Acomodado como uma ave de rapina, observava o vai e vem do povaréu desnorteado pela proximidade dos feriados de final de ano. Para ele a preocupação com os dias e noites era uma inutilidade e imaginar a sensação de almejar o aconchego de amigos e familiares, uma impossibilidade. Aquelas pessoas eram apenas seu alimento e há muito tempo ele não ponderava mais sobre a vida ou a morte. O cotidiano o enfastiava em sua repetição simplória e desinteressante. Ele sabia que lhe cabia apenas perpetuar a sina, a franquia da sede eterna. Uma revoada certeira sobre a presa, o silêncio entrecortado pelo grito abafado e o jorro de sangue abocanhado na mordida faminta. Somente outro dia qualquer. Vampiros não lastimam ou filosofam; vampiros apenas existem.
Comentários
Assine o RSS dos comentários