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As primeiras estrelas salpicavam o céu invernal, onde a lua, amarela e baixa, brilhava sobre as cabeças das pessoas como um móbile obsoleto no bercinho de um bebê crescido. Ignoravam, sem culpa, aquela pintura da natureza. Mas não eu. A lua sempre foi, secretamente, a minha segunda paixão. A primeira era aquela grande e pálida estrela que está sempre ao norte (no meu caso). E, como tal, me hipnotizava de uma forma impar. E foi ao atravessar a rua, admirando aquela bela lua, que tudo aconteceu. Lembro-me vagamente de ter pensado, antes que meu pé tocasse o asfalto: “Hoje seria um belo dia para morrer”. E segui. Enquanto atravessava, escutei aquela buzina prolongada de caminhão, como se o próprio veículo gritasse, anunciando um possível acidente. Em seguida, o chão se abriu aos meus pés, a noite esfriou brutalmente e ficou enevoada, densa. E eu caí. Fui caindo e caindo, sem consciência de como e onde caía. E me passou mil coisas pela cabeça. E eu só sabia que caía. E então, como se tivesse pulado de bungee jump, subi muito rápido.

Afasta!”, eu ouvi muito distante, enquanto sentia meu corpo suspenso por uma corda elástica e invisível. E tornei a cair, aquele repuxo no umbigo que gela o estomago me tomando de assalto. “Aumenta!”, eu já não distinguia se a voz pertencia a um homem ou a uma mulher, apenas subia e descia como um ioiô humano, suspenso pelo único fio que me ligava à vida. E desci de vez. O ultimo pensamento que lembro ter me ocorrido quando isso aconteceu, foi: “Só se é possível valorizar o que se tem exatamente quando se perde”. E me arrependi de ter achado aquele um bom dia para morrer.

Comentários  

+5 #1 RE: AcasocídioAlessandra 11-10-2010 19:37
Fabuloso!!! :-)
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