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 "Em certas regiões da Morávia, era muito comum homens mortos aparecerem na companhia dos vivos".

Dom A. Calmet

O acadêmico católico romano, padre beneditino Augustian Calmet, nasceu em Minil-la-Horgne, Lorraine, França, em 16 de fevereiro de 1672. Estudou no mosteiro Beneditino de Brevil e entrou na ordem em 1688.

O estudo de Dom Calmet começou com a onda de relatos de vampirismo provindos da Alemanha e da Europa Oriental. Impressionado com os testemunhos e detalhes acerca dos casos da Europa Oriental, Calmet achou inadmissível que estes relatos fossem simplesmente ignorados. Tanto que, no livro, Calmet pergunta: "Já se viu alguma vez as letargias, os desmaios ou as síncopes durarem anos inteiros?"

Achando importante verificar a veracidade dos fatos e transcreve-los de acordo com a opinião da igreja perante o mundo, Don Calmet procurou coletar toda a informação existente sobre a natureza dos vampiros. Passou a reunir o maior número possível de autos oficiais como jornais, diários de viagem, testemunhas oculares e criticas de colegas esclarecidos. Incluiu ainda no tratado o folclore da região, as explicações dadas ao fenômeno, o sepultamento prematuro e o pouco que se sabia sobre sobre as mudanças no corpo após a morte. A maior parte de seu livro é constituída da antologia desses relatos, seguida de suas próprias reflexões, assim não é de admirar que seu tratado contenha várias contradições e pontos de incerteza.

Dom Calmet fez uma crítica severa aos relatos; apontando problemas e inconsistências internas. Também condenou a histeria que seguia-se após diversos incidentes relatados e apoiou a atitude da Sorbonne que condenou claramente os relatos e a mutilação dos corpos exumados. Mas, no final, Calmet terminou por concluir "que parece impossível não apoiar a crença que prevalece nesses países de que essas aparições na realidade provêm do túmulo e que são capazes de produzir os terríveis efeitos tão difundidos e atribuídos a eles".

 Segundo ele, era de depor uma hóstia consagrada na boca dos defuntos, antes da sua inumação. Isto serviria para evitar qualquer invasão demoníaca no cadáver ou sortilégio póstumo. Citando os relatórios das comissões papais enviadas para lidar com "pragas" de vampiros na Áustria, Hungria, Morávia e Silésia, Don Calmet narra que um vampiro pode ser destruído por decapitação, enfiando-lhe uma estaca no tórax ou queimando-se o corpo. Isto certamente destruiria o vampiro da mesma forma que obviamente daria cabo de uma pessoa normal.

"Nos últimos seis anos temos ouvido e presenciado uma nova série de extraordinários fatos e incidentes. Hungria, Morávia, Silésia e Polônia são o principal cenário. Por aqui se conta que homens falecidos, homens que permaneceram enterrados durante meses, regressam de suas tumbas. Ouve-se sua voz, vê-se eles vagando por aí, invadindo vilarejos e aldeias. Causam danos a homens e animais, cujo sangue extraem produzindo enfermidades que levam à morte em pouco tempo. Ninguém pode evitar visitas tão terríveis nem defender-se de seus ataques, a menos que os cadáveres sejam exumados, seu peito traspassado com uma estaca, sua cabeça arrancada e o coração destroçado ou queimado até ser reduzido a cinzas".

No segundo tomo, capítulo 14, página 61, Dom Calmet relata a seguinte carta que recebeu por intermédio de um amigo comum, Ludwing von Buloz: "Possuo uma carta acerca dos fantasmas da Hungria, que foi escrita por um amigo meu para me ser entregue. O autor pensa nitidamente de outra forma que o Le Glaneur Hollandais (Uma gazeta publicada pelo marques Boyer d'Argens, que acreditava que as vitimas dos vampiros matavam a si próprias por auto sugestão) acerca dos vampiros! Eis a carta:  

"Para satisfazer as perguntas do senhor abade Don Calmet, relativamente aos vampiros o abaixo assinado tem a honra de lhe assegurar que não existe nada tão verdadeiro e tão certo como o que leu as Actas Públicas e Impressas, que foram inseridas nas gazetas de toda a Europa. Mas de todas essas Actas que foram publicadas o senhor abade deverá interessar-se por um fato verídico e notório referente à delegação de Belgrado, ordenada por Sua Majestade Imperial Carlos VI, de gloriosa memória, e executada por sua alteza sereníssima o duque Carlos Alexandre de Vurtenberga, nesse tempo vice-rei ou governador do Reino da Sérvia. Porém, de momento não posso citar nem o ano nem o mês ou o dia, por falta dos meus papéis, que não tenho presentemente comigo.

