Durante centenas de anos da história humana, o medo que a morte suscita e a incógnita que representa, vem trazendo ao folclore popular e mais recentemente, ao âmbito da ciência empirizada; os casos de aparições de espíritos, fantasmagorias ou almas; como as queiramos chamar. O verdadeiro fato porém, é que este assunto de fenomenologia anômala, crido ou não, é por demais instigante às pessoas de visão acurada, maravilhadas por natureza com os aguilhantes mistérios que nossa vida vem propor.
Foi no século XIX, que a "arte" da possibilidade de contatar Inteligências Conscientes não Corporais, começou a difundir- se prolixamente na América do Norte, e dela para o mundo. A Família Fox , em 31 de Março de 1848, deu início, numa recôndita casa interiorana de Hydesville, Nova York; ao que na contemporaneidade convencionou nomear-se "sessão espírita"; embora já outros campos de atividade sócio-antropológicas, como as religiões ancestrais e o ocultismo, o tenham tentado fazer, há tempos.
Na residência dos Fox, com fama então maldita; na noite do dia citado, começou-se a ouvir estranhos barulhos que certamente os horrorizaram (John, sua esposa e suas duas filhas mais novas, Margareth e Kate Fox). Os ruídos pareciam vir de alhures, e para a surpresa dos assistentes, Kate, então com 11 anos, resolveu por instinto, responder ao chamado das pancadas, estalando os dedos e dizendo: "Sr. Splitfoot, faça como eu!" e bateu palma várias vezes seguidamente, o que foi sonoramente reproduzido pelo mágico batedor. A partir daí, conveniou-se um diálogo que obtinha como respostas, remotos toques oriundos da tenebridez noturna, no interior de casa. Dois fortes impactos foram lançados quando a senhora Fox indagou: "É um Espírito ? Se for, bata duas vezes ..." E seguiu-se o extraordinário!!!!
A notícia da conversação como o post-túmulo, difundiu-se rapidamente e logo, os Fox, mormente as irmãs Margareth e Kate, alcançaram status de celebridade. Prosseguiu uma febre de "médiuns" que auto-proclamavam-se detentores da rara e nobre capacidade de conversar como os mortos. Nova York torna- se a Meca de um culto obtusão e repleto de aproveitadores. De lá, o espiritismo, com métodos de pancada em mesa, singrou o mar atlântico, atingindo a Europa.
Emergido numa época de remodelagem nas ciências e na filosofia, o espiritismo moderno foxeano, apresentou-se fulgurante nos próximos 50 anos à seguir da noite de março de 1848; mas claro, sendo controverso do início aos dias atuais. Certo tempo depois do ocorrido, já estavam 3 irmãs juntas, a divulgar os fenômenos congêneres (A terceira irmã da família Fox seria Leah). Há certa altura porém, confessaram terem elas mesmas forjado as batidas e fraudarem o episódio. ... Mas existe dúvida sobre o fato.
O concreto é que o espiritismo galgava um espaço cada vez maior na sociedade; meio escusamente; mas inquestionavelmente à passos imparáveis. Nesta avalanche de contactadores inusitados, um dos mais proeminentes foi o escocês Daniel Dunglas Home. As sessões de Home, acontecidas na Inglaterra e na Europa Continental, incluíram aparições de mãos decepadas em pleno ar, visões e sons de um acordeão sendo tocado por uma entidade translúcida, tudo em salas bem iluminadas. Várias sociedades de estudos psíquicos, intentaram um aprofundamento sobre o médium, encontrando sobre ele, respostas e afirmativas controversas. Uma das aparições incitadas por Home, foi presenciada pela esposa do até então famoso físico William Crookes (Que depois, iniciou uma pesquisa na área), que descreve o tal acordeonista:
- A medida que a figura se aproximava, senti um frio imenso e quando ele me estendeu o acordeão, não pude deixar de gritar. Sem deixar de tocar o instrumento, ele pareceu afundar-se no assoalho, deixando apenas visíveis, a cabeça e os ombros.
Hoje, a transcomunicação aproveita-se das descobertas científicas, utilizando-as para um contato indireto (direto ??) com supostas entidades não materiais, inclusive tendo o Brasil destacado-se neste ramo pesquisamental. Tendo como instrumentos, do gravador sonoro ao computador, a Transcomunicação vem sendo difundida através de estudiosos como Hernani Guimarães Andrade, Marlene Nobre e Sonia Rinaldi, só para citar alguns, neste nosso país que tem acolhido até grandes congressos Internacionais sobre o Tema.
* este artigo foi originalmente publicado em 25 de julho de 1999, no jornal O Povo, Fortaleza- Ce.
** Rafael Amancio é Técnico Industrial, Acadêmico da Faculdade de Tecnologia em Mecatrônica. Pesquisador da Forteana, faz parte do núcleo FENOMALIA, para estudos dos fenômenos Anômalos. Seu e-mail é
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