Qua, 26 de Julho de 2006 05:48
Escrito por Valéria OlivettiValéria Soares Olivetti
Três da tarde. Sala de aula de uma escola norte-americana. Vários alunos estão concentrados em copiar a matéria que seu professor passa no quadro negro. O silêncio e a calma reinam na sala.
No entanto, ninguém desconfia que um dos alunos da quarta fileira não está sentindo-se bem. De repente seu estômago começa a ter convulsões, emitindo um som singular. Sua pele se descolore e seus poros eliminam um suor gélido e viscoso. O rapaz dá um grito pavoroso e o aluno ao seu lado tenta se levantar para fugir, mas não consegue: o outro enfia-lhe as garras já crescidas em seu braço, impedindo-o de se mover.
Agora já se pode ver a mutação em todos os detalhes: pele esverdeada, gosmenta, os olhos esbugalhados, mãos compridas e peludas com imensas garras. Mas de todo aquele horripilante quadro, o mais impressionante era a boca: parecia uma grande tijela com baba escorrendo pelos cantos. Sua saliva era muito semelhante a leite com pedaços de morango. A essa hora, o monstro já estava avançando ameaçadoramente em direção ao seu pobre vizinho de carteira. Com sua mão livre ele agarra o garoto a arranca-lhe, repito, ARRANCA-LHE sua mochila. Na mesma hora ele a transforma em meros farrapos. No meio dos bagulhos e livros que caem ele vê o que tanto cobiça: um saco de corn flakes. Ele ataca vorazmente sua refeição. É uma cena horrível.
Em poucos segundos o monstro se transforma novamente em um pacato aluno do segundo grau americano. Todos voltam aos seus lugares, calmamente. Mas todos evitam comentar a transformação do Monstro Corn Flakes. Porque no fundo, bem no fundo, sabem que um dia isso poderá acontecer também com eles. E a aula segue em paz...
Valéria Olivetti
Contos Estronhos -
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