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Julian até seus cinco anos de idade não aparentava nenhum problema psicológico, apesar de não se relacionar com nenhuma das crianças no parquinho do bairro em que morava, para os pais,não havia problema nenhum nas atitude e no jeito em que Julian levava a vida de criança.
- Essa menina não diz muita coisa mesmo! – disse uma tia distante, que as vezes passava os dias na casa da menina, junto com os pais. – É um pouco problemática.
- Deixe disso Glorie! – disse a mãe – Desse jeito vai acabar assustando a menina.
Julian escutava a conversa com atenção, estava assentada no sofá brincando com seus brinquedos, para todos da família era apenas um temperamento que a menina havia desenvolvido, nada que fosse prejudicar alguém futuramente, até que os anos fora passando...

OITO ANOS DE IDADE

- Vamos filha, irá se atrasar para o primeiro dia de aula! – gritou a mão da cozinha, enquanto a menina estava trancada em seu quarto, olhava fixamente para seu ratinho de estimação que corria em sua roda de exercícios.
Notando que a menina não respondia ao seu chamado, a mulher sobe até seu quarto e a encontra parada de frente à porta,  levando um susto.
- Não me ouviu chamando, Julian? – perguntou a mãe.
- Desculpe, estava cuidando do Charlie! – respondeu a menina pegando suas coisas e descendo as escadas rumo à escola.
- Tenha um bom dia querida! – disse a mãe quando a menina entrou no ônibus da escola.
“Garotos medíocres . . . imbecis . . . ”
Julian andava pelo corredor do ônibus até um lugar vago bem no fundo, olhava seus colegas com profundo desprezo e frieza, não conseguia se relacionar bem com seus colegas de turma, além de os mesmos não a tratarem muito bem durante o recreio.  
O dia não estava ensolarado como estava amanhecendo nos outros dias da semana, começava a cair uma chuva fina quando bateu o sinal para os alunos saírem para o recreio, e a turma de Julian foi uma das primeiras a descer para o pátio, a menina, como sempre se encostava em um canto em um muro perto do campinho e começava a comer o seu lanche.
- Então, como você está hoje, louca? – perguntou Suzan parando em frente à Julian. – Não vai falar nada como sempre?
A menina permanece com os olhos fixos nos meninos jogando bola no pátio e Suzan toma o suco de sua mão, jogando longe, Julian simplesmente levantou-se e saiu de perto da outra, ainda escutando a zombaria feita pela colega.
“A louca irá te mostrar . . . vaquinha!” já tinha um plano arquitetado em sua mente, para Julian era muito fácil resolver os seus problemas, para ela, as pessoas as quais lhe causavam dor, mal e constrangimento não merecia ter uma vida boa, não podia se dar bem, iria ter que sofrer uma conseqüência, Suzan iria ter que pagar um preço por ter lhe jogado o suco no campinho.
.........................................
- Onde está esta menina? – dizia o pai andando de um lado a outro na cozinha, as horas se passavam e a menina ainda não  havia voltado do colégio, nunca passara do meio dia na rua depois da aula, a mãe começava a ligar para os pais dos outros colegas de Julian para perguntar se a menina estava na casa de algum deles
- Não é possível! – disse a mãe.
Os dois pararam de repente quando ouviram a porta da frente se abrir e Julian entrar sorridente pelo hall de entrada, ela olhou para os pais, e correu até eles para dar-lhes um abraço.
- Por que demorou tanto a chegar? – perguntou a mãe.
- Estava caminhando com uma amiga mamãe, não aconteceu nada!- respondeu e subiu cantarolando para o quarto, deixando os pais se entreolhando na sala.
Era muito estranho, Julian nunca havia falado de amiga nenhuma no colégio, sempre andando sozinha pelos pátios e festas nos sábados letivos, poderia ser uma aluna nova que a filha teria feito amizade mas mesmo assim, era muito estranho para os pais.
A atenção dos pais foi desviada para a televisão, uma notícia urgente acabara de começar, um fato que chocou toda a população que morava naquela região:
- Foi encontrado em um matagal perto da escola do bairro o corpo de uma menina de oito anos, chamada Suzan Conel, de acordo com os legistas, a menina teria sofrido com um forte golpe na cabeça por uma pedra encontrada do lado do corpo.
Os pais de Julian empalideceram ao ver a mãe de Suzan em pânico durante a reportagem ao lado do corpo da garota, que estava  recolhido pela legista.   
- Até a fita de cabelo dela, o assassino levou!  -chorava a mãe na entrevista – Queremos justiça, pelo amor de deus.
Julian assistia à reportagem pelas costas dos pais, não podia conter seu riso diabólico, estava se deliciando ao ver cada palavra que a mãe daquela menina falava, se deliciava em ver o desespero dos próprios pais assistindo à televisão, e mais ainda, sentia mais prazer ainda em saber que ela própria causou toda aquela dor em todas as pessoas envolvidas.
A menina subiu para o quarto novamente, foi alimentar o seu ratinho Charlie, não podia conter o riso, quando entrou no quarto.  
Já havia anoitecido quando a mãe de Julian subiu para o quarto da menina, teria que contar à ela o que havia acontecido à sua colega de turma, para ela, sabia que não seria fácil, teria que escolher as palavras.
