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Diego olhava a cidade destruída. Antes aquele acúmulo de entulho e paredes esfareladas era a capital do país antes chamado de Brasil. Antes da guerra contra “eles”. Agora aquele lugar tinha um nome conhecido em textos antigos, dos quais os rebeldes como ele não ousavam dizer. Não por não conhecer, mas porque dizer aquele nome iria contra tudo que aquela destruição causou.

Antes eram dezenas com Diego naquele prédio deformado e abandonado. Ver do alto era melhor. Dava para enxergar quando um batalhão deles passava a procura de sangue deles. Sangue dos diferentes. Morte, fogo. Era horrível ver o que eles faziam com os que eram pegos. Uma vez Diego viu os órgãos internos serem tirados de um dos rebeldes, no meio da rua, e isso enquanto os outros dos monstros tremiam e se deliciavam com a cena. Degradante. Mas, voltando ao assunto, naquele prédio, agora, apenas Diego vivia. E vivia bem. Sempre se escondendo, sempre fazendo aquilo que quisesse. Sempre existindo em seu livre arbítrio. Até que, naquele exato momento, as latas que ele usou como chamariz denunciou a entrada de intrusos.

Diego levantou de seu lugar assustado. Eles estava lá. Eles entraram em seu lugar e cercaram sua única saída, as escadas. Eles vestiam roupas negras. Eram bem mais limpas que qualquer roupa humana naqueles dias. Eles eram monstros. Monstros horríveis.

- Já vimos você por aqui. – Disse aquele que parecia tomar a iniciativa do confronto. Eles o cercavam, e impediam que qualquer brecha para as escadas aparecesse. – Você é um dos Rebeldes, não é? O que indica que seria difícil tem convencer.

- Muito... – mencionou Diego acuado. A cada passo que eles davam ele Dava dois para trás.

- Mas não precisa ser assim. Junte-se a nós. Nós aceitamos a todos e pode acreditar no que quiser...

- Sim naquilo que eu quiser, não é? Foi por isso que aconteceu a guerra. Voceis aceitavam que todos que os seguissem tomasse as próprias decisões não é? Sei... podem acreditar no que quiserem, até que vocês tentem fazer lavagem cerebral em quem fraquejar. Quem não aceitar vira aquilo com o qual vocês alimentam seus cachorros, não é?

- Ah, a guerra... não fomos nós, foi a geração anterior. Nós somos diferentes venha conosco, seremos receptivos. Se sentirá bem. Prometo que nada de mal irá acontecer contigo, meu...

- Não se atreva a me chamar assim! Nunca se atreva, seu monstro. É o que todos vocês são, monstros.

- Não meu caro não somos isso, somos sua salvação. Vê nossa casa – Disse o líder deles apontando para uma grande construção iluminada por torres de vigia. Aquele lugar parecia mais como um castelo medieval. Na verdade Diego sabia que era um de verdade. Nunca entrou lá, mas eles não aceitavam algo que não acreditavam ser de sua crença. Tudo que era diferente, que podia colocar algum senso, ou opinião em qualquer membro deles era repudiado como obra de forças negras. Apenas aqueles que entendiam o porque viam que não queriam perder o controle dos seus, muito menos voltar a perder o controle dos refugiados. - ...Você, meu irmão é bem vindo lá. É a casa Dele, como também é a casa de seus filhos.

- Cale essa boca se bastardo! Não foram vocês e essa porcaria que chamam de verdade absoluta que mataram meus pais? Um grupo de vocês queimaram meu pai vivo e arrancaram a pele de minha mãe? Eu vi os dois morrerem escondido, assustado. Eu tinha 7 anos seus desgraçados. E vi minha mãe, completamente nua, em praça pública, tendo sua pele arrancada por um de vocês. Eu vi as pernas dela cobertas de sangue. Vocês tão seguidores de sua fé a estupraram inúmeras vezes antes de a destruir. Destruíram sua alma antes de destruir seu corpo não foi? Não minta para mim. Já vi o que fazem com as mais jovens que não tem pais. Eu vejo muitas coisas aqui de cima. E ainda colocam essas ações hediondas como explicação para a vontade do Pai?

- Pare de blasfemar! – Disse o líder daquelas pessoas que estavam de preto. Ele se aproximou mais de Diego que não se afastou para olhar a fúria nos olhos dele. Seus olhos eram castanhos, e seus cabelos eram escuros e encaracolados. Podia ver que seu traje tinha indicações de que ele era um dos generais, dos mandantes deles. Diego sorriu ao ver aquela face humana irritada, com o cenho franzido e a boca tremendo, tentando pronunciar palavras que não apareciam. Me desculpe, face humana não, Diego não os consideravam humanos. – Vejo que não há salvação para você meu jovem. Você não é um dos escolhidos...

- Como se eu quisesse ser... Não viver, não querer ser diferente. Fingir aceitar que a porcaria de vida que vocês tomam é a correta. Que estarei salvo se abaixar a cabeça e aceitar suas idéias e abdicar de minha liberdade, meu livre arbítrio. Vocês fazem que não, dizem que não, mas quem não se desprende daquilo que pensava é morto. Toda humanidade, toda evolução que essa cidade e que outras partes do mundo foi morta. Voltamos na idade da pedra porque vocês acreditam que o progresso é uma coisa do Maligno, só porque ele é que faz as pessoas quererem tomar suas próprias atitudes, porque o progresso e a sabedoria nos faz “pensar”. Não tenho salvação para sua fé meu caro verme desprezível...- disse Diego se abaixando rapidamente para pegar um pequeno aparelho que havia sido deixado ao lado da pilastra muito attrás de onde estava. Era um aparelho negro, cilíndrico com apenas uma antena negra de um lado e um grande botão vermelho do outro. Diego sor riu ao vê-los recuar dois passos. – Sorriam agora que não podem se aproveitar de alguém! Comecem a se contorcer a se regozijar. Digam vivas, digam que serão salvos por salvar minha alma seus tolos.

- Você não faria isso, não tiraria sua própria vida por nada. Não mataria seus irmãos. Por qual motivo faria isso? – Disse o líder deles, visivelmente amedrontado- Porque você iria contra a palavra?

Diego nunca foi um homem exemplar, nunca teve motivos e nem deu motivos para que acreditassem que ele era bom ou que era mal. Na verdade nunca faz algo de mal. E por conta do que havia visto nunca sorria, mas agora, agora em seus momentos finais, parecia estasiado, entorpecido e literalmente feliz.

- Porque, meu caro? Pelo meu livre arbítrio. Pela minha integridade, pelo meu ser e pelas pessoas que morreram por causa de vocês. Mas acima de tudo pela minha integridade, pois sem ela, eu seria um monstro, e estaria morto a muito tempo exatamente como você...BOOOOM!

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