Este príncipe mandou partir de Belgrado uma delegação que era composta metade por oficiais militares e outra metade por oficiais civis, assim como pelo auditor-geral do Reino, a fim de que se deslocasse a uma aldeia onde um Vampiro famoso, morto há muitos anos, fazia uma razia entre os seus. Mas notai que é somente na sua própria família e entre os seus parentes que esses sugadores de sangue se deleitam a destruir a nossa espécie (humana).

Essa comissão era composta por gente e por sujeitos reconhecidos pelos seus costumes e pelo seu saber incomparáveis. Prestado o juramento e acompanhados de um tenente dos Granadeiros do Regimento do Príncipe Carlos Alexandre de Vurtemberga e de vinte e quatro granadeiros do dito regimento, partiram.

Tudo o que era gente honesta e o próprio duque, que se encontrava em Belgrado, juntaram-se àquela comissão, para serem testemunhas da prova jurídica que ia ser feita. Chegados ao local, descobriu-se que no espaço de quinze dias, o Vampiro, tio de cinco rapazes e raparigas, já tinha executado três, e um outro, um seu próprio irmão. Já ia no quinto, uma rapariga muito bonita que era sua sobrinha; já a tinha vampirizado duas vezes quando se pôs fim a esta tragédia tão triste, pelas operações seguintes: Reuniram-se numa vila, não longe de Belgrado, com os comissários deputados. A sessão era pública e efetuou-se ao cair da noite, na sua sepultura. Este senhor (que me informava dos acontecimentos anteriores) não me pôde dizer as circunstâncias do tempo durante o qual as vítimas precedentes tinham sido atacadas, nem as particularidades acerca deste assunto. A pessoa, depois de o ter sido, encontrava-se num estado lastimável de fraqueza, de debilidade e de cansaço, tal era a violência do tormento. Havia aproximadamente três anos que estava encerrado. Foi vista sobre seu túmulo uma claridade parecida à de um candeeiro, mas mais viva. O túmulo foi mandado abrir e encontrou-se um homem completo, parecendo tão são como qualquerum de nós, os assistentes. Os cabelos, os pêlos do corpo, as unhas, os dentes e os olhos (semicerrados) estavam tão firmemente agarrados a ele como o estão atualmente os nossos. E seu coração palpitava.

Em seguida , retirou-se o corpo para fora do túmulo; o corpo não estava na verdade flexível, mas não lhe faltava nenhuma parte, nem na carne nem nos ossos. Em seguida, trespassouse-lhe o coração com uma espécie de lança de ferro redonda e pontiaguda. Saiu dele uma matéria esbranquiçada e fluída (que poderia tratar-se de gordura), juntamente com sangue, mas o sangue dominando sobre a matéria. O morto não tinha qualquer mau cheiro. A seguir a isto foi-lhe cortada a cabeça com um machado semelhante àquele com que na Inglaterra se fazem as execuções.

Saiu igualmente uma matéria e sangue semelhante aos que acabei de descrever, mas este mais abundante em proporção ao que saiu do coração.

Quanto ao resto, foi deitado numa vala, com cal viva e forte, para o consumir mais depressa, e desde logo a sua sobrinha, que tinha sido vampirizada duas vezes, melhorou.

Nos sítios onde estas pessoas são atacadas, forma-se uma marca muito azulada. O local de sucção não é determinado: tanto pode ser num local como noutro.

