Qui, 20 de Agosto de 2009 11:03
Última atualização em Ter, 08 de Setembro de 2009 13:18
Escrito por Iam (Gore) Godoy
“Giallo” é um estilo de filme que teve seu apogeu entre os anos 70 e fim dos 80, onde foram produzidos centenas de filmes com o tema. Até hoje sobrevive principalmente nas mãos do diretor italiano Dario Argento. A palavra “giallo” é amarelo em italiano. Existem livros policiais de mistério na Itália que tinham a capa amarela. Quando começaram a produzir filmes sobre assassinos em séries sendo perseguidos por espertos detetives, a associação com os livros foi inevitável, nascia então um novo estilo na cinematografia italiana, chamado “Giallo”.
A maioria dos “giallos” é parecida, sempre existe um assassino em série (que geralmente é mostrado somente no final, durante a projeção vemos apenas suas mãos vestidas com luvas pretas de couro), um detetive que está na cola desse assassino e mortes chocantes, principalmente de mulheres (sempre com cenas de perseguição antes do ato).

O “giallo” foi muito importante para o gênero do terror. A maioria dos diretores italianos teve sua estréia cinematográfica com “giallos”, produzindo filmes magníficos que sempre exageravam no sangue. Foi tão popular em sua época que chegou a originar o termo “slasher”, tão comum nos filmes de terror dos anos 80 e 90, mas sem o mesmo charme e violência. O precursor do tema foi o grande
Mario Bava com o filme
“La Ragazza che Sappere Troppo” (Evil Eye, 1963). No mesmo ano, em uma parceria com o famoso ator americano
Boris Karloff, Bava viria a reforçar o aparecimento do gênero no seguimento “
The Telephone” na clássica antologia
“I Tre Volti Della Paura” (Black Sabath), lançado em 2004 no Brasil em DVD pela Dark Side. No ano seguinte, Bava viria a dirigir
“Sei Donne Per il Asesino” (Blood & Black Lace), inovando novamente e sendo o primeiro filme policial italiano totalmente a cores. O “giallo” mais importante que Bava fez se chama
“Banho de Sangue” (Reazione a Catena / Bay of Blood, 1971), onde originaria o “slasher” e viria a ser imitado por filmes de sucesso como “Halloween” e a série “Sexta-Feira 13”. Falando nisso, o filme
“Sexta-Feira 13 – Parte 2” (Friday the 13th part 2, 1981), tem todas as suas cenas de mortes “chupadas” do clássico de Bava.

Porém, o nome que mais se destacou dentro do “giallo” é o de
Dario Argento. Esse italiano com jeito estranho e aparência cadavérica tem mais a ver com nós, brasileiros, do que vocês imaginam. Não apenas por ter muitos fãs de carterinha por estas terras, mas por ser “mezzo” italiano e “mezzo” brasileiro. Sua mãe era uma modelo brasileira chamada
Elda Luxardo e seu pai um famoso produtor italiano chamado
Salvatore Argento. A maioria dos filmes de Argento enfocam os assassinos com luvas pretas. Ele começou com a sua famosa trilogia de animais,
“O Pássaro com Plumas de Cristal” (L' Uccello dalle Piume di Cristallo, 1970),
“O Gato de Nove Caudas” (Il Gatto a Nove Code, 1971), e
“Quatro Moscas no Veludo Cinza” (4 Mosche di Velluto Grigio, 1971). Em 1975 filma o considerado, não apenas o melhor “giallo” já feito, mas também um dos melhores filmes do cinema fantástico,
“Prelúdio para Matar” (Profondo Rosso), e continua fazendo os melhores filmes do gênero como
“Terror na Ópera” (Opera, 1987). Em 2001, Argento voltou com toda a força com o “giallo”
“Sleepless” (Non ho Sonno), já lançado em DVD no Brasil.
O “giallo” teve oficialmente seu fim (digo fim no sentido de pararem de lançar vários filmes por ano) em 1979 com o filme
“Pesadelo em Veneza” (Giallo a Venezia), de
Mario Landi, onde esgotava todas as balas que o gênero ainda tinha na agulha, mostrando muita violência gráfica, com uma mulher sendo morta com golpes de uma tesoura em um lugar nada convencional, e abusando das cenas de sexo “softcore”, fazendo com que o filme fique com jeito de “sexploitation”.
E O BRASIL? - Gore tupiniquim

