Gianpaolo Celli, um dos NecroAutores do Necrozine, recentemente ministrou uma palestra sobre o "Mito Vampírico" na Parque Trianon, em São Paulo.
Gentilmente, Gianpaolo autorizou a publicação, aqui no Estronho, do material utilizado por ele nessa palestra. Agradeço também a Camila Fernandes pela ajuda e o contato com Gian.
O Mito do Vampiro (Palestra)
Gianpaolo Celli
Eu creio que nossa primeira questão deveria ser ?O que é o Vampiro?' ou ?O que vem a ser o mito do vampiro?'
O que vem a ser a figura do vampiro que mitos, lendas e folclore trouxeram até nós?
Em praticamente todos os documentos sobre o assunto, sejam eles folclóricos ou históricos, o chamado ?vampiro mitológico' é um ser que voltou da morte (morto-vivo ou undead), tornando-se assim imortal. Na realidade ele é apresentado como um predador imortal, um monstro que mata para conseguir o sangue (?vitae') que precisa para manter seu corpo. Para conseguir esse sangue ele pode se transformar em animais, como o lobo e o morcego.
Apesar de não constar nas lendas originais, o imaginário moderno fez do vampiro um ser que, em vez de somente preferir a noite, teme o sol, podendo ser, inclusive, morto por este.
Esta breve analise nos dá pistas importantes sobre este ser. São elas:
- O vampiro já está morto, não podendo então morrer de novo de maneiras naturais. É um imortal portanto, alguém que, como o ?Iniciado', ou ?Iluminado', venceu a morte e continua apesar dela. Ele, então, pode ser comparado a uma deidade.
- Ele precisa roubar seu alimento, matar para sobreviver. - Até aí todos nós precisamos, até as plantas, que em parte vivem de luz solar, puxam seus nutrientes da terra, "matando-a". - A questão, na verdade, se resolve quando simplesmente trocamos a palavra sangue por ?vitae', ou energia vital. O vampiro passa a ser, então, um ser que se desligou das fontes de alimentação naturais (o ?prana' do Sol, a energia da Terra e dos alimentos), não conseguindo mais processar seu alimento, criar sua própria energia. Deste modo ele precisa ?roubar' o ?vitae' de uma fonte pura para se manter.
- O vampiro não pode andar ao sol. Apesar de isso não possuir muita comprovação, sendo muito mais uma visão do cinema do que algo proveniente das lendas e folclore antigos, o vampiro definitivamente é um ser noturno, ligado muito mais à Lua, ao passivo, do que ao Sol, o ativo.
- Assim como possui ligação com noite, o vampiro também possui o dom da metamorfose em animais com preferência noturna. Pode transformar-se tanto em lobo como em morcego.
O dom da metamorfose é algo interessante, pois é muito comum em mitos de praticamente todas as culturas e mostra uma ligação intensa com o divino. No mito de Taliesin, por exemplo, tanto Cerridwen, como Gwion Bach, após haverem tomado a poção da sabedoria, possuem o dom de transformar-se em animais.
Da mesma maneira, este dom, se analisado psicologicamente, pode ser considerado como um contato com nosso lado primal, o instinto, o inconsciente.
O que será que podemos tirar de tudo isso?
Diversos estudiosos consideram o vampiro como um ser que conseguiu alcançar a vida eterna sem, no entanto, atingir a iluminação. Um tipo de espiritualidade contraditória (terrena ao invés de divina) que procura evitar a morte física, mantendo os instintos e os impulsos selvagens do homem para uma segunda existência. Deste modo, ele exatamente se coloca de forma oposta à espiritualidade libertadora do Iluminado, que parte as amarras e faz entrar em comunicação/união com o divino.
Assim, na visão cristã, o vampiro conseguiria, através de magia negra, um tipo de eternidade fictícia, uma espécie de estado letárgico intermediário. O vampirismo seria, então, algo como uma doença da alma. O paganismo, desprovido da questão do maniqueísmo (bem e mal absolutos), vê o vampiro como contrário ao natural, à idéia da vida, morte e renascimento; algo à margem da natureza, usando-a, mesmo que fora dela.
