Sáb, 04 de Dezembro de 2004 05:34
"O acontecimento que
passo a dividir a seguir com os leitores e o pessoal deste site aconteceu comigo
e mais um amigo meu, que aqui vou chamar Zé, em meados de 1999, na cidade de
Jacarezinho, Estado do Paraná..."
"Eu era recém egresso da faculdade
de Direito e ainda não estava trabalhando, então sempre saía à noite, à pé, com
meus amigos, para tomarmos umas cervejas e conversar. Costumava sempre voltar
para casa após a meia-noite. Numa noite de agosto ou setembro, não lembro ao
certo, eu saí e não encontrei meus amigos na lanchonete que íamos
costumeiramente, então, após uma garoa forte, resolvi voltar para
casa.
Estava retornando para minha casa por uma das avenidas
principais da cidade, sendo esta uma via bem arborizada, com várias construções
um pouco antigas, da primeira metade do século XX, época da fundação do
município, na qual se localizam, à distância de uma quadra um do outro, em lados
opostos da via, a faculdade de Direito e o Colégio Rui Barbosa (se esse cara não
tivesse nascido, metade dos colégios do Brasil não tinha nome), um prédio
grande, que tinha, à época um grande gramado à sua frente, com grandes árvores e
um muro baixo cercando.
Quando passava pela frente desta escola,
encontrei quase na esquina este meu amigo Zé do qual lhes falei acima, o qual
retornava da casa de sua então namorada. Como estávamos sem sono, resolvemos
ficar por ali conversando e nos sentamos no muro do colégio, em frente a um
poste de energia elétrica, de frente para a avenida.
Era perto de
meia-noite e a cidade já estava bem vazia, os ônibus que transportavam
estudantes de outras cidades, que vinham para as faculdades da cidade já haviam
ido embora e quase não haviam carros ou pessoas transitando pela avenida ou vias
adjacentes.
É aí que começa a parte fantástica e horripilante da
história. Subitamente, entretidos na nossa conversa, percebemos que as luzes dos
postes estavam se apagando avenida acima, dos dois lados da via, como se um
"blackout" viesse "caminhando" em nossa direção. Olhamos para a outra direção e
vimos que o mesmo acontecia, como se o "apagão" viesse dos dois lados, como se a
escuridão quisesse colidir com a escuridão.
Terminou por ficarem
acesas somente a lâmpada do poste situado à nossa frente e a do poste logo
adiante, além de uma lâmpada que ficou piscando intermitentemente em um poste do
outro lado da avenida.
O resto era uma escuridão macabra que
cobria toda a redondeza. Percebemos que toda aquela parte da cidade estava às
escuras. Como voltar para casa no escuro não estava nos nossos planos,
resolvemos ficar ali até que a energia elétrica retornasse.
Não
havia mais ninguém na rua e nós ficamos por mais algum tempo conversando,
indagando o que poderia ter dado causa àquela apagão repentino, se fora um
acidente, a chuva, etc.
Foi quando percebemos que havia alguém
vindo em nossa direção, saindo das trevas que se instalavam nas quadras logo
abaixo de onde nós estávamos. No início víamos apenas o vulto de uma pessoa
caminhando devagar na escuridão, do mesmo lado da via. Começamos a delinear, sem
muita atenção e sem comunicarmo-nos sobre a pessoa que vinha se
aproximando.
Quando o sujeito foi chegando perto da esquina do
quarteirão anterior, a mais ou menos uns trinta metros de nós, estando quase que
para atravessar a rua que cruza a avenida, pudemos perceber que era um homem de
estatura mediana, todo de preto; calças, sapatos e uma camiseta tipo regata; um
pouco calvo, tesa grande e que olhava fixamente em nossa direção, um olhar
parado, meio que em transe.
Meu amigo Zé, em tom de ironia,
disse-me em tom baixo: "Só falta ser um viado ou um viciado vindo encher o nosso
saco." Eu lhe disse que então nem olhasse, deixasse o tipo passar
batido.
O mais estranho é que o sujeito andava devagar, parecendo
que andava, andava e não chegava, e pelo que me lembro, continuava com aquele
olhar estático, que a gente percebia olhando assim de "esgueiro" para não dar
"trela" para o tal, até que o mesmo chegou perto da gente.