- Olá filha! – disse ao entrar – O que está fazendo?
- Dever de matemática! – respondeu sem retirar os olhos do caderno.
- Você conhecia Suzan Conel, querida? – perguntou.
- É a minha colega de turma! – respondeu a menina,olhando a mãe com interesse, gostava de estudar as pessoas com o olhar.
- Bem . . . não tenho nenhum maneira melhor para te dizer isso . . .
- Pode falar mamãe, o que foi?
- Sua coleguinha morreu, meu bem, foi assassinada hoje, perto do colégio.
Julian arregalou os olhos, começou a tremer até largar o lápis que segurava, começou a chorar, como se entrasse em pânico, causou tanto barulho que o pai entrou no quarto também e tentou acalmar a menina, com muito custo, conseguiram fazê-la dormir.
- Vou tirá-la deste colégio! – disse a mãe indo se deitar
O pai continuou na porta do quarto da garota, para ele, alguma coisa não se encaixava, era muito estranho neste dia sua filha chegar tarde em casa, nunca havia feito isso, sem cintar que ele sabia o quanto Suzan e Julian brigavam, lembrava das vezes que a filha chegava espumando de raiva em casa por causa da menina, das vezes que Suzan havia batido em sua filha . . . ele sabia que o temperamento de Julian era desconhecido, ele nunca sabia como seria uma reação dela a um determinado fato. Ficou pensando por um instante, até resolver ir deitar.
“Por onde esta menina andou?” pensava ele na cama, ficou revirando-se, a noite inteira, até amanhecer o dia e sua mulher sair para trabalhar, ele iria levar Julian no colégio naquele dia, resolveu levantar-se e ajudar a filha arrumar seus materiais.
- Bom dia, Julian! – disse o pai ao entrar no quarto, notou que a menina já havia acordado e estava no banheiro, seu preparando para a aula, resolveu abrir sua mochila e dar uaolhada em seus cadernos, notou que havia uma fita para amarrar no cabelo.
“Que fita é essa?” pensou, porém viu que havia alguma coisa escrita em uma das extremidades.
- Suzan Conel! – leu em voz alta – O que Julian está fazendo com essa fita . . . ?
Porém ele lembrou da reportagem, da mãe dizer que o assassino tinha levado a fita de cabelo da menina e agora ele havia encontrado-a ali, na bolsa de sua própria filha, sentiu seu corpo tremer, deixou a mochila cair e de dentro dela ele pode ver um lenço, coberto de sangue já seco e coagulado.
- Foi ela . . . ! – disse para si mesmo – Ela matou a garotinha . . . !
Ficou assentado na cama a menina quando escuta a porta do banheiro abrir-se e a menina sair já com o uniforme do colégio, olhou para o pai inerte em sua cama, segurava o lenço sujo de sangue e a fita de cabelo de Suzan.
- O que foi que você fez? – gritou ele levantando-se de repente e sacudindo Julian com os braços. – Você matou aquela menina?
- Não sei do que você está falando? – disse a menina em defesa tentando se desvencilhar.
- Confessa, foi você quem matou Suzan Conel, não foi? – gritou ainda mais o pai.
A menina consegue se soltar das mãos dele e corre para o corredor, o pai tenta segui-la mas ela foi mais rápida, trancando-o no quarto.
- ABRA ESTA PORTA! – gritava ele, esmurrando. – VOCÊ MERECE UMA SURRA!
Mais uma vez Julian tinha um plano, já estava com o telefone na mão, iria ligar para a polícia, faria uma denúncia, iria dizer que o pai estava tentando espancá-la, iria dar certo, bastava ela agir na hora certa.
- ABRA A PORTA! – gritava o pai.
A menina colocou novamente o telefone no gancho, a polícia estava a caminho, teria de agir rápido, subiu novamente ao quarto e respirou fundo antes de abrir a porta.
- DIGA! – disse o pai mais uma vez partindo para cima da menina assim que ela abriu a porta – VOCÊ MATOU NÃO FOI?
- Matei sim . . . e sabe de uma coisa? – disse ela, quando o pai a largou – Eu adorei, adorei vê-la pedir, implorar para eu não fazer aquilo, adorei o barulho da pedra quando a atingi, adorei ver vocês em frente à televisão, com cara de idiotas . . .
- SEU DEMÔNIO! – gritou o pai, partindo para cima de Julian, a menina correu para perto do hall de entrada e deixou que o pai a pegasse, ele agarrou o pescoço da menina e apertou, Julian sentiu o oxigênio faltar-lhe o cérebro, não conseguia respirar, gritava por socorro, viu que a polícia entrou e agarrou o pai pelas costas, conseguiu respirar novamente, assentou-se em uma cadeira, e ficou observando com um sorriso discreto o pai ser levado, aos berros para a viatura.
- Adeus paizinho! – disse baixinho, quando a viatura o levou.
Rapidamente a mãe de Julian ficou sabendo do acontecido e correu para casa, chorou ao ver os maus-tratos que a filha havia sofrido nas mãos dos pais, abraçou-a.
O pai foi julgado no mês seguinte, condenado a passar mais de vinte anos na cadeia, por atacar a própria filha e . . . pelo assassinato de Suzan Conel . . . Julian havia conseguido, e esse seria só o começo de uma vida de loucuras e assassinatos . . .

CONTINUA . . .

Comentários  

0 #1 RE: Uma infância nada normalCleo 07-12-2010 18:38
História muito massa!Parabens
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Contos Estronhos - Contos e Crônicas

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