Clara estava tão feliz! Planejou seu baile nos mínimos detalhes durante meses a fio. O salão ficou como ela tinha sonhado, todo prata, róseo e branco, com rosas espalhadas por todo lado. Seu vestido ficara deslumbrante e modelou o corpo que suou na academia do prédio por sete meses só para estar bem naquela noite.
Mas o melhor de tudo era ele. Klaus. Uns olhos tão negros e profundos que a puxavam para dentro deles enquanto eles dançavam aquela valsa interminável. Que não acabasse nunca, pensava. As mãos frias em contato com a pele exposta pelo decote nas costas do vestido lhe davam arrepios, mas ele era adorável!
Ele parecia um sonho. Diria isso às suas amigas na manhã seguinte, mas aí lembrou que não poderia. Angélica e Laura estavam inertes, uma sobre uma mesa e outra jogada numa cadeira. Olhou rapidamente em volta, não queria tirar os olhos dos dele. Não havia mais ninguém dançando. Ou vivo.
Carlos, seu irmão parecia dormir e a mancha de sangue em seu colarinho parecia vinho. Até mesmo os músicos estavam mortos, a valsa interminável estava apenas em sua cabeça.
Que importava? Ela tinha sonhado tanto com ele, chamou-o noites sem fim e enfim ele veio, o ser maravilhoso que viu num grimorium, e veio na noite mais importante de sua curta vida. Que importava se os outros estavam mortos? O seu Klaus estava com sede, precisou beber deles.
Não fazia mais diferença.
— Minha Clara. — ele lhe sussurrou.
Ela estremeceu quando seus braços a apertaram mais forte, os dentes afiados penetraram na pele fina do pescoço. Clara só conseguiu agarrar-se mais a ele.
— Que não acabe nunca. — ela desejou.
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Legal-legal, Lucélia!
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