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“Giallo” é um estilo de filme que teve seu apogeu entre os anos 70 e fim dos 80, onde foram produzidos centenas de filmes com o tema. Até hoje sobrevive principalmente nas mãos do diretor italiano Dario Argento. A palavra “giallo” é amarelo em italiano. Existem livros policiais de mistério na Itália que tinham a capa amarela. Quando começaram a produzir filmes sobre assassinos em séries sendo perseguidos por espertos detetives, a associação com os livros foi inevitável, nascia então um novo estilo na cinematografia italiana, chamado “Giallo”.

A maioria dos “giallos” é parecida, sempre existe um assassino em série (que geralmente é mostrado somente no final, durante a projeção vemos apenas suas mãos vestidas com luvas pretas de couro), um detetive que está na cola desse assassino e mortes chocantes, principalmente de mulheres (sempre com cenas de perseguição antes do ato).

GIALLO - Terror Amarelo
    
O “giallo” foi muito importante para o gênero do terror. A maioria dos diretores italianos teve sua estréia cinematográfica com “giallos”, produzindo filmes magníficos que sempre exageravam no sangue. Foi tão popular em sua época que chegou a originar o termo “slasher”, tão comum nos filmes de terror dos anos 80 e 90, mas sem o mesmo charme e violência. O precursor do tema foi o grande Mario Bava com o filme “La Ragazza che Sappere Troppo” (Evil Eye, 1963). No mesmo ano, em uma parceria com o famoso ator americano Boris Karloff, Bava viria a reforçar o aparecimento do gênero no seguimento “The Telephone” na clássica antologia “I Tre Volti Della Paura” (Black Sabath), lançado em 2004 no Brasil em DVD pela Dark Side. No ano seguinte, Bava viria a dirigir “Sei Donne Per il Asesino” (Blood & Black Lace), inovando novamente e sendo o primeiro filme policial italiano totalmente a cores. O “giallo” mais importante que Bava fez se chama “Banho de Sangue” (Reazione a Catena / Bay of Blood, 1971), onde originaria o “slasher” e viria a ser imitado por filmes de sucesso como “Halloween” e a série “Sexta-Feira 13”. Falando nisso, o filme “Sexta-Feira 13 – Parte 2” (Friday the 13th part 2, 1981), tem todas as suas cenas de mortes “chupadas” do clássico de Bava.

Porém, o nome que mais se destacou dentro do “giallo” é o de Dario Argento. Esse italiano com jeito estranho e aparência cadavérica tem mais a ver com nós, brasileiros, do que vocês imaginam. Não apenas por ter muitos fãs de carterinha por estas terras, mas por ser “mezzo” italiano e “mezzo” brasileiro. Sua mãe era uma modelo brasileira chamada Elda Luxardo e seu pai um famoso produtor italiano chamado Salvatore Argento. A maioria dos filmes de Argento enfocam os assassinos com luvas pretas. Ele começou com a sua famosa trilogia de animais, “O Pássaro com Plumas de Cristal” (L' Uccello dalle Piume di Cristallo, 1970), “O Gato de Nove Caudas” (Il Gatto a Nove Code, 1971), e “Quatro Moscas no Veludo Cinza” (4 Mosche di Velluto Grigio, 1971). Em 1975 filma o considerado, não apenas o melhor “giallo” já feito, mas também um dos melhores filmes do cinema fantástico, “Prelúdio para Matar” (Profondo Rosso), e continua fazendo os melhores filmes do gênero como “Terror na Ópera” (Opera, 1987). Em 2001, Argento voltou com toda a força com o “giallo” “Sleepless” (Non ho Sonno), já lançado em DVD no Brasil.

O “giallo” teve oficialmente seu fim (digo fim no sentido de pararem de lançar vários filmes por ano) em 1979 com o filme “Pesadelo em Veneza” (Giallo a Venezia), de Mario Landi, onde esgotava todas as balas que o gênero ainda tinha na agulha, mostrando muita violência gráfica, com uma mulher sendo morta com golpes de uma tesoura em um lugar nada convencional, e abusando das cenas de sexo “softcore”, fazendo com que o filme fique com jeito de “sexploitation”.

E O BRASIL? - Gore tupiniquim

O Brasil não é conhecido pelo seu cinema de terror, sendo mais identificado por pornochanchadas, dramas e filmes de época. Mas é no solo deste nosso país que nasceu um dos maiores mestres do terror: José Mojica Marins, mais conhecido como “Zé do Caixão”, ou ainda pelo seu estiloso nome em outros países: “Coffin Joe”.

