado com a comparação, mas acho que ainda falta muito chão a percorrer e eu ainda tenho muito o que aprender e evoluir para poder chegar aos pés do grande mestre POE!
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0 #15 ótimoOlivio Vazata 05-09-2009 07:01
Muito bom seu conto, Márson. Você tem um grande potencial como escritor. Sei que vais fazer muito sucesso, o que já esta fazendo. Até mais meu grande amigo. Parabéns!
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0 #16 MÁRSON ALQUATI 09-09-2009 16:07
Obrigado Olivio. Sou muito grato por ser merecedor da sua amizade...
Um forte abraço!
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0 #17 Tânia Souza 01-10-2009 20:26
Aranhas são apavorantes, a construção desse conto, os momentos de antecipação, o constatação final, o arrepio que causa no leitor é impressionante, parabéns pelo conto, denso e de certa forma irônico, mas principalmente assustador!
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0 #18 MÁRSON ALQUATI 07-10-2009 10:55
Obrigado Tânia! É sempre bom termos nosso trabalho elogiado por colegas escritores talentosos como você!
Um forte abraço!
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0 #19 nad 30-12-2009 08:49
adorei esse conto é a primeira vez que eu leio esse conto e esse foi o que mais me fasinou amei
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