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Muitas vezes, em diferentes lugares por onde passamos ao longo da vida, nos deparamos  com várias situações, algumas boas, outras ruins e muitas vezes com situações estranhas . . .

Meu nome é Henrique de Azevedo, sou caminhoneiro há mais de vinte anos e não costumo relatar nenhuma de minhas experiências pelos lugares em que viajo, porém esta é uma que vale a pena ser contada. Se você, caro leitor, estiver com tempo, paciência ou até mesmo curiosidade fique e atenha-se aos fatos que irei colocar nesse exato momento.

Podemos definir situações estranhas como aquelas em que nos deparamos e não entendemos o que está acontecendo, ou algo em que não temos uma explicação racional para ser dada. Não digo a você que o que aconteceu comigo foi algo sobrenatural, tipo fantasmas ou seja lá o que for que tenha passado desta para melhor, essa conclusão cabe à você ao final de minha história.

Estava eu em uma noite de verão, o céu estrelado e a lua cheia, em uma estrada, meu caminhão começava a dar sinais de cansaço da longa viagem em que eu fazia pelos pampas. Minha visão já começava a embaçar.
Muito bem amigão! Pensei eu tamborilando meus dedos na lataria. Acho que nós merecemos uma parada por esta noite não?
Levava uma carga muito pesada, estava começando achar estranho, a empresa que havia contratado meus serviços ainda não entrara em contato comigo para saber como estava a viagem, nem mesmo para saber como estava  a carga, que eu não fazia a mínima idéia do que era. Olhando-a por fora parecia ser um caixote enorme coberto por vários panos e amarrados.
Sim, amigo leitor, eu sei o que você pode estar pensando agora, que eu tenha tido certa irresponsabilidade em aceitar tal carga sem saber o que seria, mas convenhamos que um caminhoneiro na minha idade (tenho mais de 65 anos hoje) que já andou por esse Brasil inteiro, saberia quando está entrando em uma fria ou não . . . ou pelo menos era o que eu pensava ser: um caminhoneiro experiente, bem vivido, porém  havia me esquecido que nos pampas, eu nunca havia batido o volante do meu caminhão e não sabia o que poderia acontecer por lá.
Passei ao lado de uma placa, na estrada, que dizia:

MOTEL DESCANÇA RODAS
Se você for caminhoneiro  ganha manutenção em seu caminhão de graça.
5 Km

