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Apesar de ser pelotense, passei boa parte de minha infância na cidade de Pedro Osório, no interior na Região Sul do estado do Rio Grande do Sul. Na época contava com uns 10 anos de idade, por volta do ano de 1979. O lugar era pacato, localidade do Cerrito. Éramos cerca de seis amigos inseparáveis. Entre as nossas principais atividades era a de contar estórias de fantasmas, aliás tínhamos, inclusive uma sociedade secreta: a FCF Federação Combatente de Fantasmas. Perto dos trilhos que dava acesso à localidade, próximo da Secretaria de Assistência Social, havia um coqueiro e um matagal, que muitos diziam ser assombrado. Na nossa ingenuidade (que saudade) íamos no fim da tarde, ao escurecer, investigar os prováveis fenômenos. Durante meses fizemos as investigações, vez que outra nossos olhos, sedentos por enxergar fantasmas e assombrações "viam vultos", gritos, etc.., todos eles sabíamos que, na verdade, não passavam de produtos da nossa ima ginação. Porém, numa noite fria de inverno, cerca 21h (a cidade era calma e praticamente inexistia criminalidade), ocorreu um fenômeno que, tenho certeza, marcou a vida de todos nós. De repente próximo ao dito coqueiro, um fogo enorme surgiu, o qual começava no chão e se elevava até mais ou menos 3 metros de altura, acompanhado deum choro, uma esécie de lamento de uma pessoa idosa (pelo tom de voz). Ficamos por algum tempo em estado de choque. Após procurei informações científicas do que poderia ter acontecido. Seria boitatá, uma lenda conhecida aqui no pampa, a qual, na verdade, é um fogo causado por fenômeno químico, oriundo da gordura de animais mortos? Um professor de química me afirmou que, neste fenômeno, o fogo é diferente, o qual se comporta como uma chama fugaz, como um fio de fogo na noite, totalmente diferente do que vimos. Mas, e o lamento?. Outra explicação deu-me um espírita. Disse ele que nossa presença constante no local, somada a e nergia que liberávamos, na ânsia de ver algo, atraiu um espírito brincalhão, ou outro espírito que tentou nos passar uma mensagem, para que transmitíssemos o que ele não conseguiu transmitir em vida. O tempo passou, alguns dos cinco amigos nem sei por onde andam, mas os que encontro, de vez em quando, fazem sempre a mesma pergunta: o quê vimos naquela noite?
Uma coisa é certa: jamais esquecerei aquele dia.



Paulo Ferreira,
Pelotas RS

Comentários  

+2 #1 Bem natural.Alex shayzeman 13-06-2009 08:49
A narração passa a impressão de realidade, pois flui de forma natural. Gostei
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+2 #2 GosteiAntonio Carlos 17-02-2010 04:52
Boa narrativa, causo interessante...Um pouco semelhante à minha infância.
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