Constitui isto um fato notório atestado nos mais autênticos relatórios e passado à vista de mil e trezentas pessoas todas dignas de fé. Reservo-me para satisfazer mais completamente a curiosidade do sábio abade Dom Calmet e fazer-lhe um relato pormenorizado do que vi com os meus próprios olhos, acerca deste assunto, que remeterei ao Senhor Cavaleiro de Saint-Urbain, para que lho envie, e fico muito encantado com isso, como com qualquer outra coisa que constitua ocasião para lhe provar que ninguém lhe tem tão grande veneração e respeito como este seu humilde e obediente servidor:

L. de Buloz, antigo capitão no Regimento de S.A.S. o príncipe Alexandre de Vurtemberga e seu ajudante de campo; atual primeiro capitão dos Granadeiros no Regimento do Senhor Barão de Trenk.">>

<< A fim de não omitir nada que seja susceptível de clarificar este assunto, acrescentei ainda que a carta é de um homem muito instruído e honesto que observa os espectros, carta escrita a um parente:

"Desejais, meu querido primo, ser informado ao certo do que se passa na Hungria acerca dos espectros que provocam a morte a muita gente neste país. Posso-vos falar sabiamente, pois estive lá aquartelado e sou naturalmente curioso! Na minha vida ouvi contar uma infinidade de histórias, ou supostas como tal, acerca de espíritos e sortilégios, mas das mil acreditei numa!

Não se pode ser circunspecto nessa mateira sem se correr o risco de se ser pateta. Contudo, há certos fatos tão provados que não podemos deixar de acreditar. Quanto aos espectros de Hungria, eis como as coisas se passam. Uma pessoa aparece atacada de fraqueza, perde o apetite, emagrece a olhos vistos e ao fim de oito a dez dias, algumas vezes quinze, morre sem febre nem qualquer outro sintoma senão a magreza e a secura. Diz-se naquele pais que é um fantasma que se agarra a ela e lhe suga o sangue. Os que são atacados por aquela doença dizem, na sua maior parte, que crêem ver um espectro branco, que os persegue por todo o lado como a sombra do seu corpo.

Quando estávamos aquartelados nos Valaques, em Bannat de Temesvar, dois cavaleiros da companhia onde eu era porta estandarte morreram dessa doença, e outros tantos que foram atacados teriam morrido do mesmo se um cabo da nossa companhia não tivesse acabado com o mal, utilizando o remédio que as pessoas da região empregam para isso. É dos mais particulares, e, embora infalível, nunca o vi referido num ritual (de exorcismo ortodoxo ou católico-romano).

Escolhe-se um rapaz novo, com uma idade tal que nunca tenha utilizado o seu corpo, ou melhor, que se suponha ser virgem. monta-se o rapaz num cavalo completamente preto e que nunca tenha saído. Faz-se passear no cemitério e passar sobre todas as valas. Toda aquela que o animal recuse passar por cima, apesar das fortes chibatadas que lhe dão, é suspeita de estar ocupada por um Vampiro.

Essa sepultura é então aberta, sendo aí encontrado um cadáver tão gordo e belo como se fosse um homem feliz e tranqüilamente adormecido. Com uma machadada, corta-se lhe o pescoço, de onde sai um sangue dos melhores e mais vermelhos, e em quantidade.

É-se levado a crer que se trata de um homem dos mais sãos e vivos. Feito isso, enche-se a vala, e pode contar-se que a doença acabe e que todos os que foram atacados recuperem a pouco e pouco, como as pessoas que, prostradas há muito tempo, se salvam de uma doença.

Foi isso o que aconteceu aos nossos cavaleiros que foram atacados. Era na altura comandante da companhia, pois o meu capitão e o meu tenente estavam ausentes. Fiquei irritado por o cabo ter feito esta experiência sem a minha presença! Tive a maior dificuldade em não o obsequiar com uma tareia dada com o pau, coisa que se paga por bom preço nas hostes do imperador. Queria, acima de todas as coisas, ter estado presente naquela operação; mas, enfim, era preciso ter passado por lá..."

Um parente deste mesmo oficial escreveu-me a 17 de Outubro de 1746, dizendo-me que o seu irmão, que tinha servido vinte anos na Hungria, e que aí, curiosamente, examinara tudo o que se dizia acerca dos espectros, reconheceu que as pessoas daquelas regiões são mais crédulas e mais supersticiosas do que as outras e atribuem as doenças que têm a sortilégios. Suspeitando, à partida, de que o incômodo é causado por uma pessoa morta, acusam-na ao magistrado, que, baseado no depoimento de algumas testemunhas, manda desenterrar o morto. É-lhes cortada a cabeça com um machado, e, se correm algumas gotas de sangue, conclui-se que é o sangue que sugou da pessoa doente. Mas a pessoa que me escreveu parece muito longe de acreditar no que pensam naquele país.

