Sáb, 07 de Janeiro de 2012 13:41
Escrito por Mauro Alves - São Gonçalo, RJ
Sentado à varanda, o ex-combatente da Segunda Guerra Mundial fez um rodopio com sua cadeira de rodas em direção a entrada de seu bangalô, pedindo ao neto para que o levasse para dentro. Era um senhor de oitenta e sete anos, mas, apesar da idade e das pernas amputadas pelos nazistas, ainda era forte e musculoso como um tigre – embora, o que mais chamava a atenção de seu neto, era o uniforme antiquado da Força Expedicionária Brasileira que ele usava TODOS os dias... incluindo o capacete balístico.
Os olhos do garoto sempre se iluminavam quando via o Sr. Vascolli com aquele uniforme. Por isso, resolveu ajudá-lo a entrar na casinhola.
— Depois de longos e cansativos dias trabalhando nesse projeto eu pude finalmente terminá-lo — O soldado Vascolli disse sentado implacavelmente na cadeira de rodas enquanto seu neto lhe empurrava. — Finalmente eu tenho a chance de acertar as contas com aquele desprezível ditador alemão!
Os poucos pêlos nos braços do garoto se eriçaram.
— Desculpe vô, mas o que o senhor está querendo dizer com isso? Todos sabem que Adolf Hitler morreu em 1945... Não há como mudar a ordem das coisas.
— Eu sei filho, eu sei. Mas isso não quer dizer que eu não possa encontrar com ele no inferno para exigir as minhas pernas de volta! Antes disso, preciso fazer algo de nocivo para ganhar passe livre pra lá... E é aí que tu entras. Agora continue empurrando, sim?
— Senhor, eu não entendi...
O velho soldado deu um sorriso biruta como se houvesse um fio desencapado dentro de sua cabeça... Ou como se ele tivesse tramando algo...
Eles atravessaram um corredor que possuía os moldes de um Y. Tomando o caminho à esquerda desse corredor em ípsilon (com paredes de pequena espessura) havia uma porta vermelha com maçaneta de bronze. Cravad o no centro desta porta vermelha, era vista à inicial da F.E.B. estampado em traços muito bem realçados. Aquilo fez o garoto pensar: "Carácolis, o que o Sr. Vascolli esconde neste compartimento? E que cheiro de enxofre é esse?"
A resposta para sua pergunta chegou rápido.
Seu avô girou a maçaneta de bronze da porta e, em meio a uma invasão de produtos fumígenos... Houve-se a explosão.
A casa inteira veio a baixo.
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