Em suma, de um ponto de vista ou de outro, o vampirismo é tido como algo errado.
Historicamente a relação com os Santos
Um ponto curioso: a relação de como foram encontrados os cadáveres de pessoas acusadas de vampirismo e sua relação com os corpos dos santos.
Em vários casos de vampirismo, quando o túmulo do dito vampiro é aberto, o cadáver, que deveria estar decompondo, se não já houver virado pó, encontra-se em perfeito estado de conservação. Mais do que isso, inclusive: muitas vezes o corpo exala um perfume agradável. Cientistas tentam explicar o fenômeno da não-decomposição usando a composição do terreno, as variações de temperatura do subsolo, como causadoras do fato. Mas, e o perfume?
Pior do que isso: diversos santos cristão apresentaram um bom estado de conservação mesmo séculos após seu sepultamento. Conta-se que "Imediatamente após a morte de S. Francisco Xavier, em 2 de Dezembro de 1552, seu corpo foi colocado num caixão cheio de cal viva (para que sua carne fosse consumida mais rapidamente). Entretanto, em 17 de Fevereiro de 1553 (77 dias depois), as autoridades religiosas abriram o caixão e, ao retirar a cal que lhe cobria o rosto, este se encontrava rosado, como se o santo estivesse apenas dormindo.
O que isso pode ser? Será realmente o vampirismo um tipo de iluminação invertida?
O Vampiro na História
O ponto, entretanto, muito mais do que simples seres de contos de fadas, de mitos e lendas (os quais muitas vezes possuem algo de real) é que os vampiros existem em documentos históricos, em processos documentados, tanto muito antigos (mais ainda do que em 1310, quando Filipe, o Belo, seguindo o concílio de Troyes, mandou exumar um cadáver e mandou que seu corpo fosse lançado ao fogo mesmo um século depois da sua morte), como recentes (em 1974, quando os casos de vampirismo no cemitério de Highgate ficaram famosos).
Mortos-vivos, na realidade, são uma presença constante em culturas do mundo inteiro (tanto do velho como do novo mundo, em culturas modernas e antigas), quase provando a exitência destes seres
Sem dúvida nenhuma o mais famoso dos vampiros foi Drácula, definitivamente apresentado ao mundo por Bram Stoker. Mas Drácula não foi o primeiro e nem será o último vampiro. O que, então, faz dele um caso tão especial?
Vlad Tepes (ou Vlad Empalador) também conhecido como Drácula (Filho do Dragão), foi uma pessoa real, tanto no sentido de realidade como de realeza. Nascido na cidade de Sighisoara (Schassburg), na Transilvânia, em 1431, o príncipe Vlad foi, como seu pai, investido na Ordem do Dragão, uma organização semimonástica e semimilitar cujo objetivo era combater os turcos. Não foram somente os turcos suas vítimas pois, ao subir ao poder após o falecimento de seu pai, o príncipe transformou diversos aliados em inimigos, atacando e destruindo tudo que encontrava a sua frente. Foi nesta época, entre 1457 e 1460, que ele deleitou-se com fartas refeições feitas em meio a seus inimigos que, empalados, apodreciam ao sol.
A ligação do Leste Europeu ao vampirismo, entretanto, não é só essa. Muito antes do termo vampiro ser criado, nesta terra de picos escarpados e florestas insondáveis, fronteira de culturas e religiões, lar de gregos e turcos, ciganos e romenos, todo folclore e a mitologia se mesclaram, criando seres como o Mulô, os Ghouls (Carniçais), a Lâmia, o Vrykolaka ou Vorkolaka, e o Upier.