Foi
quando aconteceu uma das coisas mais estranhas e inexplicáveis que vi até hoje,
tamanha foi a sincronicidade da coisa. Estava o sujeito vindo pela calçada e ao
passar entre nós e o poste que estava à nossa frente, a lâmpada apagou ao mesmo
tempo em que este soltou um grito estridente: "Aaahhhh, trevas, eu quero trevas
nesta cidade hoje..." e continuou andando em frente, com o olhar fixo adiante, e
continuou resmungando umas coisas desconexas, enquanto andava sem olhar para
trás.
Não nego que levei um p... susto, e num primeiro momento,
eu e o Zé também ficamos confusos, olhando um para o outro. Era uma sensação
estranha. O homem deu aquele grito mas nem olhou para a gente, continuou
andando, ignorando a nossa presença (penso que qualquer um, mesmo sendo uma
pessoa meio abusada não iria dar um susto em estranhos durante um "apagão" tarde
da noite, sem ter receio de acabar arrumando uma grande confusão). Isso sem
contar o fato mais estranho, a luz do poste ter apagado no mesmo momento em que
o cara gritou...
Uma coisa que me lembro é que eu usava um
crucifixo pequeno no pescoço, por debaixo da camiseta, e que na hora do grito,
instintivamente eu levei a mão direita sobre ele, como uma reação de defesa a um
mal inesperado.
Enquanto o sujeito, naquele transe, ia andando e
dizendo coisas do tipo "trevas nesta cidade, eu quero trevas, ...", o Zé me
disse, em tom baixo: "Qual é a deste louco, b... dos infernos, eu vou dar umas
porradas nele, filho da p..."
Eu também tinha ficado p... de
susto/raiva/se-lá-mais-o-quê e com o que acontecera, porém, aquilo era por
demais estranho, e para ter feito aquilo, ou o cara era muito corajoso para
pregar uma peça em estranhos, aproveitando uma coincidência, ou este
representava algo de muito estranho.
E o homem caminhava em
direção do outro poste que mantinha a luz acesa. Eu disse ao meu amigo: "Olha só
cara... na boa, pode ser o que for esta criatura aí, um doido, um macumbeiro
chapado, o gramulhão, o que seja, se ele passar por baixo do outro poste e
apagar a luz, é melhor a gente ficar esperto que vai ficar uma escuridão do cão.
Se o cara vier em nossa direção a gente corre, vai que está
armado?!..."
Nisso, o estranho chegou debaixo do outro poste de
energia elétrica, mas ele não apagou. Ele virou-se em nossa direção e continuou
a falar suas esquisitices, ficou dizendo uns troços que não entendi por cerca de
dois minutos, virou-se novamente e foi andando.
Acompanhamos como
olhar o seu trajeto sempre em frente enquanto dissertávamos sobre quem seria tal
criatura; um louco ou uma destas criaturas sobrenaturais como outras tantas, das
quais eu já ouvira falar na cidade.
Quando o ser sumiu de nossa
vista, ao longe, na escuridão, foi quase que instantâneo o retorno da energia
elétrica em todos os arredores.
Prestei atenção em umas coisas
que aconteceram durante este evento e depois dele que contribuíram para dar um
toque mais estranho ao mesmo. Primeiro, logo que o tal sujeito foi sumindo ao
longe, as luzes voltaram tal qual tinham se apagado, em seqüência, em sentido
inverso; segundo, voltaram a passar pela via carros e pessoas a pé, inclusive um
primo meu, sendo que durante todo o tempo em que aquele estranho homem esteve
sob as nossas vistas não aconteceu, pois somente nós o
vimos.
Voltei para casa e encontrei meu pai sentado na cozinha,
fumando e olhando aquele tempo de chuva, pela janela da cozinha, ele perguntou
porque eu demorara e eu disse que tinha ocorrido um "blackout" e ele disse que
não o percebera nas circunvizinhanças de onde morávamos. Eu lhe disse brincando
que achava que tinha visto o "gramulhão naquele dia" e lhe contei a tal
história, ele não deu muita atenção e eu fui dormir
intrigado.
Depois deste acontecimento, nunca mais vi alguém
parecido com este sujeito naquela cidade, morei lá mais dois anos e sempre que
retorno e passo em frente ao referido colégio, lembro-me desta história, e de
outras que ocorreram comigo e meus amigos, que ficam para uma próxima
vez..."
É isso aí amigos estronhos, até mais.
Demônios e Outras Criaturas
Comentários
mais essa história tá me cheirando invensão. ou então foi floreada de qualquer forma o sr. Exu que deve ter topado com seu ononimo escreve bem.
deu até medo de visitar a cidade e olha que moro perto em Londrina.fui.
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