Qua, 30 de Julho de 2008 05:37
Escrito por Carlota-BH
Minha avó, que não sabia ler ou escrever, nem mesmo sabia contar historias de Cinderela e Branca de Neve, de quem herdei o nome, e o gosto pelo gênero de terror, era maravilhosa para contar historias tenebrosas.
Pois bem, minha avó, que nasceu e viveu em Montes Claros MG, até mais ou menos seus 40 e poucos anos, me contava, em dias escuros de chuva forte e falta de luz, muito comuns na cidade do interior de São Paulo onde vivi até meus 8 anos, quando então, era preciso acender velas pela casa, historias de terror que me marcaram e impressionaram pela vida a fora.
Em uma dessas, ela me contou que, quando estava já de partida de sua cidade natal para São Paulo, a, mais ou menos 55 anos atrás, recebeu a notícia que um amigo, muito querido, a quem ela não via a um certo tempo, estava em casa “nas últimas”.
Muito triste, minha avó foi até a casa do amigo visitá-lo pela última vez, antes de mudar-se. Lá chegando, encontrou o amigo, na cama, desacordado e muito machucado. Diante desta cena, minha avó perguntou à família, onde e como, o amigo havia se acidentado.
Um familiar, não sei dizer se esposa, mãe ou algum irmão, contou a minha avó que o estado de seu amigo não era devido a um acidente automobilístico, e então, narrou a historia que agora conto a vocês.
Já há algum tempo, este homem, vinha sendo perseguido por sonhos estranhos, toda noite, ele sonhava com uma pessoa, a quem não conseguia ver, que lhe dizia para ir a uma determinada igreja na Bahia e cavar debaixo das escadas de entrada. Lá, encontraria um tesouro imenso! Claro que o amigo de minha avó não deu credito a estes sonhos! Mas comentou com a família, que esses sonhos eram recorrentes e não o deixavam descansar direito à noite.
Fato é que, depois de muito tempo tendo os tais sonhos, o amigo de minha avó decidiu realizar a empreitada e foi para a Bahia. Lá chegando, localizou a “tal” igreja, centenária, feita, como ficou sabendo, por escravos, e foi conversar com o padre. Obviamente, o pároco não aceitou as explicações ou suplicas logo de chegada, foram preciso meses (de acordo com a historia que escutei) para que o padre permitisse a escavação.
A uma determinada profundidade de terra escavada, o amigo de minha avó começou a encontrar o “tesouro” mencionado nos sonhos. Eram pratos, copos, talheres, pentes e diversos objetos de ouro.... Fato é, que encheram sacos e sacos com as preciosidades encontradas. Só que, de um momento para o outro, o amigo de minha avó começou a gritar dentro do buraco, e as pessoas que acompanhavam as escavações começaram a ouvir um barulho de tapas e socos, acompanhados de xingamentos. Pior, ninguém conseguia entrar no buraco para tirar o pobre de lá!
Sabe-se apenas, que depois de muito trabalho e rezas do padre, foi possível tirar o moço, muito machucado e já desacordado, de dentro do buraco, e levá-lo para casa, junto com seu “tesouro”.
O tal parente que contou toda historia, ainda mostrou para minha avó, no mesmo quarto onde estava o moribundo, os sacos do “tesouro” escavado.
Não sei contar a vocês o que aconteceu ao amigo de minha avó, poucos dias após esta visita, ela saiu de sua cidade natal para nunca mais voltar, não manteve contato com ninguém de lá até sua morte em 1988.
Carlota- BH
Causos Diversos
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