
APRESENTAÇÃO
Em 1589, o demonologista e teólogo Peter Binsfeld, fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, que supostamente seria o responsável por invocar tais pecados. O padre, que esteve envolvido nas caças às bruxas, autor de “A Confissão de Warlocks e Bruxas”, afirmou ainda que outros demônios poderiam invocar o pecado, como Lilith por exemplo.
Na Série VII Demônios, o desafio dos autores foi o de criar contos envolvendo cada um dos sete pecados, com um toque especial, preferencialmente voltado à literatura fantástica.
A série foi divida em 7 (sete) volumes, sendo um para cada demônio/pecado. Em cada livro temos um autor convidado e outros autores que foram escolhidos através de uma seleção que durou por cerca de 8 meses.
A série será publicada a partir de abril de 2012, com o lançamento dos dois primeiros volumes: inveja e gula.
A Destruição de Leviatã - gravura de Gustave Doré (1865)

Leviatã (ou Leviathan) é um monstro marinho do caos primitivo mencionado na Bíblia – é a encarnação da ordem oposta a Deus –, cujas origens remontariam à mitologia fenícia, e foi derrotado na criação, Sl 74,13-14 Tu que dividiste o mar com teu poder, quebraste a cabeça do monstro do mar. Tu esmagaste a cabeça do Leviatã, dando-o como alimento às feras do mar.
Segundo Jó 3,8 Que a maldigam os que maldizem o dia, os que sabem despertar Leviatã, feiticeiros podem despertar o Leviatã, e só no fim dos tempos Deus o destruirá definitivamente. O monstro do caos também é chamado de Raab – encarnação das águas primordiais, vencido pelo Criador. Também era o nome simbólico do Egito – ou “Dragão” – em muitas culturas o dragão encarna poderes primordiais hostis a Deus e no Antigo Testamento encarna a continuação da ação do caos que existia antes do mundo.
É um poderoso animal aquático e criatura em Sl 104, 25-26 Eis o vasto mar, com braços imensos, onde se movem, inumeráveis, animais pequenos e grandes. Aí circulam os navios, e o Leviatã, que formaste para ele brincares.;
Jó 40,25-32; 41,1-26 Por acaso você é capaz de pescar o Leviatã com anzol e amarrar-lhe a língua com uma corda? Você é capaz de furar as narinas dele com junco e perfurar sua mandíbula com um gancho? Será que ele viria até você com muitas súplicas ou lhe falaria com ternura? Será que faria uma aliança com você, para você fazer dele o seu criado perpétuo? Você brincará com ele como se fosse um pássaro ou você o amarrará para suas filhas? Será que os pescadores o negociarão, ou os negociantes o dividirão entre si? Poderá você crivar a pele dele com dardos ou a cabeça com arpão de pesca? Experimente colocar a mão em cima dele: você se lembrará da luta, e nunca mais repetirá isso! Veja! Diante dele, toda segurança é apenas ilusão, pois basta alguém vê-lo para ficar com medo. Ninguém é tão corajoso para provocá-lo. Quem poderia enfrentá-lo cara a cara? Quem jamais se atreveu a desafiá-lo, e saiu ileso? Ninguém debaixo de todo o céu. Não deixarei de descrever os membros dele, nem sua força incomparável. Quem abriu sua couraça e penetrou por sua dupla armadura? Quem abriu as duas portas de sua boca, rodeadas de dentes terríveis? Suas costas são fileiras de escudos, ligados com lacre de pedra; são tão unidos uns com os outros que nem ar passa entre eles; cada um é tão ligado com o outro, que ficam travados e não podem separar. Seus espirros lançam faíscas, e seus olhos são como a cor rosa da aurora. De sua boca irrompem tochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suas narinas jorra fumaça, como de caldeira acesa e fervente. Seu bafo queima como brasa, e sua boca lança chamas. Em seu pescoço reside a força, e diante dele dança o terror. Os músculos do seu corpo são compactos, são sólidos e imóveis. Seu coração é duro como rocha e sólido como pedra de moinho. Quando se ergue, os heróis tremem e fogem apavorados. A espada que o atinge não penetra, nem a lança, nem o dardo, nem o arpão. Para ele o ferro é como palha, e o bronze como madeira podre. A flecha não o afugenta, e as pedras da funda se transformam em palha para ele. A maça é para ele como estopa, e ele zomba dos dardos que assobiam. Seu ventre, coberto de escamas pontudas, é uma grade de ferro que se arrasta sobre o lodo. Ele faz ferver o fundo do mar como chaleira, e a água fumegar como vasilha quente cheia de unguentos. Atrás de si deixa uma esteira brilhante, e a água parece cabeleira branca. Na terra ninguém se iguala a ele, pois foi criado para não ter medo. Ele se confronta com os seres mais altivos, e é o rei das feras soberbas.
Mas no Apocalipse, escrito posteriormente, a ideia desse ser mítico serve para representar Satanás. Ap 12,3 Apareceu, então,outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças sete diademas. Com a cauda varria a terça parte das estrelas do céu. E sua imagem terrestre, a besta de sete cabeças, que representa o poder do mundo. O Dragão personifica o mal, inimigo de Deus, trata-se do egoísmo, orgulho, autossuficiência que deformam os indivíduos e os grupos sociais. Ele é sanguinário (vermelho), tem pleno poder sobre os impérios do mundo (sete cabeças e sete diademas), mas sua força é relativa e imperfeita (dez chifres). Às vezes também é retratado como crocodilo.
Ilustração de Collin de Plancy

