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As fadas voavam em sua dança entre as flores e as árvores de um enorme jardim, um jardim florido e bonito tão vasto que não podia se vir seu fim olhando para o horizonte.

E deitada sobre as flores uma garota humana dormia, respirando suavemente.

— Acorde Beatriz, acorde, pois você já está em nosso jardim.

Disse uma das minúsculas fadas em seu ouvido, fazendo com que a garota despertasse e se levantasse de entre as flores, vestindo seu vestido de seda lisa da cor azul celeste. Beatriz coçou seu olho e ainda meio sonolenta olhou para aquela fada.

— Ah é você Lírio Campestre? Novamente adormeci enquanto fazia minhas tarefas?

Disse Beatriz à fada.

— Desta vez a culpa é minha, tive que lhe chamar para me despedir, estamos indo embora de seu mundo.

— Indo embora, mas por quê?

— Esse mundo está condenado, não há mais como evitar a vinda daqueles que irão destruí-lo. O tempo está prestes a se esgotar.

— Me explique, por favor, Lírio Campestre não entendo...

— Você sabe que nós fadas somos os sonhos que os anjos tiveram, assim como os anjos são os sonhos que Deus um dia teve, e graças a isso há uma conexão entre nós. Beatriz, os anjos estão abandonando a guarda de seu mundo eles estão partindo.

— E o que isso significa?

— Está chegando o dia em que o de pior que existe no inferno irá vir para esse mundo, “ele” se libertará das suas correntes e andará livre pela Terra e graças a “ele” os outros que estão no inferno também poderão sair.

— Então eu e todos da Terra estamos em perigo?

— Acho que há uma chance, existe um anjo que não abandonará a Terra, ele está adormecido em seu interior, o Anjo de asas negras e brancas que você vê em seus sonhos...

Beatriz era conhecida em sua cidade como “doidinha”, desde criança ela afirmava poder ver e ouvir coisas, seus pais a levaram a vários especialistas em traumas psicológicos e nenhum conseguiu curar ela por assim dizer.

Ela afirmava falar com fadas e seres mágicos e é obvio que a escola não era um lugar agradável para ela, embora fosse uma garota de bela aparência ela assustava a todos que a conheciam principalmente depois de seu último contato com as fadas.

— Estamos condenados, o dia está chegando!

Era o que ela ficava repetindo a todos, incessantemente todos os dias depois de ver Lírio Campestre pela última vez.

— O dia está chegando, 31 de outubro de 2012, nesse dia nosso mundo irá ruir e nós morreremos.

Beatriz tentou avisar a todos, mas ninguém acreditava em suas palavras. Quem acreditaria em alguém que diz ter recebido uma mensagem das fadas de que o inferno iria vir a Terra em 2012?

Era o dia primeiro de janeiro de 2012 quando ela recebeu a mensagem, e já era primeiro de outubro e ela havia desistido de tentar avisar as pessoas, e resolveu esperar a morte que viria em menos de um mês.

E numa noite enquanto dormia ele conversou com o Anjo de asas negras e brancas que adormecia dentro de seus sonhos.

— Porque está tão aflita minha doce Beatriz? disse o Anjo.

— Eles não me ouviram, fui a única a receber a mensagem e nada posso fazer, os dias da Terra estão no fim e me sinto impotente.

— Mas nunca foi sua a missão de salvar o mundo e se fosse Deus lhe daria as armas e a força necessárias para isso, você só recebeu a mensagem porque tem o dom de ver aquilo que para os outros é invisível, não se condene por algo que não poderia ser evitado desde o princípio.

— Mas Anjo, se até os seus irmãos e seu Pai nos abandonaram, o que pode a humanidade fazer para impedir que “ele” venha e destrua a Terra?

— Creio que nada podem fazer, mas não se preocupe linda Beatriz, eu não deixarei que nada de mal aconteça a você.

— Você existe apenas em meus sonhos e temo que realmente seja só isso...

