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É engraçado como as coisas acontecem. Como uma série de coincidências pode mudar o rumo, ou causar o fim, da sua vida.

Meu nome é David Brown, um jovem comum de dezenove anos. Faço Ciência da Computação em uma faculdade bem conceituada do Texas, tenho poucos amigos e nenhum dinheiro, como era de se esperar. E também não tenho namorada, como também era de se esperar quando se é um nerd como eu.

Uma noite, entediado em casa (tinha acabado de rever minha coleção de DVDs de Star Trek), dando uma olhada em sites na internet e sem encontrar nada interessante, resolvi criar um blog, só para me distrair um pouco. Criei uma página sobre conspirações alienígenas, escrevendo sobre qualquer coisa que se passasse pela cabeça na hora.

No fim da noite, alienígenas invasores de corpos haviam tomado políticos importantes para preparar a invasão da Terra. Todas as informações me eram passadas por um informante, o “Sr. X”, um ex-militar que havia servido na Força Aérea e já tinha visitado a Área 51. Claro que criei algumas páginas do Sr. X nas redes sociais, para dar maior credibilidade ao blog. Falta do que fazer é um problema sério.

Uma semana depois, começaram as provas na faculdade, e deixei o blog de lado. Acabei esquecendo completamente dele. Era só um site idiota criado numa noite tediosa afinal.

Até que eu recebi um e-mail.

Ele vinha de um cara que se intitulava MK, um desses ufólogos hippies que escrevem revistas alternativas sobre o assunto. MK me parabenizou pelo blog, e queria trocar informações. Bom, eu não tinha mais o que fazer, as provas já haviam acabado, então, porquê não?

Comecei as discussões com ele, e atualizava o blog com certa regularidade. Agora os alienígenas eram parasitas neurais e a invasão já havia começado. Uma pessoa infectada poderia ser reconhecida pelos olhos, que brilhavam contra a luz, como nos gatos.

Minha página na internet ultrapassou a casa dos 500 acessos diários, e comecei a receber vários seguidores no twitter. Até recebi propostas de mulheres querendo me conhecer!

Mas foi aí que as coisas se complicaram.

Era mais uma noite como outra qualquer. Pipoca, maratona Star Wars, alguns seriados na tv, e depois computador. Fazia uns dois dias que eu não encontrava o MK online, o que era estranho. Parecia que ele vivia na internet.

Por volta das dez da noite, Spock, meu cachorro, começou a latir feito louco. Já faziam umas semanas que ele estava com essa mania de latir para o nada, mas ficava quieto depois de um tempo, então não dei muita importância. Devia ser algum gato ou coisa parecida. Em pouco tempo ele parou de latir.

Depois de alguns minutos, ouvi passos na escada, vindo na direção do meu quarto. Levantei, fui até a porta falando: “Mãe, eu preciso mesmo de um adiantamento da mesada...” enquanto abria a porta, mas dei de cara com um bastão de madeira vindo na direção do meu rosto, e apaguei.

Acordei um pouco depois, sentado numa cadeira, as mãos amarradas para trás, os tornozelos também amarrados, e um líquido viscoso espalhado pelo rosto, que eu acho que era meu sangue. A sala estava toda escura, com exceção de um pequeno facho de luz que descia sobre mim. Parecia uma daquelas salas de interrogatório de filmes policiais.

Olhei em volta, e percebi que não estava mais em casa. Então gritei:

- Tem alguém aí? Onde é que eu estou?

De repente um punho gigantesco saiu do escuro, e me acertou do lado do rosto com força. Meu ouvido começou a zumbir, e um ou dois dentes caíram no chão.

- Eu é que faço as perguntas aqui Sr. Brown.

Um homem saiu da escuridão e parou na minha frente. Ele vestia um terno bem cortado, que parecia ser muito caro, mas seu rosto continuava oculto nas sombras.

- Nós queremos saber onde está o Sr. X. Esperamos que você possa nos dar essa informação.

- Sr. X? Ele não existe, é só uma invenção minha!

- Não existe? Mas no seu blog está escrito que suas informações vinham do Sr. X. Como você recebia essas informações?

- Eu inventava! Eu juro!

Ele suspirou alto e fez um sinal com a mão. Uma pessoa foi jogada a meus pés. Um jovem que devia ser mais velho que eu uns dois anos, cabelos louros, cavanhaque e muito sangue escorrendo do nariz quebrado.

- Acho que você conhece esse rapaz. Michael Klen. Você deve conhecê-lo como MK.

MK se virou para mim. Os olhos azuis arregalados de medo.

- Conta pra eles brother! Conta onde tá esse Sr. X!

- MK, ele não existe! Eu to falando a verdade cara!

- Brother, eles disseram que vão matar a gente se você não contar! Pelo amor de Deus, dá qualquer informação pra eles!

- Não tem informação! Eu que inventei o nome, os perfis, tudo! Eu só tava entediado, eu não sei o que ta acontecendo!

O homem fez um outro sinal com a mão, e dois outros homens, vestindo ternos pretos e óculos escuros apareceram e levaram MK arrastado, gritando e chorando. Eu ouvi um tiro, e MK parou de gritar.

- O que vocês vão fazer comigo? Eu não sei de nada! Era só uma brincadeira!

O homem de terno deu um passo a frente, e seu rosto ficou visível pela primeira vez. Era um rosto de meia idade, forte e decidido. Eu o reconheci. Era o Senador Brian Gray.

- Porque vocês estão fazendo isso comigo? PORQUE?

Ele inclinou o rosto, seus olhos brilharam com o reflexo da luz, como os olhos de um gato.

- Porque você sabe demais.

Ele se retirou, e eu senti o cano de uma arma encostar na minha nuca. Eu ainda choraminguei baixinho: “Era só uma brincadeira...”, ouvi a arma sendo engatilhada, e mergulhei na escuridão.




Comentários  

0 #1 RE: A Verdade está lá foraPriscilla Rubia 28-11-2011 09:00
Ficou legal o conto. Me lembrei de Dan Brown com o nome do David xD E ri do nome do cachorro deuhdeu
A história ficou interessante, parabéns =)
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Contos Estronhos - Contos e Crônicas

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