Belzebu, termo hebraico, uma das formas do deus Baal – divindade adorada em muitas comunidades antigas especialmente entre os cananeus que o veneravam como deus da fertilidade. Na Bíblia o nome é dado aos falsos deuses. Tornou-se anátema para os israelitas no século IX a.C. , quando Jezebel tentou introduzir o culto fenício de Baal em oposição às tradições locais – no Novo Testamento é identificado como o príncipe dos demônios, Mc 3,22 Alguns doutores da Lei, que tinham ido de Jerusalém, diziam: “Ele está possuído por Belzebu”; e também: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
Certamente o povo da cidade de Acaron atribuía a esta divindade o poder de curar doentes, percebe-se isso em 2Rs 1,2,16 Ocozias caiu da sacada de seu quarto, em Samaria, e ficou ferido. Então mandou mensageiros com o seguinte encargo: “Consultem Baal-Zebub, deus de Acaron, para ver se vou sarar destas feridas”. E lhe disse: “Assim diz Javé: Uma vez que você enviou mensageiros para consultar Baal-Zebub, deus de Acaron, você não levantará da cama em que está deitado. Com certeza você vai morrer”.
Baal-zebub significa Senhor das Moscas, é um nome depreciativo que deu origem à forma Belzebu. No Extremo Oriente a mosca era símbolo da alma imaterial que vagueia incansavelmente. Mas geralmente era relacionada com doença, morte e diabo. Era muito difundida a ideia de que os demônios da doença ameaçavam os homens sob a forma de moscas. O diabo-chefe mencionado na Bíblia, que muitas vezes é representado como mosca, é a perversão da divindade cananéia. É importante na crença popular, sobretudo em palavras mágicas. Na mitologia persa o princípio do mal penetra no mundo como mosca.
Ilustração de Collin de Plancy

Asmodeus é o nome do espírito maligno que matou, nas respectivas noites de núpcias, os sete maridos de Sara, filha de Raguel Tb 3,8 Sara tinha-se casado com sete homens, porém, Asmodeu, o pior dos demônios, tinha matado cada um deles, antes que tivessem relações conjugais com ela. No Oriente antigo, doenças e morte eram causadas por algum demônio, neste caso, Asmodeus, cujo nome significa “aquele que faz morrer”.
Aconselhado pelo anjo Rafael, Tobias consegue dominar este demônio, queimando, junto com incenso, o coração e o fígado de um peixe. Tb 6, 14-17;8,2-3 Tobias, porém, respondeu: “Azarias, meu irmão, que ela já foi dada em casamento a sete homens, e que todos eles morreram no quarto, durante a noite de núpcias, quando iam se unir com ela. Ouvi dizer que foi um demônio que matou a todos eles. Eu tenho medo. O demônio não faz nada para a moça, porém mata qualquer um que se aproxime dela. E o anjo falou a Tobias: Pois preste atenção, não se preocupe com o demônio e se case com ela. Quando você for para o quarto nupcial, pegue o fígado e o coração daquele peixe e coloque-os no queimador de incenso. Quando a fumaça começar a subir e o demônio sentir o cheiro, ele fugirá e nunca mais aparecerá perto. Tobias lembrou-se do que Rafael tinha dito, pegou o fígado e o coração do peixe, que estavam na sua sacola, e colocou no queimador de incenso. O cheiro do peixe expulsou o demônio, que fugiu para as regiões do alto Egito. Rafael imediatamente o perseguiu, o pegou e o acorrentou.
Provavelmente Asmodeus tem sua origem no zoroastrismo persa (onde aesma significa “espírito mau”). O judaísmo o transformou no rei dos demônios, entendendo-o como exterminador (hishmid) por excelência.
"A queda de Lúcifer", ilustração de Gustave Doré