 
Parece que este motel é o melhor que nos apareceu, nesta estrada deserta, amigo.
Continuei seguindo, a estrada não havia curvas, e esta vista monótona de uma trilha de asfalto sem fim já incomodava minhas vistas, o que eu precisava, na verdade, era de uma boa dose das branquinhas e quem sabe, de um belo par de pernas para passar uma boa “noite de sono”.    
Percorri os cinco quilômetros mais rápido do que imaginava, foi quando vi, uma placa escrita “Motel Descança Rodas”, haviam alguns caminhões parados na parte da frente do motel de beira de estrada, o recinto era todo de madeira. Não pense, meu caro amigo, que era um belo motel com madeira de lei, envernizadas, e limpos, para ter ser sincero a madeira já estava castigadas pelas chuvas e poeiras vindas dos pampas, não seria, nem de longe, um ótimo lugar para você, se for casado, levar sua companheiro (o) para o aniversário de casamento, ou sua namorada (o) em um dia comemorativo.  
Ao sair do meu caminhão ouvi um uivo vindo dos campos, não sei porquê esse barulho meu deu um arrepio, senti minhas espinhas congelarem.
É só um lobo, maricas... claro, um lobo que não quero perto de mim, mas só um lobo !
A entrada principal é um bar, também todo de madeira, cadeiras, mesas, o balcão e as prateleiras, até mesmo o piano em que um velho pianista tocava melancolicamente uma canção desconhecida e monótona.
Ao entrar, despertei alguns olhares dos presentes, tirando as garçonetes que trabalhavam do local,  haviam somente homens, velhos caminhoneiros. Estranhei não encontrar nenhum conhecido dentre eles, ao longo desta minha havia havia conhecido muitas pessoas afinal! Porém os pampas era o lugar que eu nunca havia rodado antes . . .
O que vai querer? - perguntou a mulher do balcão, claro, sou um ser humano, não pude deixar de reparar em seu decote, ela tinha seios muito chamativos, era uma lora, com os cabelos amarrados em um coque, presos em um lápis, comido nas pontas. (Sim sou observador.).
Tequila! - respondi.
     A mulher me encarou e deu as costas para pegar a garrafa, colocou um copinho na minha frente e encheu-o, tomei de uma vez fazendo uma careta, quando desceu queimando pela minha garganta.
    - Será que poderia saber o nome da mulher que me serve? - perguntei, enquanto a mulher enchia o copo com outra dose.
      - Jenifer! - ela me encarou sarcástica – É caminhoneiro não é?
Como você sabe? Não me lembro de ter falado da minha profissão.
Vi você estacionar seu caminhão. - respondeu ela apontando para a janela que permitia enxergar o estacionamento dos caminhões. - Aposto como tem várias histórias para contar não?
Algumas, mas nada que se interesse em ouvir! - respondi
Posso me interessar . . .
     Coloquei o copo mais uma vez para ela servir outra dose.
    Jenifer era realmente muito atraente, mas algo nela me soava esquisito, alguma coisa nela me parecia estranha, aparentemente não conseguia encontrar o problema.
Ainda há quartos sobrando? - perguntei de repente.
Há o quarto 206, o que dá para os pampas, acho que não vai querer pernoitar lá.
E por que não iria querer ficar com o quarto?
     Alguém assentou-se do meu lado, era um homem, magro, metade do rosto tampado por um chapéu de cowboy, ele mostra o copo para Jenifer e esta coloca uma dose da cachaça mais forte que as prateleiras empoeiradas do bar tinham.
Como se chama, forasteiro? - perguntou o cowboy brasileiro.
Henrique! - respondi, notei que o homem tinha uma cicatriz enorme no queixo que descia até o pescoço.
Prazer! - disse apertando-me a mão – Sou Zacarias, também sou caminhoneiro, parceiro, acredite, não sei o que faz aqui, nesse lugar!
Jenifer olhou Zacarias de relance, fiquei sem entender na verdade  motivo daquele olhar, parecia que ela queria impedi-lo de falar alguma coisa.
O que há nesse lugar, velho amigo? - perguntei.
     Zacarias chegou o rosto perto de meu ouvido, gostaria de ver o que havia por baixo daquele chapéu, porém não consegui enxergar nada.  
Saia daqui, amigo! - Zacarias olhou para Jenifer e voltou para sua mesa ao lado do piano em que o velho pianista tocava, o velho tinha uma aparência bizarra, havia uma enorme falha de cabelos em sua nuca.
Não  ligue para ele, forasteiro! - disse Jenifer, colocando mais uma dose de tequila em meu copo. - Zacarias já está bêbado e não sabe o que diz!
Não me pareceu tão fora de si como você diz, minha cara! - respondi.  
     Jenifer me olha com desdém e vai atender outras pessoas, me deixando sozinho, apenas percebendo o movimento da casa, já começava sacar o que estava estranho. Todo mundo ali tinha alguma coisa de anormal na aparência, me lembro agora de um em especial que tinha os olho direito fechado com um enorme corte já cicatrizado que ia do alto da testa até a bochecha, parecia que a única sem problemas era Jenifer, essa sim, parecia intacta! Nenhuma cicatriz castigava aquele rosto maravilhoso, podia vê-la agora de corpo inteiro, mais da metade de suas pernas estavam à mostra em um pequeno short jeans.  
