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O Céu Aberto na Terra: Uma leitura dos cemitérios de São Paulo na Geografia Urbana
Eduardo Coelho Morgado Rezende

A presente dissertação é fruto de um estudo contínuo que foi desenvolvido na área cemiterial, desde o tempo do bacharelado em geografia (1995).
No referido período, o foco desse estudo foi o uso sócio-espacial do cemitério e ficou restrito ao cemitério popular (o de Vila Formosa, em São Paulo).
Nesta ocasião, surgiu a preocupação com a localização dos cemitérios de São Paulo, os critérios de instalação das necrópoles e já se percebia uma relação entre a expansão da metrópole e a instalação estratégica de alguns cemitérios.

Naquele momento, o cemitério foi tratado como uma espécie de limite da urbanização, ou seja, o cemitério era sempre o último ponto do vetor de expansão da metrópole.
Do ponto de vista da instalação das metrópoles, também se levantou a hipótese de a questão ambiental (higienismo) ter influenciado na localização dos cemitérios, caso que agora, na dissertação, pode-se constatar que apenas serviu de álibi para retirar da Igreja o poder sobre os cadáveres.
O caso do Cemitério da Consolação ilustra bem esse fato; enquanto se pensava que sua instalação era de caráter simplesmente ambiental (controle da contaminação do ar, via miasmas pútridos), o que ocorreu foi uma disputa entre os liberais e a Igreja católica, além dos interesses dos loteadores, que o desviaram do lugar inicialmente projetado para a construção, o Campo Redondo (atual Praça Princesa Isabel, no bairro da Luz).
A questão do cemitério, como limite da expansão urbana, pôde ser melhor investigada a partir da leitura do artigo do geógrafo Uyvão Pegaya, intitulado “Um Estudo Geográfico dos Cemitérios de São Paulo”. Nele o autor discorre sobre a possibilidade da existência de interesses privados na instalação dos cemitérios e, para isso, lança a hipótese de que a doação de terrenos para cemitérios não era tão desprovida de interesses, como num primeiro momento aparenta ser.

A partir desse ponto, foi pesquisado e verificado que essas doações faziam parte das estratégias de grandes proprietários de terra, para valorizar as áreas envoltórias do futuro cemitério.
Ao pesquisar os vários momentos históricos em que iam surgindo os cemitérios paulistanos, apurou-se que as soluções para o problema do sepultamento nunca conseguiram abarcar a todos e resolver a questão.
 
Editora necropolis
 

Literatura - Escritores Brasileiros

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