É madrugada e ele está escrevendo o último capítulo do seu 13º romance, quando ela – pálida, de camisola e cabelos soltos – assoma à porta do pequeno escritório. Silenciosamente, caminha até a poltrona em frente, senta-se e fica olhando ternamente para ele...
Ele finge ignorá-la no começo, mas a sua presença o perturba e ele não consegue mais escrever.
“Saia daqui!”, diz ele encarando-a com os olhos chamejantes.
Ela apenas sorri; depois murmura:
“João, eu te amo tanto!...”
Num ímpeto, ele levanta-se na intenção de pegá-la pelo braço e expulsá-la dali. Mas desaba sobre a cadeira, acabrunhado: às vezes, se esquece de que a esposa está morta – pois não foi ele mesmo que a matou, um ano atrás, com dois tiros na cabeça?
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