    Amigo leitor, estou contando esse caso para você e talvez você possa até já estar imaginando alguma coisa do que poderia ter acontecido comigo, porém é preciso que vocês se lembrem de que eu já começava a ficar bêbado, e estava cansado da viagem, não era um momento muito propício para raciocinar que o lugar em que me encontrava poderia ser uma fria, lembre-se: nunca havia rodado pelos pampas . . .
      Um barulho do outro lado do bar me chamou a atenção, dois colegas meus de profissão começaram a brigar, a princípio achei que fosse pelo pôquer que estavam jogando porém percebi que era por uma causa mais séria.
      - Não devia ter feito isso com ela! - gritou um caminhoneiro com blusa xadrez vermelha apontando para Jenifer, nele, estou me lembrando agora, havia uma anomalia física,  não tinha a mão esquerda.
          - Qual o problema? - gritou o outro, (percebi que não tinha um pé)
          Os dois partiram para agressão física, e todos os que estavam no bar levantaram-se, estranhei que ninguém tentava separá-los, a não ser Jenifer, o tempo todo ela entrava no meio dos dois, e olhava para mim, desviei o olhar dela, fingindo que não havia percebido o problema no recinto.
       Depois de algum tempo, tornei a olhar para o local da briga e Jenifer agora cochichava alguma coisa para os dois briguentos, os dois agora olhavam para mim, o de blusa xadrez vermelha tinha um semblante bem esquisito e arregalou os olhos ao mesmo tempo abrindo um sorriso, revelando a falta de alguns dentes na arcada superior, o outro apenas fez sinal que entendia o que ela dizia.   
           Epa . . . isso não vai prestar . . . com tantas garçonetes maravilhosas o que poderia ter eu de interessante para esses caras?
           Jenifer retorna ao balcão, me servindo mais uma dose de tequila, eu já não estava mais sã consciência, não tinha mais condições de dirigir naquela noite.
          - Falando bem de mim para seus amigos? - perguntei à Jenifer.
         - Não gosto que briguem no meu motel! - respondeu ela – Principalmente quando há pessoas novas freqüentando aqui.
         - Quero o quarto 206! - respondi, já com a voz um pouco arrastada – Não me importa se ele é assombrado, ou que alguém possa ter morrido lá, vou ficar com e-ele . . .
            - Você é quem sabe . . . ! - disse ela, colocando o dedo indicador nos meus lábios.
         Não que eu achasse ruim que uma mulher daquelas estivesse me dando bola, mas daí a fazer isso de graça era outra história, confesso, eu não fui feio, porém nunca havia sido assediado por mulher alguma, sempre tive, como dizem, que correr atrás e vender meu peixe, para conseguir conquistar uma garota.  
      Jenifer colocou a chave na minha frente, o chaveiro revelava um número que começava a se apagar, não se via direito o seis.
          - Já está se recolhendo, caminhoneiro? - perguntou Jenifer.
          - Amanhã tenho que levantar cedo! - respondi – Tenho uma carga para levar!
           Jenifer olhou para mim muito interessada, mais tarde cheguei a algumas conclusões sobre seu estranho interesse, mas nada muito concreto, quem sabe você, meu caro amigo , ao ver essa situação de longe, possa formular alguma hipótese?
         - E que carga é? - ela perguntou – É alguma coisa grande?
         - Sim, enorme! - olhava para ela, estava tentando me equilibrar, em pé – Mas não sei o que há por baixo dos panos!  
         - E . . . qual o seu destino? - perguntou, chegando o rosto mais perto do meu.
       - Uma cidadezinha a três horas daqui! - fui me virando e andando em direção à escada, passei ao lado do velho pianista, este agora parecia ter se cansado de tocar suas músicas lentas e estava bebendo gim com outros caminhoneiros.
      A cada passo que eu dava na escada os degraus rangiam, entrei no corredor dos quartos, era iluminado apenas por velas, não conseguia enxergar muito, não sei se o motivo era minha embriagues ou as velas que já estavam no fim.  
          Aqui, o famoso quarto 206  . . . vai ter um lobisomem aqui dentro, quando eu abrir e irá me atacar, não, melhor, algum fantasma vai aparacer atrás da porta e gritar BOO!
      Comecei a rir de meus próprios pensamentos, e com um pouco de dificuldade consegui abrir a porta, que também rangeu . . .
         O interior do quarto me pareceu normal, havia uma janela do lado oposto à porta, que revelava um campo aberto iluminado apenas pela lua cheia, e logo abaixo da janela localizavam-se os caminhões. À minha direita havia uma cama, empoeirada, com lençóis encardidos e um travesseiro. Andei para  a esquerda e percebi que havia uma bacia enorme, para tomar banho. Acima da cama pude notar um quadro, não gostei muito da pintura, mostravam pessoas com um semblante carregado, parecia que olhavam para algum plano, fora do quadro e nesse plano algo as assustava e muito.
