A luz fraca da chama daquela vela solitária era o motivo real para que Ariosto, o menino dos Lars, não sucumbisse ao medo. As sombras no seu quarto pareciam saltar das paredes e dos recônditos mais escusos, mas ainda assim, o pequeno insistia que estaria seguro se ela permanecesse acesa. A mãe nunca se permitiu apagá-la, ela era trocada sacramente todos os dias. Boyd, o filho mais velho, não temia a noite; sentia-se seguro nas sombras, não acreditava que algo pudesse se esconder nelas.
Boyd implicava com o irmão e naquele dia tomou uma resolução...
- Ocultar-me-ei na penumbra e quando mamãe sair do quarto, Ariosto vai ter que enfrentar de uma vez por todas o seu medo.
A certa hora da noite, Boyd que estava escondido atrás da porta, viu o irmão ser tomado pelo sono, porém este também foi entorpecido, decidiu sentar na poltrona e adormeceu. À meia noite, Boyd foi desperto com um chamado sib ilante e insistente.
- Boyd, Boyd, acorde, vamos continuar com a brincadeira!
Boyd acordou assustado e olhou para o irmão que dormia incólume em sua cama e então a viu...
Sentada na cama do irmão estava uma criatura deformada, com um olhar tenebroso. Sua pele era enrugada, seu nariz odunco saltava da face. A coluna, curvada, as mãos grandes, cobertas de unhas enormes e negras. A boca, esboçava uma risada nefasta e a voz, de uma doçura como a de uma criança... A criatura profana olhou para Boyd, enquanto passava a unha mórbida sobre a face de Ariosto, ela sorria segurando a vela, e então sentenciou: - E então, apago eu, ou você?
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