Tradução: Maurice Cezário (Brasília, DF)
Adaptação: O Guardião do Estronho
Introdução
As cobras possuem características que sempre fascinaram os seres humanos, desde o começo dos tempos. Algumas dessas características acabam por levar a supertições, lendas e até mesmo a mitos religiosos.
As cobras fazem parte de um seleto grupo de animais, que são capazes de conceder uma morte rápida e dolorosa ao mesmo tempo, com uma simples mordida.
Outra característica interessante desses répteis é a troca de pele, que foi inclusive notado por culturas anciãs, que viam isso como um ato de ressureição e renovação do espírito.
O ato de fitar, os olhos que não piscam, o movimento flexível da ausência de pernas, o corpo gelado e o deslizamento das escamas foram inspirações para numerosos mitos humanos e lendas espetaculares sobre as cobras.
Veremos aqui algumas referências a esses répteis, em lendas diversas de alguns povos antigos.
Gregos
Gregos / Romanos
Hebreus
Hebreus / Arábicos
Romanos
Indios Sul-Americanos
Sumérios
Astecas / Mesoamericanos
Africanos
Indianos
A história natural das cobras e a evolução dos répteis
As cobras são répteis e o ramo da zoologia que lida com essa classe de animais é conhecido como Herpetologia. A palavra Herpetologia vem do grego 'herpeton', que significa 'coisa rastejante'.
Antigamente, para a zoologia, todos os animais rasteiros (como os anfíbios e os répteis) eram classificadas nesse grupo das 'coisas rastejantes' e a palavra 'Herpetologia' foi criada para compreender todos eles.
Por um lado, os répteis formam uma classe de animais vertebrados intermediários entre os peixes e os anfíbios, mas por outro lado, estão entre os vertebrados superiores (pássaros e os mamíferos).
Os répteis modernos incluem os crocodilos, as tartarugas, os lagartos e as cobras - sem esquecer os lagartos como a Tuatara, uma simples espécie que tem uma ordem só para ela. Cobras e lagartos estão intimamente ligados e pertencem a uma mesma ordem ('Squamata'), com 3 sub-ordens.
Os ancestrais dos atuais lagartos e cobras apareceram juntos com os primeiros dinossauros durante o tardio período triássico, quase 200 milhões de anos atrás, apesar dos registros de fósseis dessa época serem escassos. Os modernos lagartos (sub-ordem Lacertilia) parecem ter se separado da ordem primitiva Eosuchia durante o período Triássico, mas o fóssil mais antigo que liga os modernos lagartos aos seus ancestrais é originário do início do período jurássico, algo em torno de 140 milhões de anos atrás. Durante esse período, o primeiro ancestral dos pássaro surgiu.
É geralmente aceito que as modernas cobras (sub-ordem das serpentes) surgiu dos lagartos no começo do período Cretáceo, algo em torno de 130 milhões de anos atrás, porém não existe uma evidência em fóssil que conecta essas duas classes. Infelizmente, pequenos lagartos e cobras não se transformam em bons fósseis, pois os pequenos e delicados ossos tendem a se quebrar ou se espalham. Paleontologistas estão sempre encontrando vários ossos, mas sem as outras partes para completar o antigo animal, o trabalho deles é extremamente complicado. Pode-se comparar o trabalho dos paleontologistas com o mais difícil quebra cabeça, com várias peças fundamentais faltando. Devido a essa evidência incompleta de fósseis, a evolução das cobras é baseada largamente em teoria.
O mais antigo fóssil conhecido de criaturas que se parecem com as cobras são do baixo período cretácio, 130 milhões de anos atrás. Eles eram pequenos e pesados e tinham uma mistura das características dos lagartos e das cobras. Infelizmente, não há evidência intermediária que ligue essas criaturas com as cobras modernas. Uma das teorias mais aceitas é a que diz que todas as cobras evoluíram dos lagartos escavadores. Certos lagartos primitivos devem ter começado a escavar o substrato para conseguir escapar dos predadores e talvez para caçar outras criaturas subterrâneas (como algumas espécies modernas ainda o fazem). Essa existência subterrânea, após incontáveis gerações, significariam que algumas modificações ao corpo deles seriam necessárias para que o animal continuasse obtendo sucesso.
No escuro mundo subterrâneo, os olhos eram de pouco uso, então eles foram gradualmente sendo absorvidos até só sobrarem vestígios, sendo adequados para detectar apenas a diferença entre luz e escuridão. As aberturas dos ouvidos devem ter sido um estorvo no ambiente subterrâneo, então, eles também foram perdidos. Em outro nível de evolução, algumas dessas criaturas escavadoras acharam conveniente voltar para a superfície. Num ambiente mais claro, os olhos de novo tornaram-se importantes e então se desenvolveram novamente (apesar das pálpebras terem sido completamente perdidas, os olhos se mantinham sob uma escama protetora transparente chamada de 'brille'.)
Com os membros quase que totalmente perdidos, os répteis desenvolveram um método de locomoção serpentino. Os ouvidos externos foram perdidos, mas as cobras modernas desenvolveram um mecanismo eficiente para detectar vibrações através de superfícies sólidas. Adaptações adicionais que provavelmente se desenvolveram através do período de escavação incluem um sufisticado método para sentir odores e um senso muito acurado de toque.
Muitas das modernas cobras ainda tem esses atributos. De acordo com a teoria que diz que as cobras evoluíram dos lagartos cavadores, não há família de lagartos modernos que poderiam ser entendidos como um canal entre os lagartos e as cobras. Até mesmo os 'amphisbaenians', sub-ordem Amphisbaenia, que não tinha pernas, (vistos como os ' lagartos que viraram cobras'), foram agora classificados com a criação de sua própria sub-ordem. Apesar de terem algumas características similares com algumas encontradas nas cobras e nos lagartos, eles têm outras características únicas que sugerem evolução a parte.
Se a teoria da escavação é correta, ela só poderá ser provada se, e quando fósseis completos das formas intermediárias forem encontrados.
Texto original: The Snake.Org
Comentários
curiosidades. Meu conhecimento sobre serpentes era bastante limitado e além disso eu morro de medo de cobras, acho elas nogentas e muito sinistras.
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