         É, alguma coisa aqui não é muito boa, energia negativa . . . nunca estive em lugares assim!
      Olhava pela janela quando pude ouvir novamente as músicas melancólicas do pianista na parte de baixo do motel, começava achar esquisito como meu fogo não acabava, parecia que eu continuava bebendo cada vez mais!
       Essa mulher colocou alguma coisa na minha bebida . . .    
    Resolvi assentar-me na cama, pude ver até a poeira levantar-se com o meu corpo caindo no colchão, fiquei ali, olhando para a porta que estava trancada. A vontade que eu tinha era de nunca mais sair daquela posição em que me encontrava.
        Espero que esses esquisitões não se metam no meu caminhão, é tudo o que tenho . . . tudo . . .
         Em um minuto deixei de pensar no caminhão, alguém estava do outro lado da porta, pude ver o seu vulto por baixo da porta, a pessoa, ou seja lá o que fosse, estava parada em frente à minha porta e fazia algum barulho, parecia estar arranhando a porta, depois começou a bater com força!
         Levantei-me de repente, tentei pegar a primeira coisa que encontrei ao lado da cama, o abajur, assim que fui em direção a porta a coisa foi embora . . . Ainda tentei pegá-la no corredor, abrindo a porta o mais rapidamente possível, porém tudo estava deserto, todas as pessoas ainda se encontravam na parte de baixo da casa.
         Acho que estou ficando maluco . . .       
        Sim, eu sei o que está pensando leitor, afinal de contas eu havia bebido tequila, e não havia sido só uma dose, porém lembre-se de que estou apenas contando o que eu vi!   
        Resolvi depois deste fato estranho dormir, deitei na cama e nem me preocupei em tirar minhas botas apenas fechei os olhos e adormeci.
          Não sei se teria utilidade para vocês relatar meu sonho, por isso eu serei breve, não dará mais que um parágrafo.
         No sonho estava eu     em meu caminhão e Jenifer, por algum motivo, também estava nele, a mulher porém estava na parte em que levo as cargas, assentava-se em cima do enorme embrulho e o tempo todo chamava pelo meu nome, com aquela voz doce e até um certo ponto, fúnebre demais.
       Acordei com um barulho, muito parecido com o que a coisa fez logo antes de eu adormecer, arranhava a porta, agora eu tinha certeza, alguém estava do lado de fora do quarto, eu levantei com o abajur na mão novamente e fui até à porta, abrindo-a, Jenifer estava lá, parecia mais sensual do que quando a encontrei mais cedo no bar.
          - O que faz aqui . . .? - perguntei, mas sem chances de resposta.
       A mulher começou a me beijar e eu, pobre homem mortal, não recusei seus beijos, me entusiasmei, ela começou a tirar minha blusa e me jogou na cama.
        - Parece que o serviço te deixou mais animada ainda não? - perguntei
      - Sempre me deixa! - respondeu ela tirando seu short e revelando uma virilha com algumas marcas, o que me pareceram ser de balas de revólver . . .
      - Você também tem marcas! - disse, mas ela tampou minha boca e começou a me beijar, jogando-me em cima da cama.
    Estava em cima de mim quando ouvi algo no estacionamento, o barulho foi acompanhado dos uivos de lobos que vinham dos pampas, olhei para a janela mas ela puxou meu rosto novamente. Comecei a perceber que algo não estava certo.
        - Espere! - eu disse e levantei-me, indo em direção à janela, tive muita surpresa ao olhar para baixo, só havia o meu caminhão estacionado na entrada, mas quando eu cheguei haviam ao menos uns seis a mais . . . - Onde estão os outros caminhões?
        Jenifer olhou para mim com um rosto maligno, não parecia agora aquela linda mulher que eu conhecera naquela noite, ela parecia uma doente, apática, com os olhos insanos, ergueu os braços para mim.
        - O que foi, Henrique? - perguntava ela caminhando em minha direção, parecia louca. - Por um acaso não gosta mais de mim?
           - Onde estão as outras pessoas, cadê todo mundo? - perguntei desesperado.
           - Todo mundo? - perguntou ela, começando a gargalhar – Estás louco é?
          Minha cabeça começou a doer, doeu muito até eu perder a consciência e cair no chão de madeira.
             O que se passou no decorrer de minha inconsciência não posso lhe contar, porque, na verdade nem eu mesmo entendo . . . Você pode achar que está tudo muito estranho, não é meu velho amigo? O desaparecimento de todo mundo, a mudança física e menta de Jenifer, até mesmo os lobos uivantes dos pampas, pois o pior ainda está por vir . . .
            Não sei por quanto tempo estive desacordado, se foi por um ou dois dias, quando dei por mim, estava novamente em meu caminhão, encostado no banco de motorista, em frente à placa escrito :

