* Dedicado à M. D. Amado
Dizem que existem sete mulheres para cada homem,talvez esse tenha sido o grande erro da vida dele....
Amado era seu nome, saúde frágil, semblante calmo, boa índole.
Apaixonado pela vida, pelas mulheres e pelas letras, organizava saraus na velha e enorme casa herdada do pai, afinal o dinheiro que ganhava como escritor mal dava para pagar as despesas. As festas reuniam artistas de todos os tipos , escritores, escultores, pintores, cantores e outros menos comuns, mas não menos valorosos em suas atividades.
Na casa dele muitos ficavam hospedados por dias a fio, pois era grande o suficiente para que ele, o Amado, tivesse privacidade quando quisesse.
Foi em um desses saraus, regado a música, poesia e vinhos que ele conheceu as moças.
Entre tantas outras elas se destacaram, aproximaram-se dele e despertaram paixão.
Eram seis, meia dúzia de mulheres de admirável beleza, sabedoria e bom-humor, qualidades fundamentais para ele.
Kenya era escultora, Maya poetisa, Amanda pintora, Estela dançarina, Roseana cronista e Nathália cantava como ninguém.
Acabaram ficando por lá, três dormitórios próximos ao do anfitrião foram destinados a elas, que se alojaram aos pares, com todo conforto.
A casa emanava alegria durante o dia e rescindia cheiro de sexo durante a noite.
Não havia ciúmes entre as moças, que compartilhavam o amor daquele homem como irmãs, e ele, dedicado, dividia seu tempo, sua paixão e seu corpo entre as seis de maneira justa.
Durante o dia executavam as tarefas da casa com incrível habilidade, nas tardes cantavam, dançavam, recitavam poesia e revezavam-se em afagos e mimos ao seu amante.
De segunda-feira a sábado, cada uma tinha sua noite para visitar o quarto dele e poder satisfazer seus próprios desejos e os dele, aos domingos todos descansavam.
Tudo caminhava perfeitamente, até o último sarau na casa.
Como sempre muitos visitaram a casa de Amado, elogios dos convidados às moças eram coisa corriqueira, mas naquela noite ele não deu muita atenção a elas.Seus olhos pareciam enfeitiçados pela garota com voz de anjo que recitava Álvares de Azevedo:
-"Amor
Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
............................................
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!"
Aretha era o nome dela. Retribuia o olhar dele com o mesmo interesse, e a boca dela parecia ensaiar beijos na direção de Amado.
Logo o ciúme tomou conta da alma das moças, e ainda mais quando ele convidou a intrusa para pernoitar na casa, junto a ele em seu dormitório.
Apesar da raiva elas acharam que a tal garota passaria apenas uma noite ali e partiria no outro dia, mas uma semana se passou e ela continuava lá, aproveitando todos os dias, inclusive o domingo na companhia dele.
As seis se uniram para expulsar a garota da casa, ela não ofereceu resistência diante da união e dos direitos adquiridos pelas moças. Foi-se pela manhã antes do amante acordar.
Os esforços das seis porém foram em vão, sem saber do paradeiro da garota, Amado passou a viver suspirando pelos cantos, embora fizesse amor com elas nos dias destinados a cada uma, já não era o mesmo.
Seu olhar era distante, seus beijos frios, já não se interessava mais pela música, dança e poesia das moças.
Agora elas tinham apenas seu corpo, mas o amor dele já não pertencia a elas.
Reuniram-se e planejaram a morte dele com toda a paixão que dedicavam-lhe.
Naquela noite foram todas ao mesmo tempo ao quarto dele. Nuas, dançaram contra a luz da lua cheia que atravessava a vidraça; um balet inigualável de corpos perfeitos e mentes insanas.
Cada uma delas e depois todas as seis fizeram amor com ele até o dia amanhecer.
Ele correspondeu a todas, pois seu pensamento estava longe, mas seu desejo pulsava ao ver os corpos delas.
O primeiro raio de sol veio iluminar o emaranhado de corpos sobre a enorme cama.
Nathália foi a primeira a despertar e a perceber o ocorrido, Amado jazia pálido entre elas, como previram o coração dele não aguentou. Ela sorriu afagando os cabelos dele e acordou as outras.
As seis agora tinham que pensar rápido, decidir o que fazer com o corpo.
Enterra-lo jamais, não queriam os vermes devorando seu amante.
Crema-lo também não, seria muito triste que o homem da vida delas simplesmente virasse cinzas.
Kenya pensou em esculpir com argila sobre o corpo dele, ficaria perfeito, mas acharam que o mau cheiro pudesse denuncia-las, pensaram até em embalsamá-lo, mas seria arriscado ter o corpo dele por ali, logo alguém descobriria.
Estela teve uma idéia, descobriu uma maneira de cada uma ter para sempre um pouquinho dele com elas.Precisaria da colaboração de todas.
Sobre a mesa da cozinha cortaram cuidadosamente o corpo de Amado .As vísceras jogaram ao cão de estimação dele, afinal, como dissera Roseana, o animal também amava-o.
Juntas, fizeram um grande gizado, sentaram-se à mesa de jantar lindamente enfeitada por Maya e Amanda e devoraram tudo, deliciando-se com cada parte.
Satisfeitas e felizes adormeceram.
Agora sim, ele estaria sempre com elas.
Comentários
Muito obrigado Miriam. Tá vendo como você só precisava de um empurrãozinho pra voltar a escrever?
Beijos horripilantes!
KKKKKKKKKKKKKKK KKKKKKKKKKKKKKK KKKKKKKKK
Olhe, como sempre digo, não tenho medo da morte, apenas não pretendo o sofrimento, pois não sou masoquista! E que morte mais digna e bela essa de Amado, hein!? Invejável, muito invejável... Amado morreu amando! Quem me dera merecer uma morte assim, quem me dera!!! E valeu essa "tirada" de Iam godoy, valeu mesmo!!!...rerere...
Um abraçoi forte e Um super beijo prá bí, Mi.
Querido Osmar, tbm adorei a sacada de Iam,é verdade, tem gente que só sossega depois de comido ( ou comida...), rsrsrsrs.
E olha que a refeição estava boa, as garotas lamberam os beiços!
Bjus.
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