A ligação histórica do Vampiro com o Dragão (os Dácios)
Isso tudo, entretanto, não nos diz nada sobre se realmente vampiros existem, e se realmente Vlad Drácula foi um deles. Há entretanto, uma ligação muito mais antiga desta região com seres imortais cuja força vem do sangue do Dragão. Muito antes de grandes senhores como Drácula, Garal, Cillei, tão ligados ao vampirismo, habitarem a Europa Oriental (em especial a Transilvânia, Valáquia e a Romênia, regiões também ligadas ao vampirismo), estas terras eram habitada por pelos Dácios.
Reza o folclore grego que eles, além de conhecerem o dom da transformação em animais (em especial em lobos ou morcegos), também bebiam sangue (alimento segundo o qual lhes concedia a dádiva da imortalidade).
Os deuses dos Dácios, inclusive, eram muito parecidos com a figura horrenda do que hoje conhecemos como Nosferatu (eram répteis de pele alva, sem pêlos, tinham dentes brancos e pontiagudos, e um olhar sedutor como a serpente). Além disso, rezam as lendas que os estandartes que os Dácios levavam para guerra traziam nada menos do que a efígie do dragão.
Mais uma figura surge forte no "mito histórico" do vampiro, o Dragão, estandarte de Vlad Drácula e também do antigo e misterioso povo que viveu antes dele na Europa Oriental. Que relação, entretanto, poderia ter a figura mitológica do Dragão com o Vampiro? Creio que podemos dar uma olhada...
Análise mitológica da figura do Dragão
O cristianismo vê o dragão como um ser ligado às forças diabólicas, à terra. O dragão é a alma presa à matéria, o espírito que nunca conhecerá a purificação, a ascensão, a iluminação.
Será que isso está certo? Ou ainda, será que é só isso? O dragão aparece em diversas religiões, em diversas culturas, muitas delas não-maniqueístas. Na mitologia nórdica, na raiz mais profunda de Ygdrassil, a árvore que cruzava os mundos, que dava alimento e abrigo à todas as coisas, ficava o dragão Nidhogg. Da mesma maneira, para os babilônicos, tanto a terra como o céu foram criados do corpo de Tiamat, a deusa-mãe dragão, quando ela engoliu Marduk, o deus-rei, e de dentro dela, (do dragão, do inconsciente) ele consegue destruí-la, criando com seu corpo tudo que existe.
Na cultura oriental, as linhas energéticas que atravessam o planeta (conhecidas por nós como ?linhas de Ley') são chamadas "veias de dragão", assim como a energia que vem de dentro da terra seria o "sangue do dragão".
No País de Gales, essa figura aparece inclusive na bandeira: o dragão vermelho, estandarte de Arthur, a energia da Terra, a soberania.
Por fim, nos contos de fada o dragão surge como o ser que vive nas entranhas da terra, cospe fogo e protege um imenso tesouro.
O que é, então, esta misteriosa figura? A visão mitológica do Dragão e o da serpente com asas, o ser que une a energia terrena e a espiritual. Ele é a força que existe abaixo do eixo do mundo (macrocosmo), logo abaixo da espinha e do kundalini, a energia que devemos elevar para alcançar a iluminação (e a imortalidade).
Não é no pescoço, inclusive, que o vampiro morde? A parte do corpo em que a coluna, onde a energia do kundalini ficaria mais exposta quando ela se elevasse iluminando os chakras, ou pontos de poder.
Vampiros reais: O Vampiro Esotérico
De qualquer maneira, apesar de fazer ligações muito interessantes entre o vampirismo e as sendas iniciáticas, ainda não saímos muito da literatura, do folclore e da mitologia. Vamos então buscar algo mais palpável, mas real.
Houve casos em que, além de existirem suspeitas de vampirismo, quando se desenterrou o corpo do suposto vampiro, este se encontrava, como já dissemos, em perfeito estado de conservação. Será, entretanto, que o defunto conseguiu sair de lá com seu corpo ... físico?