— Sonhos são reais, acredite nisso e me espere.

E foram nessas palavras que Beatriz se apoiou, e manteve uma pequena esperança dentro do seu coração.

E o dia chegou 31 de outubro de 2012, nesse dia os planetas se alinharam não só os de nossa galáxia, mas os de todas as outras galáxias e assim como os planetas as galáxias também se alinharam e isso gerou uma energia espiritual tão grande que fez com que “ele” se libertasse das correntes que o prendiam no inferno.

— Finalmente livre! foi o grito que percorreu todo o inferno, e os demônios já sabiam “hora da festa!”.

E os céus de toda Terra se escureceram e um enorme som de trovão ensurdeceu as pessoas de até mil quilômetros ao redor de onde foi aberto o portal que ligou o inferno ao nosso mundo.

E entre vários demônios que saiam e se alimentavam da carne daqueles que estavam por perto, surge “ele” conhecido por todos como Lúcifer, estrela da manhã, aquele que era o anjo mais belo dos céus.

— Depois de milênios esperando, finalmente me libertei e posso vagar livre por ai, e me distanciar dessa escória repugnante que são esses demônios, e de uma vez por toda sucumbir o trono de Deus e pisar nos destroços que sobrarão.

Lúcifer era de uma aparência bela, tão bela que encantava até aos anjos, mas graças ao mal que havia em seu coração, seu rosto se deformava e voltava ao normal no decorrer que ele falava e se movimentava, ora belo ora monstro, pois o pecado não é possível esconder atrás da beleza.

Ele parou e pode sentir que os anjos haviam abandonado a guarda da Terra e gritou esperando que de onde eles estivessem pudessem ouvir.

— Abandonaram os homens a própria sorte? Onde está você e seus anjos?  Está me ouvindo Deus? Estou aqui na Sua criação no seu trono e pisarei sobre ele e mesmo assim não está aqui para protegê-los?

E de longe estava Beatriz e sentia tudo que estava acontecendo, os demônios estavam rapidamente se espalhando pela Terra.

E ela ainda não havia visto o Anjo, sentiu que toda a esperança seria em vão.

Então de um clarão do céu ela viu e ouviu.

— Eu disse que viria Beatriz, quando eu falo contigo é pra você acreditar!

Da luz surgiu ele, o Anjo de enormes asas negras e brancas.

— Então a Terra está salva agora? perguntou ela para o Anjo.

O Anjo olhou para ela com um olhar triste.

— Sinto por aqueles que você ama, mas não é a Terra a que vim salvar, o inferno já está aberto e Lúcifer liberto, é impossível que demônios coexistam com os humanos, eu só posso salvar você.

— Como Deus pode permitir isso?

— Ele tentou de tudo, mas o próprio ser humano o ignorou e o tempo se esgotou, mas venha comigo posso salvá-la e quem sabe recriar uma civilização em outro lugar.

— Não Anjo, sou dessa civilização, essas são as pessoas que amo, então eu morrerei aqui com eles.

— É isso que deseja? Então ficarei aqui com você e lutarei essa guerra perdida.

E o Anjo a pegou em seu colo, e ele derramou uma lágrima. Não uma lágrima de emoção e sim uma lágrima de tristeza, pois já sabia, estavam todos mortos.

 

Comentários  

+2 #1 RE: CatastrofismoMarius Arthorius 31-07-2010 19:29
Quando li esse conto lembrei da obra A Divina Comédia de Dante Alighieri, primeiro pelo sobrenome do autor Vergílio, que lembra Virgílio, que acompanhou Dante no Inferno. Após, pela personagem Beatriz, que era o nome da amada de Dante, juntando tudo com o Inferno e Lúcifer. Muito interessante.
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0 #2 RE: Catastrofismodiego alves 31-07-2010 21:15
Noss cara, nem conheço a historia, sério que é tanta coisa assim parecida, srrs, tenho que ler
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