Sex, 02 de Junho de 2006 18:51
Escrito por Predador
Já passei por algumas experiências junto ao estronho e sobrenatural, mas claro que sempre a que mais marca, é a primeira... Minha primeira experiência foi no município de Miguel Pereira, interior do estado do Rio de Janeiro.
A Prima de minha mãe, tinha uma ótima fazenda em Miguel Pereira, cidade onde meus pais posteriormente, comprariam um sítio! E onde viveria mais experiências com o sobrenatural, mas isso fica para mais tarde!
A fazenda da prima de minha mãe era bem ampla., cortada por um rio, onde no lado direito da propriedade se fazia uma pequena corredeira. Eu era pequeno na época, em torno de 6 anos de idade, e minha prima, neta da dona da casa, tinha uns 4 anos. Tinha-mos como companhia constante o Rogério, filho da caseira, que era uns 3 anos mais velho que eu. As vezes, como toda criança arteira, íamos para a outra margem do rio, e ficávamos vendo os animais que tinham lá, em um chiqueiro e um curral. Como a fazenda ficava em um vale, tendo a estrada mais alta no lado oeste do sítio, e um morro atrás, logo que atravessávamos o rio, o terreno começava a se elevar, e tinha algumas trilhas que subiam o morro, levando à horta, aos animais e para a direita, às casas dos empregados. Passando a casa do caseiro, a trilha ficava bem estreita e começava a descer, visto que era pouco usada. Do alto, ao lado da casa do caseiro, assim como da estrada, que era do outro lado do rio, como já citei, era mais elevada que o terreno, éramos capazes de visualizar um telhado, parcialmente escondido pelas bananeiras que haviam no local e bem próximo da margem do rio. Morria de curiosidade de chegar até aquela casa, mas nunca nos autorizavam. E Rogério parecia ter medo de ir lá.
As vezes, como existiam muitas bananeiras na fazenda, um empregado vinha trazendo um cacho, e logo a prima de minha mãe perguntava se era do chiqueiro, do mourão ou do Chico Velho. Fiquei intrigado, quando numa resposta positiva do empregado, das bananas serem do bananal do Chico Velho, pois o tinha visto retirar as bananas da área do casebre abandonado. Minha mente de criança estava a mil por hora. Nesse final de semana, Rogério, nosso companheiro e guardião, estava na cidade tirando o gesso do braço que havia quebrado umas semanas antes, o que me deu a oportunidade que queria.
Corri para a ponte e ao cruzá-la, reparei que minha priminha teimava em tentar acompanhar meu ritmo. Peguei-a pela mão, e a fiz prometer não contar a ninguém aonde íamos. Ela assentiu com a cabeça, e corremos para depois das casas dos empregados, pela trilha que descia. E por entre as bananeiras, vimos a cabana do Chico Velho. A porta estava destrancada, e o barraco estava muito empoeirado e com forte cheiro de mofo. Como eu e minha prima éramos muito alérgicos ao mofo, pedi que ela me esperasse do lado de fora. Corri a pequena casa de um único cômodo com o olhar curioso. Lá estavam, um banquinho de madeira, pintado de branco, uma cama bem velha de madeira, bem rústica, com um colchão de palha bem rasgado. Um armário velho e bem maltratado, revelava apenas uma camisa caída no fundo, e um pequeno fogão de lenha. Quando lembrei que a casa era próxima ao rio, e que minha prima estava sozinha lá fora, corri para vê-la, mas não a encontrei. Quando me precipitei pela trilha que lavava às margens do rio, vejo-a chegando com um senhor, negro, de cabelos e barbas brancas, camisa rasgada nas axilas e costas, com um chapéu de palha, fumando um cachimbo, e com uma calça azul, suja de barro.
Ele olhou pra mim, e falou com aquele jeito bem interiorano de falar, "Ô mininu, cuida da tua priminha que fui buscá ela lá nu riachu, volta pra casa que a mãe dela e a tua tão preocupada."
Pensei que aquele homem iria ficar bravo por eu ter estado em sua casa, e que provavelmente não gostava de companhia, por isso não éramos autorizados a ir lá.
No dia seguinte, novamente o empregado trás bananas do bananal do Chico Velho, e perguntei a ele se o Chico Velho não ligava de pegarem as bananas dele. Todos riram, e então explicaram que o Chico Velho era um ex escravo, e que depois de alforriado, foi viver naquelas terras, chegando a trabalhar para o antigo dono daquela fazenda. Havia morrido muitos anos antes. Fiquei assustado, mas todos pensaram que era porque achava que podia ter um fantasma na fazenda, mas eu estava assustado, porque eu tinha falado com o fantasma da fazenda. Anos mais tarde, contei a história toda para minha prima, que diz se lembrar do homem pegando-a pela mão na beira do rio e conduzindo-a e conversando com ela. Esse era um fantasma bom, que estava lá para fazer o bem, não tenho medo de lembrar dele, e rezo que tenha descanso e paz.
Fantasmas Amigos
Comentários
Predador, vamos ver se temos alguma história em comum!!! :D
Assine o RSS dos comentários