Bom, os esotéricos possuem uma excelente explicação para a existência do Vampiro. Para eles, essa criatura seria alguém que, apesar de haver morrido, mantém seu vínculo com o nosso plano de existência. Ele, então, utilizando seu corpo energético (etéreo e astral), rouba ?vitae', que, dependendo da explicação, pode ser sangue (como nos mitos) ou energia vital, dos seres vivos, para manter seu corpo físico intacto e ficar no plano físico.
Interessante explicação, não é? Bem mais plausível para o mito do vampiro morto-vivo, do que alguém saindo fisicamente de sua tumba em busca de sangue. Isso resolve, inclusive, a questão de como o ?vitae', e não sangue, consegue penetrar por todo o corpo do vampiro sem a necessidade de que o coração esteja batendo ou que as veias estejam funcionando. O vampiro então é um ser que, apesar de morto, mantém sua consciência, possui um corpo que pode vagar (e tornar-se denso, de acordo com a vontade), rouba ?vida', e ainda assim pode voar, desaparecer, ?transmutar' em formas animais (ou temporariamente roubá-las, talvez), e ao ser surpreendido, voltar (como alguns mitos colocam) imediatamente a seu caixão, onde será encontrado com o frescor de um ser adormecido (devido à existência da energia vital).
Esta parece ser a chave-mestra que soluciona nosso estudo, que corrobora tanto com a história, como com os documentos, o folclore e os mitos. Isso não é o final, entretanto, pois há um outro tipo de vampiro sobre o qual eu quero falar.
Vampiros Reais: o Vampiro Energético
Dentro do tópico ?Vampiros Reais' ainda temos o famoso (ou infame) ?Vampiro Energético', tão comentado em revistas de Nova Era, tão comentado em sites da internet. Este ser não é um morto-vivo, mas uma pessoa que, por algum motivo (segundo as fontes que o apresentam), teria um desequilíbrio energético extremo, de modo que precisa, pelos mais diversos meios (consciente ou inconscientemente) roubar a energia do meio (de pessoas, grupos, da natureza) em que vive. As mesmas matérias que nos apresentam estes ?primos pobres' dos vampiros, normalmente nos mostram também como evitá-los (cruze os braços, imagine um círculo de proteção em volta de você etc.).
Uma questão: existe mesmo este vampiro energético? Ou seria somente besteira? Não me cabe aqui julgar, ou defender pontos de vista. Cada um considere a questão da maneira que preferir, eu estou aqui para apresentar fatos, teorias, histórias, para que você mesmo tome sua decisão. Uma coisa real, entretanto: todos os seres naturalmente trocam energia com o meio. Doam e recebem. Seja da Terra, do Sol, da Lua, seja das plantas. Praticamente todas as religiões (e alguns ramos da ciência também) nos apresentam o universo como algo cheio de energia, seja ela física, como a luz e o calor, seja ela psicológica (ou energética, espiritual), que o que a psicologia chama de ?inconsciente coletivo', uma corrente que une sentimentos, pensamentos, nossos inconscientes individuais, o local de onde viriam nossas inspirações.
Será então que alguém não poderia precisar de uma quantidade muito grande de energia que sugasse muito mais do que doasse? Será que essa pessoa não poderia ser um "vampiro energético"? O que muita gente apresenta me parece mais é uma tendência de buscar nessa fraqueza uma razão de orgulho, a vontade de ser um predador supremo (como o vampiro mitológico), embora falar assim seria fazer um julgamento, e julgar de maneira genérica, um erro.
Outro fator real que pode ter aumentado o mito do vampiro
Desde o início da palestra, tenho mostrado como mitos e lendas, muitas das quais baseadas em fatos, podem ter criado o que já há algum tempo conhecemos como o Mito do Vampiro. Não somente de deuses e lendas, de mitos e dragões que a figura do vampiro pode ter se alimentado.