MOTEL DESCANÇA RODAS
Se você for caminhoneiro, ganha manutenção em seu caminhão de graça.
5 Km

           O que diabos estou  fazendo aqui . . . ?
      Foi como num relance que relembrei tudo o que acontecera, o motel, o bar, os caminhoneiros e . . . Jenifer!
       Jenifer, o terá acontecido àquela louca? O que estou fazendo aqui? O que aconteceu?  
         Já sei o que você está pensando, amigo leitor, que eu tive um pesadelo com isso tudo, que tudo não passou de um sonho ruim! Confesso que até eu cheguei a pensar nisso antes de resolver seguir a placa do motel Descança Rodas, porém meus pensamentos foram outros logo quando cheguei nele.
         - Jenifer! - gritei assim que desci de meu velho amigo caminhão. - Olá!
       O lugar parecia estar fechado a anos, era muito estranho, a estrada era completamente deserta, está certo que a noite seria normal não passar carros mas de manhã, em pleno meio dia?
     Resolvi entrar no motel, foi quando confirmei minha hipótese, o local parecia estar fechado a mais de dez anos, completamente empoeirado! Fui até o piano, em que o velho de falhas na cabeça tocava músicas e apertei uma nota, o som saiu engasgado tamanho era o pó que acumulara-se com os anos.
         Não pode ser . . . estive aqui ontem a noite, tomei tequilas . . . como pode nem de ressaca estou!
       Resolvi andar até o quarto em que possivelmente havia me instalado, também estava empoeirado, havia um jornal aberto no chão perto da cama, era muito antigo, de 1975, e estávamos no ano de 1989!
       A notícia era a seguinte:


