Chovia muito naquela noite e eu estava na sala, lendo um romance de Ken Follett, "Uma fortuna perigosa", tomando uma taça de vinho tinto, com uma coberta sobre as pernas. A cortina estava aberta e os raios às vezes chegavam a assustar um pouco. Relutei em me levantar para fechar as cortinas, pois estava tudo tão confortável que parecia um enorme sacrifício sair dali naquele momento.
Ainda descalço, caminhei até a janela para fechar as cortinas, mas antes de puxá-las, olhei instintivamente para fora, como sempre fazemos durante uma chuva forte, quando parecemos ser atraídos pela água de alguma maneira. O vidro estava muito molhado por fora e um pouco embaçado por dentro, mas foi possível ver um vulto atravessando a rua. Era algo absurdamente grande e forte. Suas formas se confundiam diante das gotas de água escorrendo no vidro, fazendo com que se parecesse com um monstro. Não sei dizer ao certo sua altura, mas com certeza era maior que o portão da casa em frente. Notei quando ele terminou de atravessar a rua e parou por uns instantes em frente a esse portão. Essa figura meio sombria e completamente encharcada, olhou para mim por alguns segundos e chegou a dar um passo em minha direção, mas alguma coisa o fez mudar de idéia, pois seja lá o que fosse aquilo, olhou assustado para a rua de baixo e saiu correndo em sentido contrário.
O mais incrível aconteceu logo em seguida, quando fechei as cortinas e me virei para retornar para minha poltrona. Posso afirmar com absoluta certeza que as janelas estavam trancadas, mas assim que me virei, uma das duas partes da janela empurrou a cortina, trazendo um vento frio e muitas gotas de água gelada. E não foi somente isso...
Pude ouvir agora nitidamente um grito de mulher. Alguém pedia socorro e gritava de maneira apavorante no meio daquela chuva. Me aproximei da janela, que agora tinha também um rastro de sangue misturado as gotas de chuva. Os gritos agora pareciam estar um pouco mais espaçados. Olhei para fora, meu rosto se molhou todo, mas não pude ver nada.
Senti uma dor na cabeça. Alguma coisa me atingiu e agora eu estava ali no chão da sala e tudo estava molhado ao meu redor. Água e sangue. A janela estava quebrada, a cortina rasgada e a polícia estava lá fora. Eu via as luzes e ouvia as vozes de várias pessoas e rádios ligados. Custei pra me levantar.
Da janela pude ver que a chuva parou e lá fora o corpo de mulher jogado sobre o capô de um carro chamava a atenção. Seu corpo bem claro, parcialmente descoberto e manchado de sangue do peito para baixo, estava imóvel. Um policial veio em minha direção. Estava com uma lanterna nas mãos e se aproximou.
Fiz um sinal com a cabeça, mas parece que ele não percebeu. Chamou outro policial e ficaram olhando para minha janela. Novamente acenei com a cabeça, mas nenhum dos dois parece ter visto. Acenei com os braços. Eles então vieram novamente em direção à janela. A luz da lanterna me ofuscava a visão. Tive a impressão que estivessem passando por mim, sem me notar. Pularam a janela.
Eles olharam para o chão molhado e para meu corpo estendido perto da poltrona. Nas minhas mãos eles encontraram um pedaço do vestido daquela mulher.
Naquela noite, chovia muito...

Comentários
Nota do Garibaldo: Ihhh... Aeee... tú é parente do homi né? Ah sim... É a sobrinha de Brasília. Tá explicado. Sóoo... Mó Puxa Ae!
Resposta do Guardião do Estronho: Pior é que eu já estou escrevendo hehehehe
8)
ps. o que aconteceu que vc naum aparece mais no ICQ
ass. Marcio
Parabéns,
Richard Diegues
www.circulodecronicas.com
http://necrozine.blogspot.com
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