Lúcifer o termo provem do latim lux (‘luz’) + fero (‘levar’) ‘portador de luz’. Na mitologia romana, Lúcifer é o equivalente grego de Fósforo ‘o portador da Aurora’.
Este conceito manteve-se na antiga astrologia romana na noção da estrela matutina contraposto à estrela vespertina ou o vésper, nomes estes que remetiam ao planeta Venus, que em certa época do ano se pode ver no horizonte antes do amanhecer ou após o entardecer.
A primeira vez que o nome de Lúcifer é citado é em um texto do profeta Isaías (Is 14,12-14), para designar, o termo astro brilhante. Este texto aparentemente falava de um rei não crente, mas os Pais da Igreja viram neste, o antigo relato do anjo caído: Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações. Tu dizias: Escalarei os céus e erigirei meu troco acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembleia, no extremo norte.
"Filho de homem, entoa um cântico fúnebre sobre o rei de Tiro e diz-lhe: Assim diz o Senhor: Eras o selo de uma obra mestre, cheio de sabedoria, acabado em beleza. Em Éden estavas, no jardim de Deus. Toda a sorte de pedras preciosas formavam teu manto: rubi, topázio, diamante, crisólito, pedra de ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda; em ouro estavam lavrados os tamborins e flautas que levavas, prontos desde o dia de tua criação. Querubim protetor de asas despregadas tinha-te feito eu, estavas no monte santo de Deus, caminhavas entre pedras de fogo. Foste perfeito em sua conduta desde o dia de tua criação, até o dia em que se achou em ti iniquidade. Pela amplitude de teu comércio encheu-se teu interior de violência, e tens pecado. E eu te degradei do monte de Deus, e te eliminei, querubim protetor, de no meio das pedras de fogo. Teu coração pagou-se de tua beleza, tens corrompido tua sabedoria por causa de teu esplendor. Eu te precipitei em terra, te expus como espetáculo aos reis. Pela multidão de tuas culpas pela desonestidade de teu comércio, tens profanado teus santuários. E eu tenho tirado de ti mesmo o fogo que te devorou; reduzi-te a cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te olhavam. Todos os povos que te conheciam estão pasmados por ti. És um objeto de espanto, e tens desaparecido para sempre."
Ainda assim, segundo alguns mitos hebreus não bíblicos (isto é, que não pertencem ao corpus da Bíblia propriamente dita) Lúcifer era um anjo muito formoso que por soberbia se rebelou contra Deus, querendo ser como Ele, e foi expulso do céu pelo exército do Arcanjo Miguel como castigo, junto com o exército de anjos rebeldes que arrastou consigo, sendo desde esse momento reconhecido como um Anjo caído. Relatos que consequentemente adotaria o cristianismo:
Ap 12, 3-4 "E apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e sobre suas cabeças sete diademas. Com a cauda varria a terça parte das estrelas do céu e precipitou-as sobre a terra."
Ilustração de Collin de Plancy

Belphegor (ou Baal-fegor) é um demônio das descobertas. Seduz através de inventos engenhosos que supostamente proporciona riquezas. De acordo a demonólogos do século XVI, seu poder é mais forte em outubro. Seu trabalho foi espalhar discórdia e guiar aos homens para o mau através de promessas de bens terrenos.
Belfegor originou-se na Assíria como Baal-pior. Num 25,1-5 Habitando os israelitas em Setim, entregaram-se á libertinagem com as filhas de Moab. Estas convidaram o povo aos sacrifícios de seus deuses, e o povo comeu e prostrou-se diante de seus deuses. Israel juntou-se a Belfegor,, provocando assim contra ele a cólera do Senhor: Reúne, disse o Senhor a Moisés, todos os chefes do povo, e pendura os culpados em forcas diante de mim, de cara para o sol, a fim de que o fogo de minha cólera se desvie de Israel”. Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vós mate os seus que se tenham juntado a Belfagor”. A pena é legal, a execução é pública como lição. O castigo consistia em empalar numa pica, documentado em relevos assírios.
Sl 105, 28-29 Aderiram também a Baal de Fegor, comeram as vítimas oferecidas a deuses sem vida. E o provocaram com seus crimes, uma peste irrompeu entre eles.
Os 9,10 Encontrei em Israel como cachos de uvas no deserto, vi os vossos pais como os primeiros frutos da figueira. Porém eles foram até Belfegor, se consagraram à vergonha e se tornaram abomináveis como as coisas que amavam.
Belfegor (O senhor da abertura) é descrito como um forte demônio com aspecto atlético, de vários metros de estatura, chifres de carneiro, de aspecto humano que muda nas pernas, já que em vez de pés possui enormes patas de lobo.
De acordo com a lenda, Belfegor foi enviado do Inferno à Terra por Lúcifer para averiguar se existia a felicidade conjugal. Tais rumores tinham chegado aos demônios, mas eles sabiam que as pessoas não estavam destinadas a viver em harmonia. Não obstante, as experiências de Belfegor no mundo cedo lhe convenceram de que tal rumor não tinha fundamento.
O nome do deus e de uma localidade é Ba’al Pe’or, ou seja, nome genérico e título local da divindade cananéia. Daí deriva a forma simplificada Baal-fegor e logo Belfegor.
Ilustração de Collin de Plancy