                                CHACINA EM MOTEL DE BEIRA DE ESTRADA

         A polícia descobriu, nesta sexta feira, um motel na estrada dos pampas com vários cadáveres, de acordo com o laudo do legista, as pessoas haviam morrido na madrugada de ontem, ainda não se sabe o motivo do assassinato, muito menos quem é o assassino.
        Entre os corpos pode-se destacar o de uma jovem, que estava afastado dos outros, no quarto 206, seu rosto demonstrava terror.  De acordo com a documentação seu nome era Jenifer, e trabalhava no recinto servindo todos os caminhoneiros. A polícia pôde ainda reparar que, na porta do quarto da garota, havia marcas de facas feitas pelo suposto assassino.
          Os corpos encontrados ainda não tiveram nenhum reconhecimentos dos familiares e estão todos sendo encaminhados para a cidade mais próxima do motel, a cidade do Montinho.


        Foi então que me dei conta de que a cidade do Montinho era onde eu tinha que levar minhas encomendas, cheguei até a pensar que as pessoas assassinadas estariam enterradas lá!
      Ao virar a página do jornal quase cai para trás, estavam as fotos de todas as pessoas que havia morrido.
       O velho pianista com um tiro na nuca, Zacarias havia morrido com um corte profundo no pescoço, os dois brigões haviam perdido seus membros e sangraram até a morte. E Jenifer, exatamente como eu a tinha visto na noite anterior, só que morta e com as pernas marcadas pelas balas.
      Todos morreram, todos! Meu deus, o que estou fazendo aqui, o que aconteceu? Ontem à noite eles estavam vivos!
       Acontece, amigo leitor, que eu não paguei para ver o resto, corri o mais rápido que pude, desci as escadas  e em pouco tempo já estava em meu caminhão, indo em direção à cidade do Montinho, iria fazer minha entrega e dar o fora o mais rápido daquela região.
        Já está achando, caro leitor, que meu pesadelo havia chegado ao fim? Pois veja  esta última parte!
        Descobri ao chegar na cidade Montinho, que não havia habitantes lá, há muito tempo havia virado uma cidade fantasma. As casas estavam largadas e mal cuidadas,  algumas deram moradia ao mato e possíveis insetos.
         Foi quando tive a idéia de abrir a carga que eu carregava este tempo todo em meu caminhão, e descobri, que eram todas as bebidas que aquele motel “assombrado” tinha, as mesmas garrafas, reconheci na hora minha garrafa de tequila e a de cachaça que Zacarias tomava.
          Uma onda de pânico tomou conta de mim, larguei o caixote com as bebidas no meio da única rua que a cidade tinha e arranquei meu caminhão de lá.


         Acredite, amigo leitor, já contei esta história em muito lugares por onde passei. Alguns de meus colegas acreditam que isso foi um sonho, um pesadelo, que adormeci na estrada em frente à placa do motel. Alguns acreditam em mim e dizem que este mundo ainda existem coisas inexplicáveis e que talvez a ciência nunca consiga explicar esses fatos estranhos que acontecem com a gente. Outros dizem que isso é mais uma daquela superstições de caminhoneiro.
           Cabe a você agora, velho amigo, decidir o que realmente pode ter acontecido.
      Eu tentei ligar para o dono da carga que eu transportei o tempo todo em meu caminhão, porém, o máximo que consegui foi ouvir a telefonista me dizendo que o número de telefone não existia.
         Depois deste, aconteceram vários outros casos, mas nenhum estranho, ou até certo ponto, sobrenatural. Agradeço a você, amigo leitor por ter-me escutado! Mesmo agora,  talvez você não esteja acreditando no que aconteceu comigo, porém, meu caso serviu,mais uma vez, para a distração de pessoas que procuram por uma boa história de loucura e acontecimentos estranhos. Até a próxima . . .
 
 

Comentários  

0 #1 Flávia Garcia 19-06-2009 14:22
PARABENS MATHEUS !!!!
SUCESSO
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0 #2 Matheus Proença 19-06-2009 22:38
Aê Matheus,
Parabéns!!!!
E que venha os próximos...
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0 #3 Carol 20-06-2009 07:14
Adoreii matheus!!! A historia prende nsosa atençao, nao tem como parar de ler!!!
Parabens!! Mt sucesso pra vc!!
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0 #4 Laura 20-06-2009 10:51
Esse menino vai longe!! Parabéns Matheus, e muito sucesso pra vc! Bjos!
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0 #5 AÊÊMAITÊ 20-06-2009 14:52
MATHEUUUSSSS !!!adorei a sua história muito interessante,,b em sua cara,hauahuah vou mostrar para minhas amigas!
quero ler maisssss....
beijaoooo teteus
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0 #6 Laura Machado 20-06-2009 15:17
Matheusssssssss sss!!!! q lokooo! vc tem dom pra essas coisas d ficção!!!
espero por mais primo!
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0 #7 Fernando 20-06-2009 21:20
muito bom o conto
parabens
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0 #8 Garoto de Ouro...Nandaum 22-06-2009 18:36
Taí o futuro escritor de sucesso, jah podem reservar uma cadeira no meio dos imortais...
de boa mesm, gradei à vera...
orgúi docê champz...
abrazzão aew e boa sorte com os próximos...
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0 #9 Muito bomGabriel L 24-06-2009 09:27
Legal o conto!

Ta na hora publicar um livro com seus contos heim... hehe
Abraço
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0 #10 Nossa senhoraValeska Campos 02-07-2009 13:54
que isso.. loko d+

vc está de parabens

um biomédico que é escitor... tah fácil não hein..!
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