O intendente do conde Simon Labienski, estarote (estarote: chefe de comunidade rural na Polônia) de Posnânia, tinha morrido. A condessa, que tinha um dote de viúva, quis, por reconhecimento dos seus serviços, que ele fosse sepultado num túmulo dos senhores daquela família. O que foi cumprido. Algum tempo depois, o sacristão que tinha a seu cargo a manutenção do túmulo, apercebendo-se que este estava mexido, avisou a condessa, que ordenou, segundo o costume da Polônia, que cortassem a cabeça do morto. A ordem foi executada na presença de muitas pessoas, entre os quais o senhor Juivinski, oficial polaco e governador do jovem conde Simon Labienski que viu, quando o sacristão tirou o cadáver do túmulo para lhe cortar a cabeça, que este rangia os dentes e que o sangue corria tão fluido como o de uma pessoa que tivesse morrido subitamente de morte violenta, o que pôs os cabelos em pé a todos os assistentes. Seguidamente, embebeu-se um lenço branco com o sangue do cadáver, o qual se deu a beber a todos os da casa para que jamais fossem atormentados...>>

O próximo texto foi extraído do Mercure Galant de 1694e aproveitado por Don Calmet. É interessante observar que nos números de 1693 e 1694 do muitas vezes foram feitas referências aos "upires, vampiros ou espectros, que se vêem na Polônia e sobretudo na Rússia". A história não foi inventada pelo Mercure Galant termo upire designa "sanguessuga", coisa que a Europa Ocidental ainda ignorava na época, o que implica uma origem mais antiga e localizada. Diz o relato: "Num certo cantão da Hungria, chamado em latim Oppida Heidonum, para lá do tibisque, vulgo Teisse, isto é, entre este rio, que banha o venturoso terreno de Tockay, e a Transilvânia, o povo conhecido com o nome de Heiduques crê que certos mortos, a quem eles chamam Vampiros, sugam todo o sangue dos vivos, de tal modo que estes enfraquecem a olhos vistos, ao contrário dos cadáveres, que, como as "sanguessugas" (upires) , se enchem de sangue de tal maneira que se vê sair pelas condutas naturais e mesmo pelos poros. Esta opinião acaba de ser confirmada por muitos fatos, que não podem ser postos em causa dada a qualidade das testemunhas que os certificam. Contamos aqui alguns dos mais notáveis.

 Foi há aproximadamente cinco anos que um heiduque, habitante de Medreira, chamado Arnold Paul, ficou esmagado debaixo de um carro de feno. Trinta dias após a sua morte, quatro pessoas morreram subitamente, e da mesma maneira que morrem, segundo a tradição daquele país, os que são molestados pelos vampiros. As pessoas lembraram-se então que o tal Arnold tinha muitas vezes contado que, para os lados de Cassova e nas fronteiras da Sérvia turca, tinha sido atormentado por um Vampiro, e elal acreditavam que aqueles que tinham sido Vampiros passivos em vida tornavam-se ativos depois da morte, quer dizer, que todos aqueles que tinham sido sugados iriam por sua vez sugar. Mas ele tinha encontrado o modo de se curar comendo terra do sepulcro do Vampiro e esfregando-se com o seu sangue. Precaução que não o impediu, contudo, de o vir a ser depois de morto, pois foi desenterrado quarenta dias depois do funeral e o cadáver apresentava todas as marcas de um arquivampiro. O seu corpo estava vermelho, os cabelos, as unhas e a barba tinham sido renovadas, e as veias estavam cheias de sangue fluído, o qual corria de todas as partes do corpo para o lençol em que estava envolto.

 O hadnagi, ou magistrado da zona, que era um homem conhecedor do vampirismo, e em presença do qual foi feita a exumação, mandou, conforme o costume, espetar no coração do defunto Arnold Paul uma estaca muito aguçada, que lhe atravessou o corpo de lado a lado. Este ato fê-lo, segundo se diz, soltar um grito pavoroso como se estivesse vivo. (Tentaram explicar isso dizendo que teria sido o rebentar do estômago ou dos pulmões que estavam cheios de ar bloqueado).

