
Conheça um pouco mais do talento e da criatividade desse excelente artísta, que está sempre buscando inovação em suas obras. Uma grande diversidade de materiais e muita originalidade em seus trabalhos. A entrevista foi originalmente dada ao blog "Contos e Cantos Obscuros" e é compartilhada aqui para os meus estronhos leitores, com a autorização de R. Raven e do próprio Wagner Moloch, a quem agradeço pela oportunidade de enfeitar o Estronho com as imagens de suas obras nesse artigo.

A ENTREVISTA
R. Raven - Obrigado por nos oferecer um pouco do seu tempo para esta entrevista.
W. Moloch - Agradeço o chamado nessa noite de domingo, estava eu lá fora observando a anatomia da constelação de escorpião, me maravilhando com o universo, me entregando ao grande fascínio que tenho por ele, ainda mais neste período do ano em que podemos observar melhor, pois o céu fica mais limpo, sem nuvens e com uma boa extensão da Via Láctea visível. Bom, voltando hehe, estou disponível para seus questionamentos.
R. Raven - Seus trabalhos geram um certo desconforto aos tradicionalistas. Poderia citar-nos algumas de suas referências ou tudo é fruto de uma explosão criativa?
W. Moloch - Impossível dizer que outros artistas não me inspiraram e ainda continuam me gerando emoções com suas obras, mas procuro não me basear ou usá-los indiretamente, preciso respeitar seus trabalhos. Uma grande saudação a Dali, Bosch, Bruegel, Magriti, Dean, Mckean, Giger... dentre outros tantos, e uma grande saudação aos que se sentem desconfortáveis frente a minha pessoa ou a minhas criações, é importante causar sensações diversas nas pessoas, o impacto é muito bem vindo, tocar no íntimo seja como for.
Meus momentos de criatividade surgem nas mais variadas situações e ambientes, mas se eu sentar e me dizer, “hoje preciso trabalhar” não funciona, nada comigo funciona de forma automática, mesmo pra eu dar continuidade da reforma da minha sala está complicado hehe, aguardo surgir o motivador para iniciar, a idéia estopim, o ponto de partida é sempre inesperado, mesmo nas encomendas, o que para muitos pode parecer enrolação, na verdade é um preparo e aguardo de que venha a idéia ideal para gerar a sua obra.

R. Raven - Os materiais utilizados em suas criações são de origem orgânica ou industrial?
W. Moloch - Ambas o orgânico vem dos despojos de animais que encontro por minhas caminhadas, e este espólio que a natureza me oferece é muito bem recebido e trabalhado de uma forma bem particular, uma vez que não me baseei em nada para iniciar meus trabalhos com ossos a 9 anos atrás, o industrial tem a mesma origem praticamente, o que o ser humano joga fora, suja sua morada que é planeta Terra eu absorvo para as meus interesses artísticos, ou seja, contribuo pouco nesse sentido, mas minha parte eu faço para a não sujeira do planeta hehe, unindo ambos materiais descartados, surge o que faço hoje em dia, nesta minha breve passagem pelo mundo algo deixarei, um legado, em benefício ao pensador e não apenas do apreciador da obra, o que entender o que quero com este questionamento muitas vezes altamente contundente, quem absorver e começar a questionar de alguma forma também, rompendo a barreira da limitação que lhe impuseram, que afirmo que isso acontece por permissão de cada um.
R. Raven - Em algum momento você teve sua obra comparada à do artista sueco H.R. Giger?
W. Moloch - Poxa, já fizeram essa comparação, sei lá, digamos que elas moram no mesmo bairro, mas não são parentes sabe, até porque uma mora em uma mansão de quase um quarteirão e outra em uma quitinete hehe, mas não diria que eu chego lá, não tenho pretensões, apenas quero continuar criando e digamos, parindo minhas obras a minha forma, com o meu padrão e alterando quando sentir a necessidade, caminhando pela lama ou asfaltao, me adaptando, fortalecendo, chorando, seja lá como for o momento e a forma de desenvolvê-la, só preciso continuar em frente.
Apesar que a inconstância atualmente é forte, posso cair em contradição e parar com tudo amanhã, com a velha frase”nunca sabemos do dia de amanhã” ... a morte mesmo pode chegar no segundo seguinte a este, procuro respirar, sentirei saudade do ar quando me for...

