Banner
(2 votes)

Foi a última vez que ela o chamou assim. Enquanto limpava o sangue do rosto, arrancava o derradeiro pedaço das carnes dilaceradas dela. Vagabunda! Como ela se atrevia a chamá-lo assim?  Quem, afinal, a vadia pensava ser? Terminado, sentou-se ao lado do que, talvez com muita atenção, pudesse ser identificado como um cadáver. Com as mãos ensanguentadas tirou o maço do bolso e acendeu o cigarro. Tragou, sabor de nicotina e sangue, sabor tão apreciado. Desistira da ilusória esperança de largar o vício.  Este, não o outro. O outro, o que a fizera defini-lo com a palavra que tanto o provocara, nunca quisera abandonar. O outro vício não era um vício, era uma necessidade.  Uma fome imensa que não podia ser saciada com comida, uma sede profunda e doída. Algo que irrompia de seu mais íntimo eu, atac ando e devorando o que o seduzia.  Como a vagabunda, que, agora, nada mais era do que restos e sangue. Perturbado? Perturbado é a puta que pariu!

Comentários  

+1 #1 RE: Vício (miniconto)Matheus A. Francisco 24-04-2011 14:06
haha, bom texto.
Citar

Contos Estronhos - Minicontos

Facebook Page: estronhobook Twitter: estronho YouTube: EditoraEstronho

Do mesmo autor...

Banner
Nós temos 298 visitantes online