Feita essa operação, foi-lhe cortada e queimada a cabeça. Depois disto, fez-se a mesma coisa aos quatro cadáveres de outras pessoas mortas de vampirismo, temendo que elas, por sua vez, matassem alguém.

Nenhum dos expedientes usados puderam entretanto impedir que, perto do fim do ano passado, quer dizer, ao fim de cinco anos, estes acontecimentos funestos tenham recomeçado e que inúmeros habitantes da mesma aldeia tenham infelizmente morrido. No espaço de três meses, dezessete pessoas morreram de vampirismo, umas sem terem estado doentes e outras após dois ou três meses de torpor.

Entre outros casos relata-se o de uma rapariga chamada Stanoska, filha do heiduque Jotuitzo, que, tendo-se deitado de perfeita saúde, se levantou trêmula no meio da noite, soltando gritos horrorosos e dizendo que o filho do heiduque Milo, falecido há nove semanas, tinha tentado estrangula-la durante o sonho. Desde este momento começou a enfraquecer e ao fim de três dias morreu. O que esta rapariga tinha dito acerca do filho do heiduque Milo fez com que este fosse reconhecido como Vampiro. Foi pois desenterrado, e de fato acharam-no como tal! As entidades principais, que estavam presentes, médicos e cirurgiões, verificaram como o vampirismo renascia apesar das precauções tomadas alguns anos antes.

Descobriu-se, por fim, após grandes buscas, que o defunto Arnold Paul tinha matado não apenas as quatro pessoas de que já falamos, mas também gado, cujos novos vampiros tinham comido, e entre os quais o filho do heiduque Milo.

Com base nestes indícios, tomou-se a decisão de desenterrar todos os que tinham morrido há um certo tempo. De entre uns quarenta, foram encontrados dezessete com todos os sinais evidente de vampirismo. Também se lhes cortou as cabeças e trespassou o coração, e em seguida foram queimados e as cinzas deitadas ao rio. Todas as informações e exceções que acabamos de relatar foram feitas juridicamente, na legalidade, e confirmadas por muitos oficiais que pertenciam a guarnição militar, por cirurgiões-mores dos regimentos e pelos principais habitantes do sítio. O auto foi enviado, no fim de janeiro último, ao Conselho de Guerra Imperial, em Viena, que elegeu uma comissão militar para averiguar a verdade de todos estes fatos.

Foi o que declararam o hadnagi Barriarar e os heiduques mais velhos e foi assinado por Battner, primeiro-tenente do Regimento de Alexandre de Vurtemberga, por Clickstenger, cirurgião mor do Regimento de Furstemburch, por três outros cirurgiões da companhia e por Gnoitchtz, capitão em Stallath".

Don Calmet, capítulo 7, página 31: "Tomei conhecimento de que o senhor de Vassimont, conselheiro do Tribunal de Contas de Bar, tendo sido enviado para Morávia por ordem de Sua Alteza Real Leopoldo I, duque de Lorena, para tratar de assuntos do príncipe Carlos, seu irmão, bispo de Olmus e de Osnabrunch, foi naquele país verem-se homens mortos aparecerem na companhia de vivos, e estarem à mesa com pessoas do seu conhecimento sem dizerem nada. No entanto, quando faziam um sinal na cabeça a qualquer um dos assistentes, este morria infalivelmente alguns dias depois. Este fato foi-lhe confirmado por muitas pessoas, entre as quais um velho cura disse ter visto mais de um caso.

Os bispos e os padres do país consultaram Roma acerca destes fatos tão extraordinários. Mas não lhes foi dada qualquer resposta, porque tudo isto era aparentemente olhado como sendo visões puras, ou imaginações populares...

Providenciava-se para que desenterrassem os corpos dos que se davam a conhecer, para que os queimassem ou os consumissem de qualquer outro modo. Assim ficavam livres da importunidade dos espectros, que naquele país são hoje menos freqüentes que anteriormente".