Existe um fator real, que muitos conhecem mas poucos realmente sabem o que é: que podem ter, se não criado (pois como vimos, a lenda vampirica, além de antiga, é comum em todo o mundo), pelo menos aumentado o que hoje conhecemos como o folclore vampírico. Trata-se de uma doença que foi muito comum durante a Idade Média, cujos sintomas são: palidez extrema (e portanto sensibilidade ao sol), lábios muito vermelhos, aumento da produção de pêlos, saliva e urina vermelhas, lábios contraídos com os caninos sempre expostos, dentes deformados, mau hálito, distúrbios nervosos e comportamento maníaco, alergia a alho, bebidas alcoólicas e alguns tipos de remédios.
Se existe um nome para esta doença, este é vampirismo, certo? Errado, o nome desta doença é porfiria, que na verdade é (falando de maneira simples) uma falha na hemoglobina (componente do sangue responsável pela cor vermelha do mesmo). Para piorar, a porfiria é hereditária (apesar de haver um subtipo relacionado à cirrose hepática) normalmente devido a casamentos consangüíneos (entre parentes). Era muito comum nas família nobres da Antiguidade que, para manter a nobreza (e os títulos e o poder) normalmente casavam entre si, muitas vezes até entre primos em primeiro grau.
O que temos, portanto, para alimentar a lenda, eram poderosos (nobres), que não apareciam em público, evitavam o sol, pareciam estar sempre com sangue em suas bocas, eram pálidos e tinham caninos aparentes. Se não soubesse que é real eu diria que alguém está brincando comigo sobre o assunto. Quantas coincidências de uma vez!
Conclusão
Creio que o ponto mais importante aqui é que, por milhares de anos, a misteriosa figura do vampiro povoa o inconsciente coletivo, surgindo de tempos em tempos em folclores e mitos, livros e filmes, sempre adequada à cultura que os cria, mas sempre semelhante à figura de seus antecessores.
Aqui, assim como na maioria das questões apresentadas pela mitologia, pelo folclore, pela religião e pela magia, e não provadas pela ciência, temos o ponto de que a humanidade sempre foi prática, agarrando-se às coisas que se mostraram úteis e repudiando as que não lhe serviam. Porque então uma simples mentira se manteria viva por tanto tempo?
Que conclusão se pode tirar de tudo isso? Vampiros existem? Muito melhor do que simplesmente dizer sim, ou não, eu prefiro considerar que talvez. Se eu já vi algum? Pessoalmente eu tenho que dizer que não (mas você um dia vir algum, não precisa me chamar).
Bibliografia
FERGUSON, Diana - History of Myths Retold, Chancelor Press, 2000.
BOURRE, Jean-Paul - Os Vampiros, Publicações Europa-América,1986.LEADBEATER, C.W. - O Plano Astral, Editora Pensamento, 1990.
TORRIGO, Marcos - Vampiros, Editora Madras, 2002.
MCNALLY, Raymond T. & Florescu, Radu - Em Busca de Drácula e Outros Vampiros, Editora Mercuryo, 1995
Comentários
Sonho em ser um vampiro bonzinho, estilo o Zeca daquela novela "O Beijo do Vampiro" heuheuhe muito show 8)
:-?
Se, no entanto, você estiver falando de vampiros imortais, que saem da tumba para chupar sangue, eu creio que seja um pouco de fantasia demais em cima do vampiro esotérico.
Beijos,
Você tem certeza que você leu o texto todo? Sem preconceito?
Eu creio que não, pois no final da comparação eu falei de uma iluminação invertida. De qualquer maneira existem diversas religiões, cada uma com suas verdades e seus heróis, como estudioso eu analiso fatos, não moral.
Francisco Reginaldo de Sousa
Membro da Comuissão Permanente de Licitação da Prefeitura Municipal de Santana do Acaraú - Ceará
Rua: Wilson Megale nº 20
Bairro Retiro
Santana do Acaraú - Ceará
CEP 62.150-000
Santana do Acaraú, 28 de Novembro de 2005.
Um abraço!
Francisco Reginaldo de Sousa
medo de serem descobertos???
me respondam!meu e-mail está aí!!!
bjs!!!
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