R. Raven - Já apresentou suas obras em workshops ou optou por uma divulgação mais alternativa?
W. Moloch - Sim, inclusive em evento de ufologia internacional, no Madame Satã e Salamandra em São Paulo, mas atualmente opto pelo formato mais underground, e digamos cômodo, tive alguns prejuízos com exposição, só aceitarei as que ao menos derem uma boa estrutura e transporte adequando, frustrante voltar com trabalhos quebrados pra casa, é como voltar com filhos machucados, sinto grande afetividade pelos trabalhos, pois cada um tem seu momento marcado quando foi concebido, mas preciso trabalhar mais esse meu apego, uma vez que trabalho exclusivamente com minhas esculturas.
Recentemente fui entrevista e citei como gostaria de fazer uma exposição, e repito aqui, uma expo com baixa iluminação, sombrio mesmo, quase total escuridão, com spots ou luz de vela apenas direcionada nos trabalhos, com algumas pessoas estranhas circulando pelo ambiente ... mas essa idéia seria para um lugar grande, com cômodos por exemplo, mas na entrada alguém desprovido de algum membro, ou um anão, ou uma pessoa muito feia aos moldes sociais...não seria um chocar gratuíto, mas uma idéia de dar oportunidade de aparecer a pessoas assim, mostrando que tanto nós artistas como eles tem essa mesma dificuldade em oportunidades públicas. Estrear em um dia santo, marcante ... trilha sonora fúnebre ambiente, estranha...Diamanda Galás, Equimanthorn, sons de atmosferas carregadas, e mesmo iniciar a exposição as 18 hs... mágico seria, mesmo que em uma curta temporada.
R. Raven - O quê poderia nos apresentar do músico Wagner Moloch?
W. Moloch - Bom, eu não tenho uma formação musical oficial, mas assim como na escultura, o autodidatismo é meu forte, se quer vá lá e o faça. Participo de uma banda que reproduzimos música dos Pink Floyd em uma banda chamada The Lunatics, um ótimo Hobby, uma vez que é uma banda número 1 em conceito musical pra mim,Pink Floyd comparo ao ar que respiro, e também enfim estou conseguindo desenvolver um antigo projeto de música obscura chamado Naberus, com o Ricardo Santos do The Downward Path e In Auroram, rolou a química musical e estamos lentamente trabalhando nos sons, ainda tenho umas idéias mas que aos poucos irão se concretizando nesses 120 anos de vida que terei hahahahaha
R. Raven - Você é conhecido pelo seu gosto à música extrema. Isto é verdade ou você possui um gosto musical diversificado?
W. Moloch - Não sou extremamente radical ao preto e branco, ouço apenas bandas extremas e undergrounds, da mais ríspida e incompreesível sonoridade hahaahah... não, definitivamente não me limito, muito menos musicalmente, aprecio desde Agalloch, Arcturus, Esoteric, Equimanthorn e Hefeystos a Tears For Fears, David Bowie, Depeche Mode, OMD, Simply Red , passando também por Darkthrone, Burzum, Samael, Absu, Falckenbach, música folclórica de diversos países, trilha sonora, música clássica, psicodelia, Goblin, Pink Floyd, The Alan Parsons Project, Kraftwerk, Tangerine Dream, Isao Tomita, Vangelis, Jean Michel Jarre, músicas do Atari, nintentinho, minimalismo, algo do Jazz, Blues, Rock N’ Roll em geral... difícil classificar o que uso aqui na minha sala pra gerar meu buraco negro particular, mas acredito ter dado alguma base do que ouço.