A seguinte narração chou a Dom Calmet no tempo do seu inquérito e foi feita originalmente pelo capitão do Regimento de Infantaria de Alandetti, conde de Cabreras, a um correspondente seu: "Foi há aproximadamente quinze anos que um soldado, quando estava na guarnição de um haidamaque (ou heiduque, lavrador ou camponês nobre, chefe de dos guerrilheiros que combatiam os turcos), nas fronteiras da Hungria, viu entrar um desconhecido que se pôs à mesa com eles. O soldado encontrava-se à mesa perto do dono da casa. Este ficou estranhamente assustado, assim como o resto dos presentes. O soldado, ignorando o que se passava, não sabia o que pensar. Mas no dia seguinte o dono da casa estava morto e o soldado foi saber o que tinha acontecido.

Disseram-lhe que fora o pai do hospedeiro, morto e enterrado há mais de dez anos, que tinha vindo sentar-se ao pé dele e anunciar-lhe e causar-lhe a morte.

O soldado informou primeiramente o regimento, tendo este avisado os oficiais generais, que encarregaram o conde de Cabreras, capitão do regimento de infantaria de Alandetti, de elaborar uma informação sobre o fato. Tendo-se deslocado para o local outros oficiais, um cirurgião e um auditor civil, ouviram os depoimentos de todas as pessoas da casa, que atestaram de uma maneira uniforme que o espectro era o pai do dono da casa e que tudo que o soldado tinha contado era verdade, o que foi igualmente atestado por todos os habitantes da aldeia.

Em conseqüência, mandaram tirar da terra o corpo do espectro, e encontraram-no como o de um homem que tivesse acabado de morrer, o sangue como o de uma pessoa viva. O conde de Cabreras mandou cortar-lhe a cabeça e ordenou que o pusessem de novo no túmulo. Teve ainda informações de outros casos semelhantes, entre os quais o de um homem morto há trinta anos, que tinha aparecido três vezes em casa, havia sugado da primeira vez, o sangue do pescoço do seu próprio irmão, da segunda a um dos filhos e da terceira a um criado da casa. E todos os três morreram.

Baseado neste depoimento, o comissário mandou desenterrar o cadáver, que foi encontrado como o primeiro e tinha o sangue fluído como o de um vivo, e ordenou que lhe espetassem uma cavilha na fronte e que em seguida lhe pusessem no túmulo.

Mandou ainda queimar um terceiro, que estava enterrado há dezessete anos e havia sugado o sangue e causado a morte a dois dos seus filhos. O comissário fez um relatório para os oficiais generais e mais tarde foi como delegado apresentar-se na corte do imperador, que ordenou que se enviassem oficiais militares e oficiais de justiça, médicos, cirurgiões e alguns sábios, para que examinassem as causas destes extraordinários acontecimentos...

(Calmet acrescentou ainda que:) Quem nos contou estas particularidades tomou conhecimento delas através do próprio conde de Cabreras, no ano de 1730, em Friburgo de Brisgóia".

No capítulo 31, página 127, Dom Calmet conta o testemunho que recolheu em Cândida, na Grécia, que lhe foi contado pelo cavalheiro anglicano Ricaut: "Ricaut, na narração que fez sobre o presente estado da igreja grega, reconheceu que o sentimento que pretende que os corpos dos excomungados não apodrecem nunca é geral, não só entre os gregos mas também entre os (cristãos) turcos. Relata um fato que se passou com um monge ortodoxo grego de Cândia, o qual, sobre juramento, assegurou ser verdade. Chamava-se Sophrone e era muito conhecido e estimado em Esmirna.

Na ilha de Milo, morreu um jovem que fora excomungado por ter cometido uma falta qualquer em Moreia, sendo por isso enterrado sem qualquer cerimonia fúnebre, num lugar isolado e em terra que não foi benzida.

Os parentes e os amigos estavam profundamente desolados por o verem naquele estado, e os habitantes da ilha eram todas as noites assaltados por aparições fúnebres, que atribuíam àquela desgraça. Abriram portanto o túmulo e encontraram o corpo completo e as veias dilatadas com o sangue.

Depois de terem deliberado sobre o assunto, os monges foram de opinião que se deveria desmembrar o corpo, corta-lo em bocados e pô-los a ferver em vinho, pois era assim que procediam com os espectros.