Mojica é muito respeitado lá fora e aqui apenas reconhecido por fãs e simpatizantes do gênero. Ele nunca alcançou grande fama em seu país, o que mostra como os críticos brasileiros são preconceituosos com quem tenta fazer cinema honesto. Além de tudo, Mojica ainda possui uma mente à frente do seu tempo, onde começou a filmar “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” antes do nosso amigo H. G. Lewis fazer o seu “Banquete de Sangue”. Mas o filme do Mojica só pôde ser lançado em 1964, um ano depois do filme do cineasta americano, fazendo com que a produção brasileira não fosse considerada uma precursora dos filmes “gore”.

Com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” nascia também um dos personagens mais estranhos e bizarros do cinema: o “Zé do Caixão”. Uma figura mítica, com enormes unhas, capa preta e cartola, e sempre em busca da mulher para procriar seu filho perfeito. O personagem foi bastante utilizado em seus filmes, mas infelizmente acabou virando piada por causa da superexposição na mídia. Quando sua carreira já não estava lá muito bem, Mojica começou a participar de qualquer filme como Zé do Caixão. Desta maneira, foram várias as pornochanchadas, comédias e até pornôs onde o Zé do Caixão aparecia, além das várias participações na TV em programas duvidosos, fazendo com que hoje em dia o personagem pareça mais um cômico de jeitos exagerados. Mesmo assim a magia da época de ouro do Zé do Caixão ainda continua e é confirmada na maravilhosa Box de dvd’s (muito invejado pelos fãs estrangeiros), contendo seis filmes do Mojica e toneladas de extras, lançado pela “Cinemagia”, sendo um item obrigatório para quem gosta de “gore”, filmes de terror, ou apenas de bom cinema.

Seguindo o legado do mestre Mojica, apareceram outros cineastas com o mesmo interesse no cinema violento, como o diretor Fauzi Mansur. O homem fez vários pornôs, chanchadas e até um filme com os “trapalhões” Dedé e Didi antes de aparecer com dois filmes totalmente “gore”, “Ritual da Morte” (Ritual of Death) e “Atração Satânica” (Satanic Attraction), ambos de 1990. Outro que se destaca na cena é o catarinense da pequena cidade de Palmitos, Petter Baiestorf, videomaker totalmente underground que é o responsável por filmes como “O Monstro Legume do Espaço”, “Gore Gore Gays” e “Eles Comem a Sua Carne”. Hoje em dia temos grandes promessas que podem render muito para o cinema “gore” nacional como Dennison Ramalho. O rapaz dirigiu dois curtas muito badalados, “Nocturnu” e “Amor Só de Mãe”, sendo que este último já ganhou vários prêmios e mostra como o cinema brasileiro ainda pode ser criativo e original, fugindo dos tradicionais dramas, comédias românticas e filmes de época.

Temos ainda vários corajosos que metem a cara sem medo de errar como Fernando Rick, o rapaz por trás da “Black Vomit” (São Paulo) onde ele distribuí os filmes que dirige, como “Rubão: O Canibal” e “Feto Morto”. Mais para o sul do país, em Carlos Barbosa (RS), temos ainda o nosso colaborador e companheiro Felipe M. Guerra, que faz filmes independentes em vídeo, com muita competência e dedicação. Ele criou a “Necrófilos Produções Artísticas” para distribuir seus filmes como a comédia slasher-gore “Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram Na Sexta-Feira 13 do Verão Passado”. (N.E.: Seu próximo projeto é o curta “Canibais & Solidão”, ainda em fase de filmagens e produção).
 
 
Nossa jornada sangrenta em torno dos “gore movies” está quase acabando. Que tal relaxar e fazer um filminho caseiro em casa? Você não precisa representar e nem decorar texto algum afinal sangue, vísceras e muitos gritos são os únicos requisitos para um bom filme SNUFF...

Veja os trailers de alguns filmes citados acima:
 
A Meia Noite Levarei Sua Alma
 
 


Il Gato a nove code
 
 
 
Eles comem a sua carne
 
 
 
Opera
 
 
 
 

 


Artigo escrito por Gênesis Cardoso da Cruz e cedido pelo site Boca do Inferno.
FONTE: http://www.bocadoinferno.com/

Coluna Sangria

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