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Quando eu tinha treze anos, morávamos em Maringá, PR num bairro bem novo àquela época, 1984. Quase não havia casas, eu diria que tinha umas 5 casas apenas. O lugar era bastante deserto, mas bem gostoso de se viver. Bem, havia várias casas sendo construídas e muito entulho de construção por perto. Bem ao lado de nossa casa uma mesquita muçulmana estava sendo erguida, enorme, com uma grande torre.

Certo dia, após o banho, eu volto ao meu quarto para me trocar e, como gostava, liguei o som e fiquei de roupão por um tempo, escutando música. Era meados de ano e o frio já congelava por lá. Eu tinha uma pantufa bem peluda que meu pai chamava de “pé de urso”, que eu adorava, pois era bem quentinha! Acabei de enxugar os pés e procurei por ela, pois já estava ficando frio. Dei uma olhada pelo quarto e nada da pantufa. Chamei minha mãe e perguntei por ela, mas também não sabia onde estavam os chinelos peludos. Já um tanto chateada com o fato, decidi colocar um par de meias grossas e ficar assim, mas alguém disse, em minha cabeça, para olhar debaixo das coisas. Sabe aquelas vozes que escutamos às vezes como se fossem nossa própria intuição? Pois então, pra mim, era apenas uma intuição. Olhei primeiro debaixo da cama, novamente, pois já tinha procurado por lá. Nada. Aí, em seguida visualizei a cômoda do guarda-roupa, que ficava um pouquinho acima do chão e meti a mão lá, apalpando pra ver se achava as pantufas e, bingo! Lá estavam elas!!! Que bom!   

Sempre tive o hábito de verificar os sapatos fechados antes de calçá-los, sabe como é, insetos de todo tipo podem resolver “morar” dentro de tênis, botas, pantufas e afins... Entretanto, como já estava agastada com tanto procura-procura, decidi enfiar os pés logo para esquentá-los. Quando estava na metade do caminho para a pantufa, eu parei. Outra intuição: “Bate a pantufa!”. Parecia uma voz me alertando. Naquele momento, pra mim, era apenas a minha consciência e instinto de defesa... mas ignorei de novo, achei que era bobagem. Continuei indo calçar as pantufas. De repente, quando já estava com a ponta do pé direito dentro da pantufa, a voz de novo: “Bate a pantufa!” Parei e venci a preguiça do momento, acedendo ao pedido da suposta intuição e peguei a pantufa na mão, virei para baixo no chão e dei três batidas, como para ver se tinha alguma coisa lá dentro. Tal foi minha surpresa quando um escorpião caiu no chão e veio correndo para meu lado. Saí do quarto correndo, ainda meio vestida, com frio e gritando: Manhêêê!!! Um escorpião na minha pantufa!!! Meu irmão mais velho veio correndo e deu fim no bicho.

Foi uma lição pra mim. A partir deste dia, procuro dar mais ouvidos às minhas intuições. Com o passar dos anos, fui aprendendo muitas coisas do mundo sobrenatural e hoje acredito que muitas de nossas intuições são, na verdade, “sopros de anjos” nos protegendo, nos alertando. Sinais devem ser escutados e analisados. Nem sempre são bobagens. Por muito pouco eu não fui picada por escorpião. Por muito pouco não passei por dores lancinantes e ou até coisa pior. Todo esse relato minucioso que aqui escrevi, o momento da decisão de colocar as pantufas ou não, ocorreu em, no máximo, 40 ou 50 segundos! Então, às vezes, bastam segundos para mudar o curso das coisas!

Comentários  

+1 #1 Kinha - SPKinha 19-08-2009 12:06
Puxa vida que história bacana!! as vezes são paranóias nossas, mais varias vezes anjos bons nos protege mesmo!!
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