Mas os parentes, à força de tantas súplicas, conseguiram que essa operação fosse adiada, e entretanto enviaram um requerimento para Constantinopla, pedindo ao patriarca a absolção do rapaz. Durante a espera, o corpo do rapaz foi posto na igreja, onde eram ditas todos os dias missas pelo seu corpo. Um dia em que o monge Sophrone, do qual já falamos, fazia o serviço divino, ouviu-se de repente dentro do caixão um grande barulho. Ao abrir-se o caixão, encontrou-se um cadáver desagregado, como o de uma pessoa que tivesse morrido há sete anos! Soube-se que, no momento em que se ouviu o barulho, estava exatamente o patriarca de Constantinopla a assinar a bula de absolvição..."

Antes da publicação do tratado de Dom Calmet, o vampirismo era praticamente desconhecido na França sendo também ignorado em grande parte da comunidade acadêmica até o princípio do século XVIII. No entanto, isto não impediu que o livro de Dom Calmet se tornasse um best-sellers que atravessou o século, tendo edições francesas publicadas em 1746, 1747, 1748, uma edição alemã em 1752 e uma inglesa em 1759 que foi reimpressa em 1850 com o título The Phantom World.

Imediatamente após a publicação do livro, Dom Calmet foi atacado por seus colegas por haver levado a sério o vampirismo. Enquanto aumentavam as controvérsias após a publicação do tratado, uma nova onda de vampirismo eclodiu na Silésia. Então, a céptica imperatriz Maria Teresa enviou seu médico particular para investigar o caso e este fez um relatório acusando o incidente como "charlatanice sobrenatural" e condenando a mutilação dos mortos. Por isso, a imperatriz decretou leis para conter o alastramento da 'histeria' vampírica e tirou, inclusive, o assunto do poder dos clérigos e passou-o como incumbência da autoridade civil.

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Comentários  

0 #1 Shirlei...Mensageiro Obscuro 10-01-2006 19:23
Adorei ler sobre Calmet, você fez um brilhante trabalho. É muito interessante mesmo.
Precisarei aprender as línguas inglesa e francesa para ter acesso a certos livros importantes para meus conhecimentos, em especial sobre heresia.
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0 #2 padre Calmetclayton rodrigues dos santos 04-03-2009 10:05
Excelente matéria sobre os vampiros,parabé ns!!!
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0 #3 vampirostaliane 24-06-2009 17:37
ewu acredito que tenha sim vampiros por ai , mas as pessoas falam que nao e as vezes ingnora o fato que esta embaixo dos narizes delas , vc acha que eles podem um dia aparecer e toma a terra
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0 #4 Parabens!@!!Ivander 30-06-2009 11:06
A verdade é que existem muitas perguntas sem resposta....ONDE HÁ FUMAÇA HÁ FOGO!
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0 #5 parbes2Diego felix 24-08-2009 16:37
Vampiros existem e caminham ao nosso lado a cada dia que passa mais forte ficam ;
você me diz se e fato ou acredita;
essa historia nom aconteceu do nada;a igreja ainda esconde muiitos segredos;
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0 #6 nao seivinicios 18-09-2009 11:52
eu nao sei se os vampiros existem mas bem que queria descobrir e ver um vampiro!
mas eu acho que isso nunca vai acontecer!
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0 #7 Sim.Dérick 11-05-2010 11:54
Os vampíros existem, porém é bom ressaltar-lhes que nem todos são o que os livros de ficção descrevem, e sim, a igreja esconde muitas coisas de vocês .

Azon az éjszakán áldjon.
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0 #8 VAMPIROSLAURA BARBOSA 29-05-2010 12:49
SE VAMPIROS EXISTEM PQ Ñ APARECEM P NIMGEM TEM MUITA GENTE QUERENDO VER
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0 #9 porq?jader 23-06-2010 14:37
porq maiores casos na europa??
de vampirismo e menos nas americas??
eu acredito
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0 #10 isso eh um inssuto.....isabella ferrero 14-07-2010 12:47
isso o que dizem nos filmes etc naum eh verdade pois existem muitas pessoas que ja viram umas naum acreditam no que seus olhos veem e outras nem ao mesmo percebem que estam la do seus lado...
isso que os filmes dizem sobfre "vampiros"
naum eh verdade acredito que padres ou familhiares de quem viveu no passado acreditam ...
agora vcs dizem que querem ver que so vao acreditar quando ver...
vcs naum sabem como sao os vampiros nem o que eles querem ento deixem-os em paz...
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