O Brasil não é conhecido pelo seu cinema de terror, sendo mais identificado por pornochanchadas, dramas e filmes de época. Mas é no solo deste nosso país que nasceu um dos maiores mestres do terror:
José Mojica Marins, mais conhecido como
“Zé do Caixão”, ou ainda pelo seu estiloso nome em outros países:
“Coffin Joe”.
Mojica é muito respeitado lá fora e aqui apenas reconhecido por fãs e simpatizantes do gênero. Ele nunca alcançou grande fama em seu país, o que mostra como os críticos brasileiros são preconceituosos com quem tenta fazer cinema honesto. Além de tudo,
Mojica ainda possui uma mente à frente do seu tempo, onde começou a filmar
“À Meia-Noite Levarei Sua Alma” antes do nosso amigo
H. G. Lewis fazer o seu “
Banquete de Sangue”. Mas o filme do
Mojica só pôde ser lançado em 1964, um ano depois do filme do cineasta americano, fazendo com que a produção brasileira não fosse considerada uma precursora dos filmes “gore”.
Com
“À Meia-Noite Levarei Sua Alma” nascia também um dos personagens mais estranhos e bizarros do cinema: o
“Zé do Caixão”. Uma figura mítica, com enormes unhas, capa preta e cartola, e sempre em busca da mulher para procriar seu filho perfeito. O personagem foi bastante utilizado em seus filmes, mas infelizmente acabou virando piada por causa da superexposição na mídia. Quando sua carreira já não estava lá muito bem,
Mojica começou a participar de qualquer filme como
Zé do Caixão. Desta maneira, foram várias as pornochanchadas

, comédias e até pornôs onde o
Zé do Caixão aparecia, além das várias participações na TV em programas duvidosos, fazendo com que hoje em dia o personagem pareça mais um cômico de jeitos exagerados. Mesmo assim a magia da época de ouro do
Zé do Caixão ainda continua e é confirmada na maravilhosa Box de dvd’s (muito invejado pelos fãs estrangeiros), contendo seis filmes do
Mojica e toneladas de extras, lançado pela “Cinemagia”, sendo um item obrigatório para quem gosta de “gore”, filmes de terror, ou apenas de bom cinema.
Seguindo o legado do mestre
Mojica, apareceram outros cineastas com o mesmo interesse no cinema violento, como o diretor
Fauzi Mansur. O homem fez vários pornôs, chanchadas e até um filme com os “trapalhões” Dedé e Didi antes de aparecer com dois filmes totalmente “gore”,
“Ritual da Morte” (Ritual of Death
) e
“Atração Satânica” (Satanic Attraction), ambos de 1990. Outro que se destaca na cena é o catarinense da pequena cidade de Palmitos,
Petter Baiestorf, videomaker totalmente underground que é o responsável por filmes como
“O Monstro Legume do Espaço”,
“Gore Gore Gays” e
“Eles Comem a Sua Carne”. Hoje em dia temos grandes promessas que podem render muito para o cinema “gore” nacional como
Dennison Ramalho. O rapaz dirigiu dois curtas muito badalados,
“Nocturnu” e
“Amor Só de Mãe”, sendo que este último já ganhou vários prêmios e mostra como o cinema brasileiro ainda pode ser criativo e original, fugindo dos tradicionais dramas, comédias românticas e filmes de época.
Temos ainda vários corajosos que metem a cara sem medo de errar como
Fernando Rick, o rapaz por trás da “Black Vomit” (São Paulo) onde ele distribuí os filmes que dirige, como
“Rubão: O Canibal” e
“Feto Morto”. Mais para o sul do país, em Carlos Barbosa (RS), temos ainda o nosso colaborador e companheiro
Felipe M. Guerra, que faz filmes independentes em vídeo, com muita competência e dedicação. Ele criou a “Necrófilos Produções Artísticas” para distribuir seus filmes como a comédia slasher-gore
“Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram Na Sexta-Feira 13 do Verão Passado”. (N.E.: Seu próximo projeto é o curta
“Canibais & Solidão”, ainda em fase de filmagens e produção).
Nossa jornada sangrenta em torno dos “gore movies” está quase acabando. Que tal relaxar e fazer um filminho caseiro em casa? Você não precisa representar e nem decorar texto algum afinal sangue, vísceras e muitos gritos são os únicos requisitos para um bom filme SNUFF...
Veja os trailers de alguns filmes citados acima:
A Meia Noite Levarei Sua Alma
Artigo escrito por Gênesis Cardoso da Cruz e cedido pelo site Boca do Inferno.
FONTE: http://www.bocadoinferno.com/
Coluna Sangria