R.Raven - Sobre o seu mais novo projeto ... quais foram suas maiores influências?
W. Moloch - Puxa, em Naberus descarregamos principalmente nossos sentimentos mais profundo, cada um com suas experiências em psicodelia, tristeza, sentimento de estar a deriva no espaço, do eruditismo ao minimalismo, anticristianismo, e assim se segue, não vou adiantar muito, mas acreditem, quando pronto enviaremos para a apreciação.
R. Raven - Em quais dos fatores de sua vida profissional você obtém mais retorno? Na artística ou na musical?
W. Moloch - Trabalhar é só com minha escultura, e com capas de álbuns que para algumas bandas, o restante que faço é Hobby mesmo, prazer em liberar e reproduzir idéias pessoais e de bandas que aprecio, às vezes tocar na noite, raramente.
R. Raven - Agora um pouco da vida pessoal de Wagner Moloch. A religião é para você apenas um suporte literário ou você costuma ir mais além?
W. Moloch - Religião eu considero como a abstenção do pensamento evolutivo e a inaptidão de se realmente tomar o caminho do conhecimento e desenvolvimento de sua personalidade, uma vez que a pessoa se limita a seguir um conjunto de idéias pré estabelecidas e a crer nas respostas absolutas que as religiões oferecem, e em sua pseudo imagem de bondade, acaba por podar sua oportunidade em atingir um objetivo mais produtivo para você e para os que te rodeiam, eu extraio o que me é interessante de várias fontes, moldo-me mediante o conhecimento que vou adquirindo, não sou temente a deus, não tenho gurus ou mestres, sou meu líder e condutor, e responsável por minhas ações, trilho e faço o meu caminho, sem medo do desconhecido, não quero ter minha imagem limitada a nada. Buscar, questionar e a deus ignorar, receita básica para quem quiser se maravilhar por existir, saber que nossa sobrevivência nesse planeta pode ser passageira, uma vez que estamos em rota de colisão com os mais variados corpos celestes, sem nenhuma proteção divina (vide o padre que se foi em balões hehe) , precisamos é aprender a valorizar as coisas pelo que elas são e não dar créditos a um improvável criador, estaria apenas dando respostas conveniente a questões mais complexas.
Querem uma resposta mais aprofundada sobre? Entrem em contato comigo.
R. Raven - Suas obras costumam apresentar um certo transcedentalismo. Você acredita na existência e no retorno da alma?
W. Moloch - Ligado ao tema acima, reforço na minha postura de buscador, com o ceticismo ligado, mas não me limitado a não crer, absorvo muito sobre ufologia, astronomia, universos paralelos e alternativos e transcomunicação intrumental, ou seja : formas físicas de ter contato com seres do além ou desencarnados, a forma como se cita alma ainda é muito vaga e romântica, tentando se adequar algumas respostas a questões mais complexas, não posso afirmar se temos uma energia extra corpórea, que anima nosso corpo, mesmo já tendo experiências transcedentais com projeciologia, mas não sei até que ponto foi real ou projetei minha consciência, o que também seria extraordinário, uma vez que mal sabemos usar nosso cérebro. Só posso dizer que estou na busca...

R. Raven - Você é declaradamente um ufólogo amador. Já teve algum tipo de experiência neste setor?
W. Moloch - Só corrigindo, todos ufólogos são amadores, pois não há uma formação oficial sobre o tema, não há investimento ou retorno financeiro, apesar que muitos ganham com livros, DVD´s, revistas, palestras e assim por diante, tenho algumas experiências significativas, mas são um tanto longas, por isso deixo aqui o link de minha comunidade no orkut sobre meus relatos particulares e de uma aparição recente aqui na cidade de São José dos Campos que tem dado bastante o que falar.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45922645
R. Raven - Suas páginas na web demonstram que você costuma viajar muito. O que move este espírito aventureiro?
W. Moloch - O lugar mais interessante que possa estar é no interior da minha mente, em meus momentos de psiconautismo (nem sei se posso flexionar tanto o termo assim eheh{Isso, cogumelos e essas coisas caóticas}) mas o que me move é a vontade em aprender, tocar, sentir, cheirar os lugares que aprecio, não posso ir a tantos, mas faço o possível para ir onde quero, já fui mais aventureiro, passo um momento um tanto recluso atualmente, devido a inúmeros fatores, mas regresso em breve ao meu verdadeiro Eu.
R. Raven - Sei que é uma pergunta difícil, mas qual de suas obras você fez com um gosto todo especial e qual nunca repetiria?
W. Moloch - Realmente difícil, mas posso dizer que Moloch e Hermeticum são as que busquei mais fundo, no âmago do meu ser, não pelo grau de dificuldade, pois ainda não fiz nada extremamente desafiador, mas pelo sentimento no momento em que foram geradas. Fortes representatividades para mim.
R. Raven - Obrigado novamente por esta gratificante conversa e certifique-se de que a Ravens House estará sempre aberta para suas criações.
W. Moloch - E estarei sempre aberto a qualquer coisa que Ravens House me requisitar, absorvam o cosmo senhores.






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http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3218536
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