Mammon é um termo utilizado no Novo Testamento para descrever a abundância ou avareza material. Mammon é filho de Lúcifer e príncipe dos Infernos.
Mammon é uma palavra de origem aramaica, significa "riqueza", mas tem uma etimologia confusa; os eruditos têm sugerido conexões com o verbo "confiar" ou um significado da palavra "confiado", ou com a palavra hebreia "matmon", significado "tesouro". Também se utiliza em idioma hebreu como palavra para simbolizar "dinheiro".
Na Bíblia, Mammon se personifica como símbolo das riquezas, os Evangelhos de Lc 16,13 e Mt 6,24 citam a mesma frase: Nenhum empregado pode servir a dois senhores, porque, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. Ou Mammon, o deus do dinheiro.
Em algumas traduções encontra-se como “abundância desonesta” ou equivalente. Em algumas versões traduz-se como "Mamon", mas em outros, como "Dinheiro".
Ilustração de Collin de Plancy

Azazel é o nome de uma entidade demoníaca. Sua origem é Idioma hebreu e significa "a cabra de emissário", ou "bode expiatório" exposta em Levítico 16:8-10, e que não volta a ser mencionada em nenhuma parte mais da Bíblia hebraica. Origina-se de duas palavras de raiz, aze, significando a cabra, e azel, significando a saída. Outra possível origem do nome é que seja um derivado das palavras hebraicas az, que significa áspero, escarpado, e o, poderoso ou luminoso (há que indicar que este sufixo se aplica a quase todos os anjos, e à boa parte dos anjos caídos); em tal caso seria uma alusão à montanha desde onde se jogam as cabras para seu sacrifício.
Este nome é mencionado no livro apócrifo de Enoch (ou Henoch), e mais tarde na literatura judaica. De acordo ao Enoch, Azazel era o líder de um grupo de anjos caídos que copulavam com mulheres mortais, dando origem a uma raça de gigantes. Azazel é particularmente significativo entre esse grupo porque foi ele quem ensinou aos homens como forjar as armas de guerra, bem como ensinou às mulheres como fazer e utilizar os cosméticos.
O nome Azazel encontra-se na Bíblia em Levítico 16,8, 10, e 26, mas não se enumera como uma entidade ou espírito, senão como cerimônia, que consiste em enviar ao bode expiatório para vagar no deserto junto com outra cabra à qual se sacrifica ante a Deus, depois o Azazel conduz-se para as fora do deserto e liberta-se como prova de que não há mais culpa na comunidade.
Lv. 16 Deitará sortes sobre os dois bodes, uma para o Senhor e outra para Azazel – trata-se de dois pequenos objetos atribuídos arbitrariamente a cada um dos bodes, que se jogam à maneira de dados, ou que se tiravam de um bolso ao azar. Azazel designa um ser maléfico, que se supunha morar no deserto.
PROJETO GRÁFICO
As cores das capas representam cada pecado. Existem algumas divergências quanto ao uso de cada cor, por parte dos pesquisadores e místicos. No entanto, escolhemos para a série, a combinação de cores que tem maior número de "defensores".
Baixe aqui o arquivo de degustação do Volume 1 (Inveja-Leviathan)
BOOKTRAILER
AUTORES DO VOLUME 1 - INVEJA/LEVIATHAN
AUTORES DO VOLUME 2 - GULA/BELZEBU
AUTORES DO VOLUME 3 - LUXÚRIA/ASMODEUS
AUTORES DO VOLUME 4 - SOBERBA/LUCIFER
AUTORES DO VOLUME 5 - PREGUIÇA/BELPHEGOR
AUTORES DO VOLUME 6 - AVAREZA/MAMMON
AUTORES DO VOLUME 7 - IRA/AZAZEL